O Extra é um Gênio!?

Capítulo 320

O Extra é um Gênio!?

Pela primeira vez em dias, o quarto permaneceu silencioso. Nenhum zumbido de mana nas paredes, nenhum trovão passando pelos cascos — apenas silêncio.

Uma tênue sensação de calor passou pela face de Noel. Ele mexeu-se lentamente, seus olhos se abrindo contra o fio de luz que atravessava as cortinas. Luz do sol. Luz do sol de verdade.

Ele se ergueu devagar, apoiando-se em um cotovelo. A tempestade havia passado, e a nave finalmente deixara o túnel sem fim. Lá fora, além do vidro, o mundo se estendia vasto: céu claro pintado de dourado suave e azul, montanhas ao longe, água reluzindo à luz da manhã.

Noel soltou um suspiro, um som que parecia estar entre alívio e incredulidade. "Finalmente. Estamos fora."

A cama se moveu ao seu lado. Charlotte ainda estava encolhida entre os lençóis, seu cabelo rosa desalinhado caindo de forma bagunçada sobre o rosto. Na luz tênue, fios se erguiam em todas as direções, uma rara imperfeição em alguém que sempre parecia intocável para os outros.

A respiração dela era lenta, constante — completamente tranquila agora que a tempestade havia acabado. A tensão que tinha ficado em seu corpo na noite anterior desaparecera.

Noel recostou-se, observando-a por um momento. Ela tinha vindo aqui tremendo, incapaz de esconder seu medo, e adormecido contra ele como se fosse o único lugar seguro do mundo. Agora, com o cabelo bagunçado e a bochecha pressionada no travesseiro, ela parecia menos como a santa reverenciada por todos e mais como uma garota que finalmente se permitira descansar.

Ele olhou novamente pela janela, a luz do sol refletindo na moldura polida do Lamento dos Espectros, onde descansava encostado na parede. "Uma tempestade subterrânea, um mundo que nunca deixa de dar um jeito de manipular as regras… e ainda assim, manhãs como esta existem."

A nave rangia suavemente enquanto avançava, calma e firme. Lá fora, ouvíamos vozes — tripulantes chamando uns aos outros, estudantes inclinados sobre as grades para ver o mundo aberto novamente.

Charlotte se mexeu com um suspiro silencioso, suas pálpebras tremendo enquanto despertava. Noel olhou para baixo, exatamente na hora em que seus olhos dourados se abriram, confusos e pesados de sono.

"…Bom dia," ela sussurrou, sua voz ainda carregada de sonolência.

Charlotte esfregou os olhos com o dorso da mão, seu cabelo ainda mais descontrolado agora que se movimentara. Um bocejo suave escapou dela antes que ela levantasse os olhos para Noel.

"Você já acordou…" ela murmurou, com a voz rouca de sono.

"Alguém tem que garantir que o mundo não desabou enquanto você roncava," respondeu Noel, seco.

Suas bochechas inflaram sutilmente enquanto ela se sentava, apertando o cobertor ao redor dos ombros. "Eu não roncou."

"Você chacoalhou as cobertas duas vezes," retrucou Noel.

Charlotte lançou um olhar meio desconfiado para ele, mas logo seu rosto se suavizou em um sorriso. Ela olhou na direção da janela, os olhos se arregalando ao receberem a luz do sol no rosto. "Ah… já saímos."

"É," disse Noel suavemente, recostando-se na cabeceira. "Parece que a tempestade acabou de vez."

Ela colocou a mão no vidro, olhando para o horizonte limpo. "Parece um sonho. Depois de tanto tempo enterrada naquele túnel…"

A cabine voltou a ficar silenciosa, o calor do sol entrando pela janela. Charlotte virou-se para ele, os olhos dourados mais suaves agora. "Obrigada. Pela noite de ontem."

Noel inclinou a cabeça. "Não precisa me agradecer. Você precisava de descanso."

"Eu precisei de você," ela corrigiu delicadamente, os dedos puxando um fio de cabelo desarrumado atrás da orelha. "Não gosto de mostrar esse lado de mim. Mas com você, não parece tão vergonhoso."

A honestidade dela o pegou de surpresa. Ele manteve o olhar nela por um momento, depois desviou o rosto, soltando lentamente o ar. "Você realmente diz coisas que tornam difícil responder."

Charlotte deu uma risadinha suave, puxando o cobertor mais firme ao redor dos ombros. "Então não responda. Só continue sendo quem você é."

Ela se inclinou, colocando a testa contra o ombro dele por mais um instante antes de se levantar. "Vamos ver os outros. Se o sol já está no alto, eles já devem estar no convés."

Noel assentiu, pegando seu casaco na cadeira. Enquanto ela ajeitava o cabelo com os dedos, ele se permitiu um último olhar para a janela, a luz entrando generosamente.

'É, manhãs assim valem a pena.'

O convés estava mais movimentado do que Noel tinha visto em dias. Estudantes se inclinavam sobre as grades, alguns rindo aliviados, outros protegendo os olhos contra a luz do sol após tanto tempo na escuridão. O ar estava fresco, revitalizante — nada parecido com a pesada magia que pressionava seus pulmões no túnel.

Noel saiu ao lado de Charlotte, a brisa levemente puxando seu casaco. Elyra e Elena já esperavam perto de uma das mesas, com Marcus e Clara logo atrás.

Elyra ergueu seu copo de água em saudação, seus olhos cinzentos brilhando na luz da manhã. "Demoraram um pouco."

Charlotte corou levemente, mas apenas sorriu ao se sentar. Noel ignorou o comentário, puxando uma cadeira ao lado de Elena.

"Então," começou Noel, olhando ao redor, "o que acontece quando chegarmos a Valon?"

Elyra endireitou-se, seu tom sério. "Vou me encontrar com minha mãe. Meus pais precisam do relatório completo sobre Tharvaldur, incluindo o acordo do Noriel com os recursos."

Noel assentiu uma vez. Esperava por isso.

Charlotte mexeu na ponta da manga antes de falar. "Preciso visitar o Papa Orthran. Meu pai vai querer ouvir direto de mim o que aconteceu. E…" ela fez uma pausa rápida, falando mais baixinho, "Quero vê-lo também."

Elena colocou as mãos na mesa, com expressão firme. "Vou com você, Noel. A Caçada do Festival é na próxima."

Nesse momento, Marcus se inclinou para frente, sorrindo largo. "Clara e eu vamos direto para Nivária. Não tem sentido perder tempo em Valor se a festa é na nossa terra."

Clara revirou os olhos com o entusiasmo dele, mas não negou.

A Caçada do Festival. Este ano, não era apenas um evento — era o próximo campo de batalha esperando por todos eles.

Depois do café da manhã, o convés começou a esvaziar lentamente, com os estudantes se dispersando em grupos menores. Alguns se aproximavam das grades para admirar o mar aberto, outros retornavam às cabines para descansar ao sol de verdade, pela primeira vez em semanas.

Noel permaneceu ali, encostado na grade enquanto o vento passava leve por seu rosto. A linha do horizonte se estendia ampla e brilhante, as montanhas ao fundo diminuíam à medida que a nave avançava.

Ele soltou um suspiro lento. 'Elyra indo contar para a família. Charlotte indo ao Orthran. Elena comigo na Caçada. Selene lidando com a mãe… todo mundo já sabe para onde vai.'

Sua mão apertou um pouco mais a grade. 'E eu? Valor deve estar me esperando, sem dúvida. Uma recepção calorosa da família Thorne, provavelmente uma coleira dourada para me lembrar quem eu devo ser.'

O pensamento ficou azedo, mas antes que pudesse se prender a isso, uma luz familiar piscou no canto da sua visão.

'Status.'

Ele sussurrou em voz baixa, e a tela translúcida se abriu diante dele.

[Nova Missão começando em 4 dias!!]

Noel olhou para as letras brilhantes, o rosto se contorcendo em um sorriso seco. "Ótimo. Mais uma contagem regressiva."

Ele fechou o menu com um toque, apoiando-se na grade, com os olhos nas ondas. "Desta vez, vou direto ao confronto. Não adianta arrastar mais ninguém para o fogo se posso enfrentar de frente."

Um gaio soltou um grito distante, o som agudo contra o ritmo constante da água.

"A parte difícil não será lutar… será achar eles. Os Terceiro e Quarto Pilares. Se a missão é sobre eles, é por aí que essa estrada vai levar."

Seu maxilar se fechou, embora o leve sorriso nunca desaparecesse. "Pois é… não tenho escolha, tenho? É algo que tem que ser feito."

O sol subia mais alto, brilhante e implacável. Noel se afastou da grade, voltando para o interior da nave.

Quatro dias. É todo o tempo de paz que vou conseguir.

Comentários