
Capítulo 302
O Extra é um Gênio!?
A sala de recepção estava silenciosa, apesar de estar cheia de pessoas. As longas mesas, que normalmente eram palco de conversas e barulho, permaneciam vazias, iluminadas apenas pelo brilho tênue de luminárias de mana embutidas nas paredes. O ar estava pesado, carregado de silêncio.
Noel entrou na sala, com as botas ecoando contra a pedra. Cada olhar se dirigiu a ele por um instante, depois voltou à quietude. Ele passou pelas mesas, observando seus companheiros.
Marcus estava encostado na cadeira, com os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos bem cerradas até ficarem brancas nos nós dos dedos. Seus olhos castanhos estavam fixos no chão, distantes e vazios.
"Isso é minha culpa", murmurou Marcus, a voz tremendo. "Se eu fosse mais forte, se tivesse feito mais, talvez nada disso —"
"Pare." A voz de Clara cortou o ar, firme e estável. Ela sentou-se ao lado dele, a mão descansando levemente no braço dele. Sua tonalidade era suave, mas resoluta. "Não é sua culpa, Marcus. Não isso. Nenhum de nós poderia ter impedido."
Marcus balançou a cabeça, mas a força lhe saiu. A culpa ainda pesava sobre ele, mas não discutiu mais.
Noel parou perto do grupo, ficou em silêncio por um momento, seus olhos verdes percorrendo os rostos deles. Elyra estava com os braços cruzados, seu sorriso brincalhão usual ausente. Elena sentava-se quieta, os olhos âmbar abaixados, mexendo no punho da túnica. Charlotte, sem véu, parecia pálida e exausta, com os olhos dourados passando rapidamente por Noel antes de baixá-los novamente.
Selene encostou-se na parede, com os braços cruzados, o olhar frio fixo no chão. Garron e Laziel estavam surpreendentemente quietos, e Roberto recostou-se na cadeira, com os lábios comprimidos em uma linha fina, sem humor algum.
A sala parecia sufocante. A diretora deles estava destruída.
A silêncio se prolongou, pressionando a sala como um peso do qual nenhum deles conseguia escapar. Foi Elena quem finalmente falou, com uma voz tímida, mas sincera. "O que… o que vai acontecer com a Academia agora? Sem o Diretor Nicolas… ela ainda consegue continuar?"
Suas palavras despertaram todos os olhares. Garron se mexeu desconfortável, cruzando os braços. Laziel tinha uma expressão sombria.
Clara soltou um suspiro leve, com um tom baixo. "Já ouvi rumores. Alguns dizem que a Academia pode ser fechada. Sem ele, dizem que ela não tem mais âncora."
Noel, que havia permanecido de pé perto deles, finalmente falou. Sua voz estava firme, forte o suficiente para acalmar o ar ao redor. "A Academia não vai fechar."
O grupo o olhou, esperando.
"Nicolas não permitiria", continuou Noel. "Mesmo que não possa liderar mais, ele vai indicar alguém para substituí-lo. Provavelmente, o Daemar. Nicolas confia nele, e todos também."
Elyra arqueou uma sobrancelha, seus olhos cinzentos vasculhando Noel. "Você parece certo. Mas por que tanta certeza?"
"Porque é isso que o Nicolas gostaria", respondeu Noel sem hesitar. "Ele não deixaria tudo desmoronar só porque não está mais aqui."
Elena abaixou os olhos novamente, com a voz mais quieta. "Mesmo assim… não será a mesma coisa."
O maxilar de Noel se tensionou. "Talvez não. Mas o importante é que ela continue. Nicolas carregou a Academia o tempo todo. Agora é nossa vez de mantê-la de pé."
O grupo voltou a ficar em silêncio, o peso das palavras de Noel se assentando como uma pedra. Por um momento, ninguém se atreveu a falar.
O olhar de Noel percorreu a mesa até encontrar Charlotte. Seus cabelos longos e rosas caíam soltos sobre os ombros, seus olhos dourados estavam opacos de cansaço. Ela tentou se sentar direita, mas os ombros afundaram como se o esforço de se manter firme estivesse lhe custando caro.
"Charlotte," disse Noel, com um tom mais suave agora. "Como você está? Você usou muita força ontem à noite."
Charlotte piscou, virou a cabeça quase surpresa, como se a preocupação a pegasse de surpresa. "Eu? Estou bem", ela falou com uma risada leve, puxando um fio de cabelo atrás da orelha. "Sério, nem foi tão ruim assim. A última vez que tive que curar centenas de anões na fábrica — aquilo foi pior. Comparado àquilo, isso aqui foi fichinha."
Noel franziu a testa. Já tinha ouvido ela dizer algo assim com tanta facilidade antes, mas desta vez as palavras pareciam uma máscara. Ainda assim, a sensação de alívio dentro dele era genuína. Ele respirou fundo, sem perceber que estava segurando o ar. "Ótimo. Porque você usou muitas bênçãos em pouco tempo. Precisa descansar."
Charlotte sorriu de brincadeira, mesmo cansada. "Você se preocupa comigo, Noel?"
Elyra, que estava próxima, com os braços cruzados, rolou os olhos. "Não abuse dele, quando mal consegue ficar de pé."
Charlotte puxou a língua para ela antes de se reclinar na cadeira.
Elena abaixou o olhar, mexendo-se um pouco, enquanto a expressão de Selene permanecia inalterada, embora seus olhos rapidamente se voltassem para Noel por um instante.
O clima se acalmou um pouco, menos sufocante agora, embora o cansaço estivesse marcado nos rostos de todos.
O grupo começou a se mexer, o peso ainda apertando, mas suavizado pela tentativa de Charlotte de fazer uma piada. Roberto finalmente recostou-se na cadeira com um gemido, massageando o rosto. "Deveríamos descansar. Nenhum de nós está pensando direito agora."
Charlotte concordou com um aceno fraco, com as pálpebras pesadas. "É… acho que preciso de um tempo pra dormir."
"Vou levá-la", disse Elyra imediatamente, indo ao lado de Charlotte. Seus olhos cinzentos estreitaram-se brevemente para Noel antes de acrescentar: "Ela vai precisar de alguém vigiando ela de qualquer jeito."
Charlotte deu uma risadinha sonolenta. "Vê? Elyra é confiável."
Noel assentiu levemente. "Bom. Leve ela pro hotel e certifique-se que ela descanse mesmo."
Elyra sorriu de canto, puxando Charlotte pelo pulso. "Não se preocupe, vou garantir que ela não faça nada arriscado. Mesmo porque, nesse estado, ela não consegue."
Enquanto as duas saíam, Elena se levantou. Hesitou por um momento antes de se aproximar de Noel. "Vou com você", disse suavemente, com os olhos âmbar firmes.
Noel olhou para ela, deu um breve aceno e falou: "Preciso procurar pelo Daemar. Nicolas gostaria que conversássemos com ele sobre o que vem pela frente."
Marcus permaneceu sentado, Clara ao seu lado, a expressão ainda carregada de culpa. Garron e Laziel trocaram olhares, mas também não se mexeram. Roberto se espreguiçou e suspirou. "Acho que é melhor eu cuidar do herói", bufou, recebendo um olhar de reprovação de Marcus.
Noel não ficou mais tempo. Virou-se em direção à porta, Elena seguindo-lhe o passo.
Enquanto saíam da sala de recepção, seus pensamentos queimavam silenciosamente.
'Vamos ver o que o futuro reserva para a academia.'