O Extra é um Gênio!?

Capítulo 303

O Extra é um Gênio!?

Os corredores de pedra do castelo anão se estendiam silenciosos e longos, suas frágeis lâmpadas de mana azul lançando uma luz suave nas paredes. Noel caminhava ao lado de Elena, o silêncio entre eles pesado, mas não desconfortável. Cada passo ecoava, uma lembrança do peso que ainda pressionava seus ombros.

As mãos de Elena mexiam nervosamente na bainha de seu vestido enquanto caminhava. Seus olhos âmbar ficavam pulando de Noel para longe, inquietos. O silêncio era demais para ela. Por fim, ela parou no meio do corredor.

Noel diminuiu o ritmo, virou-se para ela e perguntou: "Elena?"

Ela abriu os lábios como para falar, mas nenhuma palavra saiu. Em vez disso, deu um passo mais perto, seu rosto corado de rosa. Antes que pudesse pensar demais, se levantou na ponta dos pés e pressionou suavemente seus lábios contra os dele.

O beijo durou apenas um segundo, desajeitado e nervoso, mas ao se afastar, as bochechas dela estavam ardendo de vergonha.

"Por… por sua energia," ela gaguejou, virando o rosto de lado, mãos agarradas ao vestido como se pudesse se esconder dentro dele.

Noel piscou, surpreso. Então, lentamente, um sorriso discreto se formou nos seus lábios. A tristeza em seu peito se suavizou um pouco. "Obrigadado."

Elena paralisou, seu rubor se intensificando. Ela cobriu o rosto com as mãos, murmurando: "Nem acredito que fiz isso…"

Noel balançou a cabeça levemente, a pequena lembrança do gesto dela se enraizando fundo dentro dele. Depois de tudo que tinha acontecido, de sangue e caos, aquele breve momento de ternura parecia um fio puxando-o de volta do limite.

'Parece que ela ainda não está acostumada, mesmo já fazendo isso há algum tempo.'

Ele soltou uma respiração silenciosa e disse suavemente: "Vamos lá, continuar."

Elena assentiu rapidamente, ainda com o rosto escondido, e voltou a caminhar ao lado dele.

"Você foi ousado," ele brincou, olhando para ela. "Muito ousado, Elena."

Seus olhos âmbar piscaram para ele, o rosto ainda rosado. Mas desta vez, em vez de recuar, ela ergueu levemente o queixo. "Isso?" ela falou suavemente. "Não foi nada."

Noel parou por um instante, piscando para ela. Pela primeira vez, ela não estava se enrolando — suas palavras tinham uma confiança silenciosa que o pegou de surpresa.

Ele estudou a expressão dela, tentando interpretá-la. Elena já sabia que ele esteve com Elyra — Elyra nunca foi do tipo que escondia muito. Talvez por isso as palavras de Elena carregavam mais peso do que o normal.

Noel inclinou a cabeça, a curiosidade acendendo em seus olhos esmeralda. "…Nada, hein?"

O sorriso de Elena surgiu na carinha dela, embora suas orelhas traíssem sua timidez, tingidas de vermelho contra seu cabelo pálido. "Você vai ter que esperar até o nosso encontro antes do Festival da Caçada," ela disse, com a voz baixa, mas firme.

O sorriso de Noel se abriu em algo mais próximo de um sorriso sincero. Ele não esperava que ela retribuísse a provocação. "Sério?" ele falou com um tom brincalhão. "Então acho que vou ter que suportar até lá."

O olhar de Elena escorregou, mas seu sorriso permaneceu, tímido, porém firme.

"Estou morrendo de ansiedade para que esse dia chegue," Noel confessou, a voz mais baixa agora.

Seus passos desaceleraram um pouco, as palavras penetrando no peito dela, e, pela primeira vez, não era vergonha que aparecia em seu rosto — era felicidade.

A porta do escritório rangeu ao se abrir, e Noel entrou com Elena logo atrás. No centro, sentava-se o Professor Daemar — alto e magro, seus olhos violeta afiados apesar das linhas de idade e das marcas de cabelo grisalho.

Ele olhou para cima, de uma tora de pergaminho, ao entrarem. "Noel. Elena. Eu esperava por vocês mais cedo."

Noel inclinou a cabeça. "Precisava falar com o senhor. Precisamos saber o que vai acontecer com a Academia."

Daemar deixou o pergaminho de lado, cruzando os braços. "Se Nicolas quiser, eu assumo o cargo de Diretor. Mas, antes disso, preciso falar com ele pessoalmente. Não levo esse papel de qualquer jeito."

Elena deu uma leve inclinação de cabeça, com os olhos âmbar pensativos.

Daemar respirou fundo, recostando-se um pouco. "Por enquanto, concentrem-se no que vem pela frente. Amanhã de manhã, vocês e os outros estudantes partirão. A nave já está pronta. Trajeto de dez dias de volta para Valor."

O sobrolho de Noel se levantou. "Tão cedo?"

"Sim," respondeu Daemar com firmeza. "O semestre acabou. Vocês terão três meses de descanso antes do próximo começar. Aproveitem bem." Seus olhos se aguçaram. "E lembrem-se — após a decisão do Conselho de envolver as academias, haverá mais trabalho, não menos. A responsabilidade só aumentou."

Os lábios de Noel se curvaram levemente. "Essas tarefas? Deixarei com a Princesa Serafina. Ela parece gostar dessas coisas, além de ser presidente do Conselho."

Daemar deu uma risadinha curta, balançando a cabeça. "Você não muda mesmo. Sempre passando as tarefas adiante."

Os olhos violeta de Daemar ficaram por um momento fixos em Noel, seu olhar sério amaciando-se. "Também queria te dizer uma coisa… Eu te vi durante o torneio. A forma como usou Passo Sombrio. Foi impressionante. Poucos conseguem se adaptar a um elemento novo tão rapidamente."

Noel deu uma pequena inclinação, com o rosto neutro, mas seu peito se encheu de orgulho silencioso.

"E," continuou Daemar, inclinando-se um pouco mais para frente, "sinto que você evoluiu. Ascendente, aos dezessete. Isso não é pouca coisa. Você realmente é… extraordinário, Noel. Tenho orgulho de tê-lo como meu aluno."

Os olhos âmbar de Elena piscaram para Noel, um leve sorriso começando a surgir nos lábios dela.

Noel coçou a nuca, desconfortável com o elogio. "Obrigado, professor."

Daemar sorriu de leve. "Ainda assim, até gênios precisam prestar mais atenção nas provas."

Noel piscou, surpreso, e soltou uma risadinha silenciosa. "Você ainda lembra disso?"

"Como poderia esquecer?" respondeu Daemar. "Te entreguei uma folha inteira com as respostas, e você deixou uma página em branco. Quase nem passou de riscar o suficiente pra passar."

Elena tentou esconder uma risada cobrindo a boca, balançando os ombros. Noel suspirou, a mão ainda na nuca, as orelhas ficando levemente vermelhas.

"Pois é," murmurou Noel, forçando um sorriso torto. "Errar faz parte do aprendizado, né?"

O riso de Daemar ecoou baixinho, mas seus olhos brilhavam de orgulho. "Talvez. Mas não me faça me arrepender de dizer que tenho orgulho de você."

Noel assentiu, com um sorriso mais sincero desta vez.

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