
Capítulo 305
O Extra é um Gênio!?
A sala era pouco iluminada, apenas por um brilho tênue da lâmpada de mana fixada na parede. Não havia sol transmitindo luz pelas janelas — somente pedra acima e o zumbido constante da cidade subterrânea de Tharvaldur.
Noel despertou lentamente, com o corpo pesado, mas descansado. Por um momento, permaneceu imóvel, ouvindo o refugo abafado do movimento de anões e estudantes lá fora. Então seus olhos se fixaram na cadeira ao lado da mesinha no canto.
Vazia.
Era ali que Noir sempre dormia, encolhidinha em sua pequena forma. A visão da cadeira vazia cortou mais fundo do que ele esperava. Ficou ali, encarando-a, até finalmente passar uma mão pelos cabelos com um suspiro silencioso.
Sacudindo o cansaço, Noel se levantou. Caminhou até o banheiro, deixando o peso do sono escapar sob um banho frio. A água caiu forte, lavando o suor e os ecos de sangue e batalha impregnados em seu corpo. Quando saiu e se enxugou, sua mente estava mais clara.
Vestiu-se, colocando a roupa da Academia Imperial peça por peça. A Presa do Retificador encontrou seu lugar na cintura, a lâmina amaldiçoada pesada, mas familiar.
Porém, hoje foi diferente. Enquanto ajustava a última alça, Noel parou por um instante. Sentia — a energia mágica correndo forte, espessa e pesada por suas veias. A mudança de Adepto para Ascendente não era sutil. Seus recursos tinham dobrado.
Ele fechou a mão num punho, arcos de poder vibrando sob a pele. "O Sol Sombrio agora estaria mais rápido... mais forte. Talvez o dobro de destruição." A ideia deveria ser reconfortante, mas, em vez disso, só lembrava o quanto ainda tinha por escalar.
A lembrança silenciosa do sistema ecoou na sua mente: "Próxima missão: 14 dias."
Justo quando Noel ajustava a última alça do uniforme, uma batida na porta soou. Ele olhou novamente para a cadeira antes de se mover para abrir.
Elyra estava lá, com seus longos cabelos pretos soltos sobre os ombros, ao contrário do coque habitual. Seus olhos cinzentos fixaram nele imediatamente, diretos como sempre, e um sorriso sutil surgiu nos lábios dela.
"Finalmente acordou," ela disse. "Tava na hora."
Noel encostou-se na moldura da porta, observando seu cabelo. "Seu coque sumiu."
O sorriso dela se alargou. "Percebeu. Gostou mais assim?"
"É... estranho não te ver com ele."
"Estranho pode ser algo bom," ela brincou, jogando uma mecha para trás do ombro. "Aliás, achei que uma mudança poderia te despertar mais rápido do que os anões batendo na sua porta."
Noel balançou a cabeça, embora um pequeno sorriso se formasse nos lábios. 'Mesmo assim, ela gosta de provocação.'
Elyra inclinou a cabeça, sua expressão suavizando por um instante. "Todo mundo está lá embaixo, esperando. O Daemar já está lá fora com o Rauk. Está pronto?"
"Tanto quanto posso estar," respondeu Noel, ajustando a Presa do Retificador na cintura. 'Pronto para a jornada... pronto para o que venha em quatorze dias.'
Ela o estudou por um momento, como se buscasse por fissuras em seu rosto, e então assentiu rapidamente. "Ótimo. Então vamos. Não me obrigue a te puxar na frente de todo mundo."
Noel saiu, fechando a porta atrás de si. "Não daria essa de bandeja."
Elyra lançou um olhar de lado, seu cabelo solto balançando enquanto caminhavam lado a lado pelo corredor.
'Realmente está diferente,' Noel pensou, olhando para ela. 'Mas também combina com ela.'
Fora do hotel, os quarenta estudantes da Academia Imperial de Valor já estavam reunidos, com suas bagagens cuidadosamente empilhadas ao lado. O ar vibrava com conversas baixas, até que Daemar levantou a mão pedindo silêncio. Rauk ficou ao lado, de braços cruzados, sua presença severa suficiente para calar até as vozes mais altas.
Elyra e Noel se misturaram à multidão, recebendo olhares de seus colegas. Alguns cochichavam, outros empinavam os ombros. Noel ignorou, permanecendo parado, com as mãos ao lado do corpo.
Os olhos violetas de Daemar passaram pelos estudantes. "Primeiro, quero parabenizar todos vocês. Vocês resistiram muito durante este torneio — muito mais do que imaginavam ao chegar. E, mesmo assim, persistiram."
Seu olhar ficou por um instante em Noel e Selene. "Um elogio especial aos nossos finalistas. Ambos lutaram com excelência e nos deram a maior honra."
Gritos de entusiasmo ecoaram pelo grupo. Estudantes aplaudiam, alguns até assobiavam. Selene deu um breve aceno de cabeça, com a expressão invariável. Noel permaneceu imóvel, apertando a mandíbula. 'Não quero comemorar... não depois do que aconteceu com Nicolas.'
Daemar levantou a mão novamente, abafando o barulho. "A Academia Imperial de Valor conquistou o primeiro lugar. Sintam-se orgulhosos. Trouxeram glória para casa."
Os estudantes comemoraram mais alto, com vozes ecoando pelas ruas de pedra.
O som diminuiu à medida que Daemar continuava, com tom firme. "Há mudanças no horizonte. Nicolas von Aldros ficará aqui em Tharvaldur se recuperando. Uma nova direção precisa ser escolhida."
A multidão ficou tensa, sussurros começaram a surgir. Daemar endireitou os ombros. "Conversei com Nicolas ontem à noite. Juntos, decidimos que eu assumirei o cargo de Diretor da Academia Imperial de Valor."
Os gritos dessa vez foram ensurdecedores, os estudantes elevando suas vozes em comemoração.
Noel respirou fundo silenciosamente. 'Que bom que é o Daemar…'
Os aplausos lentamente diminuíram, embora o ar ainda estivesse carregado de entusiasmo. Daemar deixou que aproveitassem por um momento, antes de levantar a voz novamente.
"Tem mais uma coisa," disse, com tom que se estendeu por toda a turma. "A viagem de volta não será apenas um retorno — será também uma celebração. Um banquete foi preparado a bordo do navio para todos vocês. E, ao chegar em Valor, terão três meses completos de férias antes do próximo semestre."
Os estudantes explodiram em gritos, risadas e aplausos. Alguns se abraçaram, já discutindo o que fariam com o tempo livre.
O olhar de Daemar se voltou para a multidão. "Por isso, vocês devem agradecer à Elyra von Estermont. Ela bancou todos os custos."
Todos os olhos se voltaram para Elyra, que permanecia com os braços cruzados, seus longos cabelos pretos ao vento. Um sorriso sutil se formou nos lábios dela enquanto vários estudantes batiam palmas e a chamavam pelo nome, demonstrando gratidão.
Noel se aproximou, falando baixo, onde o barulho ainda era intenso. "Você pagou por tudo isso?"
Elyra inclinou a cabeça, seus olhos cinzentos brilhando de diversão. "Digamos que tive boas negociações com Noriel."
Noel franziu a testa, meio divertido, meio exasperado. 'Claro que teve. Deixei por conta dela transformar um negócio em um presente para toda a academia.'
Ela deu de ombros, sem demonstrar preocupação. "Aliás, alguém tinha que aliviar o clima. Você não quer que todo mundo vá pra casa só com problemas, né?"
O canto dos lábios de Noel se curvou no menor sorriso. "Isso é verdade."