
Capítulo 304
O Extra é um Gênio!?
Os corredores do castelo dos anões estavam mais silenciosos agora, o eco dos passos abafado pelo peso da montanha acima. Noel e Elena caminhavam lado a lado, sem pressa. Pela primeira vez em dias, não havia multidão gritando, nenhum clangor de aço, nenhuma pressão pela sobrevivência. Somente o suave zumbido das lâmpadas de mana iluminando seu caminho.
A voz de Elena quebrou o silêncio, calma e pensativa. "O Festival da Caçada está chegando."
Noel olhou para ela, um leve sorriso surgindo nos lábios. "É verdade, mas antes disso temos nosso encontro."
Ela assentiu. "Isso também é verdade. Sobre o festival, quando minha avó era matriarca, era diferente. Ganhar não era só esperado—era uma obrigação. Eu treinava todos os anos com esse pensamento, porque se eu falhasse, seria uma vergonha para a nossa família."
Seus olhos cor de âmbar abaixaram um pouco, embora seu tom não carregasse ressentimento. "Mas isso acabou quando meu pai virou patriarca. Ele mudou tudo. Agora… ele só diz pra eu fazer o meu melhor. Nada mais."
Noel escutou quieto, as mãos nos bolsos, deixando que suas palavras se assentassem entre eles.
"Isso soa melhor," ele disse finalmente. "Menos sobre provar alguma coisa, mais sobre aproveitar."
Elena deu um sorriso suave. "Sim. Agora parece mais leve. Pela primeira vez, posso olhar para o Festival da Caçada como algo além de uma competição."
Continuaram caminhando, com passos lentos, a proximidade entre eles não dita mas certa. Noel se pegou observando-a pelo canto do olho—o jeito como a trança balançava levemente com seus movimentos, a calma força em seu rosto.
Eles virou uma esquina, o corredor de pedra se abrindo numa pequena sacada talhada na parede da montanha. As luzes da cidade de Tharvaldur brilhavam ao longe—pontes estendendo-se, lâmpadas de mana brilhando como estrelas.
Elena encostou-se na grade, sua trança caindo sobre o ombro. "Em breve, reencontrarei meus irmãos," ela disse suavemente. "Faz meses."
Noel se inclinou ao lado dela, os braços apoiados na borda de pedra. "E minha irmã. Livia e Veyron... acha que eles mudaram alguma coisa?"
Elena riu levemente, balançando a cabeça. "Veyron não. Ele nunca muda—sempre educado, sempre atencioso. Talvez ele até te pergunte como estão seus estudos antes de te cumprimentar."
"Isso parece com ele," Noel sorriu de canto. "E o que acha da minha irmã Livia?"
O sorriso de Elena suavizou, assumindo um tom brincalhão. "Ela foi… difícil, na última vez. Com palavras afiadas. Você acha que ela mudou?"
Noel deu uma risada breve. "Se minha irmã do nada se transformasse em santa, eu pensaria que o mundo tava acabando. Mas talvez…" Ele bateu levemente na grade com o dedo. "Talvez seu irmão tenha conseguido domá-la um pouquinho."
Elena riu, cobrindo a boca com a mão. "Agora isso seria um milagre."
Noel deu uma risada junto, os ombros relaxando. "De qualquer forma, será bom vê-los novamente. Mesmo que eu acabe discutindo com minha irmã em cinco minutos."
Elena inclinou a cabeça, os olhos cor de âmbar quentes. "Vou sentar entre vocês na janta."
"Isso não vai me salvar," Noel disse com uma expressão de fingida desolação.
Ambos riram.
Deixaram a sacada, os passos ecoando suavemente enquanto subiam uma escadaria estreita que serpenteava em direção a uma das torres. O ar aqui estava mais fresco, tocado por rajadas de vento que passavam por aberturas esculpidas na pedra.
Noel caminhou um passo à frente, com as mãos nos bolsos. Ele olhou para Elena com um sorriso torto. "Sabe… com toda essa conversa sobre família e casamentos, talvez o próximo seja o nosso."
Elena piscou, as bochechas instantaneamente corando, mas ao invés de recuar, murmurou, quase baixinho demais para ouvir, "Talvez… sim."
Noel parou de repente na escada, olhando para ela. "Espere—o quê?"
Seus ouvidos ficaram vermelhos, mas ela conseguiu um sorriso tímido. "Meu pai já me disse que quer muitos netos. Ele não tentou esconder isso, bem, você devia lembrar disso."
Pela primeira vez, foi Noel quem pareceu pego de surpresa. Ele esfregou a nuca, uma risada escapando sem querer. "Seu pai disse mesmo isso? Não me lembro de nada."
Elena assentiu, a trança tocando seu ombro. "Mhm. Ele levou a sério mesmo."
Noel inclinou a cabeça, a ponta da brincadeira desaparecendo, ficando mais sério. "Bem… quando tudo isso acabar, teremos bastante tempo pra isso."
As palavras escaparam antes que pudesse parar. Os olhos de Elena se arregalaram, o rubor intensificando, mas ela sorriu—suave, sincero, aquele tipo de sorriso que aquecia o ar pesado da montanha.
Silenciosamente, ela deu um passo mais perto e apoiou a cabeça no ombro dele enquanto continuavam subindo. "Você fala coisas assim com tanta naturalidade…" ela sussurrou.
Noel deu uma risada, mas não se afastou. Em vez disso, deixou que ela se apoiasse nele, o peso reconfortante ao invés de pesado.
O silêncio que seguiu não foi desconfortável. Era íntimo—dois corações batendo silenciosamente em sintonia na subida.
A escadaria se abriu num platô redondo próximo ao topo de uma das torres. A cidade se estendia abaixo deles—pontes de pedra e aço cruzando o vasto vazio da montanha, lâmpadas de mana e tochas brilhando como estrelas contra a escuridão. O murmúrio de vozes distantes subia das ruas, estudantes e moradores desfrutando a noite agora que o torneio tinha acabado.
Noel e Elena pisaram na borda, sentando lado a lado com as pernas penduradas no vazio. Por um tempo, apenas observaram em silêncio.
Então Noel notou uma figura familiar lá embaixo, se movimentando entre a multidão—cabelos vermelhos curtos refletindo a luz da lâmpada. "Hm," ele murmurou. "É a Anastasia. De Lucéria."
Elena ergueu a cabeça do ombro dele, piscando. "Anastasia? O que ela quer contigo?"
Noel hesitou, depois deu de ombros. "Ela me confessou. Antes do torneio."
Elena virou-se para ele num piscar tão rápido que seu cabelo virou para o lado. "O QUE!?"
Noel levantou as mãos em sinal de defesa. "Essa foi minha reação também!"
Seus olhos de âmbar se estreitaram, as bochechas inflando um pouco. "E o que você fez?"
"Rejeitei ela," Noel respondeu de forma direta. "Claramente. O que mais eu poderia fazer?"
Elena passou o ar pelos pulmões, relaxando os ombros, embora o rosto ainda estivesse vermelho. "Bom. Por um momento, pensei—"
"Você pensou errado," Noel interrompeu com um pequeno sorriso malicioso. "Já tenho problemas demais com você, Elyra, e Charlotte. Não estou querendo me matar."
Isso finalmente fez Elena rir, o clima tenso se desfez. Ela apoiou a cabeça ainda mais no ombro dele, sorrindo de novo.
Juntos, olharam a cidade de Tharvaldur. Luzes de mana piscando nas pontes como constelações no céu de pedra. De lá de cima, o mundo parecia distante, calmo, quase pacífico.
Por aquele momento, eram apenas eles—com os pés pendurados, ombros tocando, assistindo a cidade brilhar no coração escuro da montanha.