
Capítulo 301
O Extra é um Gênio!?
"Você deveria descansar", disse Noel suavemente. Sua voz não carregava mandamento, apenas uma insistência silenciosa. "Você precisa disso."
Nicolas deu a menor das concordâncias, fechando os olhos com um suspiro cansado. As linhas no rosto dele se aprofundaram à medida que a tensão deixava seu corpo, o sono já puxando por ele. Pela primeira vez, o orgulhoso Arque Mage parecia quase frágil—apenas mais um homem desgastado pelo tempo.
Noel permaneceu por mais um momento, o olhar pesado, antes de se virar em direção à porta. As dobradiças rangiam ao ser aberta, e ele entrou no corredor além.
Alguém o aguardava.
Redna permanecia lá, tão compenetrada como sempre, seus olhos afiados mas difíceis de decifrar. Vestia seu uniforme da Academia Luceria Grand, impecável apesar do caos da noite anterior. Sua presença transmitia calma, mas algo em seu olhar carregava um peso incomum.
Noel piscou, um pouco surpreso. Não sabia exatamente por que ela estava ali, mas presumiu o motivo óbvio. Endireitando-se, fez um gesto em direção à porta.
"Ele acordou", disse Noel simplesmente. "Pode entrar."
Redna inclinou levemente a cabeça. "Obrigado."
Sem dizer mais nada, ela passou por ele, entrando na câmara com graça medida. Noel a observou por um breve momento, a mente curiosa, porém relutante em se intrometer. 'Ela deve querer vê-lo. Isso fica claro.'
Com um suspiro silencioso, Noel virou-se e começou a andar pelo corredor, as paredes de pedra pesadas fechando-se ao seu redor enquanto os deixava para trás.
Os corredores do bastião anão se estendiam longos e escuros. Os passos de Noel ecoavam, o som rapidamente engolido pelo peso da montanha ao redor. De tempos em tempos, um guardião passava por ele, fazendo uma pequena reverência antes de continuar sua patrulha.
Os olhos de Noel permaneciam fixos à frente, seus pensamentos girando como engrenagens inquietas.
'Hmm, não gostei nada de como isso acabou... Não esperava que alguém tão forte agisse assim. Normalmente, os romances vão de ruim para pior, né? Por que colocar um chefe final agora...'
Ele cerrava os punhos enquanto caminhava. A imagem do velho deitado, frágil na cama, não saía de sua cabeça. Poucas horas atrás, Nicolas fora um pilar de Valor, alguém inabalável. Agora, ele era apenas um homem despojado de tudo.
As mensagens frias do sistema na noite anterior ecoavam na sua mente junto das palavras do Primeiro Pilar.
'Querem que eu fique mais forte. Mais rápido. Para me usar. Isso está claro.'
Seu maxilar se apertou. 'Mas eu vou continuar crescendo, de qualquer jeito. Por meus próprios motivos. Pelas pessoas que precisam de mim.'
Dois servos anões passaram apressados, carregando pergaminhos e mantimentos, acenando respeitosamente. Noel mal os notou. Seu caminho estava definido na mente, embora pesasse no peito.
No próximo canto, um guarda se adiantou, vestido com uma armadura polida, marcada com o sigilo de Tharvaldur.
"O rei está aguardando na sala do trono", disse o guarda.
Noel assentiu. "Ótimo. Me leve lá."
O guarda se virou, conduzindo-o por outro corredor. O som de passos sobre pedra ecoava novamente, firme e deliberado.
À medida que as portas da sala do trono se aproximavam, a expressão de Noel se endureceu. Ele sabia qual notícia precisava entregar—e sabia que não seria fácil para Balthor ouvir.
As pesadas portas se abriram, revelando a sala do trono. O ambiente era vasto, talhado no coração da montanha, com pilares de pedra negra erguidos alto na penumbra. Tochas lamuriam nas paredes, suas chamas estáveis porém fracas contra o peso do espaço.
Balthor estava sentado no trono, ombros largos rígidos na moldura dourada. Parecia fora de lugar ali—como um ferreiro forçado a usar roupas nobres. Uma caneca meio cheia repousava ao seu lado, embora sem ser tocada. Noriel permanecia ao seu lado, postura ereta, mãos cruzadas de forma ordenada atrás das costas.
Os olhos de Balthor se estreitaram ao ver Noel entrar. "Rapaz. Finalmente decidiu sair daquele quarto?"
Noel não caiu na provocação. Parou no centro da sala, sua voz firme. "Nicolas acordou."
Ambos os anões ouviram em silêncio enquanto Noel prosseguia. "Ele está vivo, mas seu núcleo de mana se foi. Ele parece… envelhecido. Como um velho."
Balthor bateu o punho no apoio do trono, sua voz foi um rosnado áspero. "Malditas sejam todas…"
Noel deixou que as palavras pairassem antes de falar novamente. "Não há o que possamos fazer. Já foi feito. Agora, o que importa é como o rei Alveron vai reagir. Nicolas era um símbolo da força de Valor. Isso mudou."
O salão ficou em silêncio.
A mandíbula de Balthor se apertou, mas Noel insistiu, seu tom mais agudo. "Agora você tem seus próprios encargos. Um reino para governar. Depois do que seu irmão deixou, seu povo precisa que você esteja focado aqui."
Noriel assentiu levemente, sua voz calma rompendo o silêncio. "O garoto tem razão. Pode parecer duro, mas é a verdade. Nicolas precisa se recuperar em paz. Sua Majestade, o senhor, deve governar."
A tensão na sala do trono aliviou-se ligeiramente. Balthor expirou pelo nariz, recostando-se no trono com um suspiro. Seus olhos voltaram-se para Noel de novo, e desta vez o olhar não tinha tanta dureza.
"Onde estão os outros?", perguntou Noel por fim.
Balthor coçou a barba. "Na sala de recepção. Um guarda vai te levar até lá quando estiver pronto." Ele fez uma pausa, depois acrescentou com um sorriso irônico: "E… rapaz, lembra do que te falei sobre meu lugar em Valon? Vou mandar avisar para a garota que trabalha comigo. Diz pra ela que pode pegar o que quiser. Traga seus amigos também. Pode ser bom para vocês."
Noel piscou, surpreso. "…Isso é generoso."
Balthor riu, embora o som soasse cansado. "Hah. Não vá se acostumando. Pense nisso como… uma recompensa por ter me feito rei contra minha vontade."
Noriel balançou a cabeça levemente, permitindo-se um sorriso raro. "Ele pode reclamar, mas fala sério. Aproveite a oferta, Noel. Você vai precisar de todas as vantagens daqui pra frente."
Noel assentiu rapidamente. "Obrigadão a vocês dois."
Balthor acenou com um grunhido. "Vai lá, rapaz. Não fica aqui parado."
Um guarda se adiantou, pronto para acompanhá-lo. Noel seguiu, com os passos ecoando suavemente contra o piso de pedra.