
Capítulo 327
O Extra é um Gênio!?
Algum tempo passou.
As ondas rolavam em ritmos lentos e constantes, quebrando branquinho contra a areia antes de recuar de volta ao mar. Noel estava sozinho na praia, com os braços apoiados nos joelhos, olhando para o horizonte.
A paz não durou.
Um leve instante de brilho cortou sua visão.
[Nova Missão: Começa em 5 segundos.]
[Nova Missão: Impedir a Queda da Casa Thorne. Prazo: 60 dias. Recompensa: A Verdade.]
O maxilar de Noel se fechou com força. Ele se inclinou para trás, apoiando as mãos, com os olhos fixos nas palavras que pairavam à sua frente. As letras ardiam mais como uma ofensa do que uma ordem.
'Sessenta dias. Isso… é mais do que o habitual.' Seus pensamentos estavam embolados, azedos. 'E é a segunda vez que o sistema me informa a recompensa antes mesmo de eu começar. A verdade…'
Seu olhar voltou para o mar, cujas águas brilhavam laranja no último raio de sol. Ele passou uma mão pelo rosto, murmurando baixinho. "Evitar a queda da Casa Thorne… Por quê? Por que diabos eu deveria me importar com aquela família?"
A frustração começou a subir rápido. 'Eu já decidi que não quero mais ter nada a ver com eles. Isso não ia mudar. Então por que agora?'
As ondas continuaram quebrando, constantes, indiferentes.
'A Caçada dura só dez dias. Essa missão tem um timer de sessenta. Isso significa que não é só pelo Festival. Em algum momento, vou precisar voltar. Voltar para aquela casa.'
Os lábios de Noel se contorceram de forma amarga. 'Sistema de merda. Sempre dificultando minha vida, sempre me forçando a essa coisa toda. No romance, a Casa Thorne realmente caiu. Mas a razão nunca foi explicada. E agora? Com tudo que eu mudei, o efeito borboleta já está em ação. Mesmo se eu soubesse, não seria a mesma coisa.'
Deixou-se cair de costas na areia, cujos grãos aquecidos o envolviam mesmo enquanto o céu escurecia. As ondas quebravam com força, num ritmo que poderia ser relaxante se sua cabeça não estivesse girando.
Ele olhou para o céu, tingido de laranja e roxo, e soltou uma risada seca. "Sempre a mesma coisa… hein, sistema? Me jogando em problemas que eu nunca pedi."
As palavras ainda ardiam na sua visão. 'Impede a queda da Casa Thorne.'
Ele pressionou o calcanhar da mão na testa, apertando os olhos. 'Não adianta reclamar. Então, quais são as possibilidades?'
Imagens da sua família passaram pela sua mente. Kael, polido e estranhamente mais acolhedor do que antes. Damon, direto, mas honesto, menos bruto do que Noel lembrava. 'Não. Não são eles. Eles mudaram. Para melhor, talvez. Não são do tipo que vai arrastar a casa para a ruína mais, agora.'
O rosto de Livia veio na sua cabeça. Antes dura e cruel, agora amolecida, mudada pelo casamento com Veyron. Ela pouco frequentava a mansão Thorne. 'Nem ela. Está longe disso, ocupada fazendo o papel de esposa dedicada de uma Lestária. A casa não é mais a preocupação dela.'
Seus olhos de ferro-acinzentado do pai surgiram em sua memória. Albrecht—rígido, inflexível, a personificação da ambição da Casa Thorne. 'Não… ele não é do tipo que vai cair. Não facilmente. Tudo que ele pensa é na casa, na força dela, no legado. Para ele, não há opção se não for vencer.'
Mas havia outros. As esposas. Mirelle, fria e calculista, sempre tramando nas sombras, com olhos semicerrados. Serina, mais perspicaz do que parecia, com a língua venenosa quando queria. 'Seriam elas? Controlando os fios nas sombras?'
Seu maxilar se apertou. Uma outra possibilidade se formava, mais pesada, mais escura. 'Os Pilares. Três e Quatro. Ainda não sei quem são. Se estão ligados a isso… então a queda da casa não é só possível—é inevitável, a não ser que eu aja.'
O pensamento pesou como uma pedra no peito.
Ele expirou forte, deixando que o som do mar abafasse sua amargura. 'Então é isso. Reclamar não vai resolver. O que posso fazer é esperar. Esperar até depois do Festival… e estar preparado para lidar com o que vier.'
O som constante das ondas preenchia o silêncio, mas Noel mal percebia. Sua mente estava alta demais. Ele passou a mão no rosto mais uma vez, pronto para se levantar—quando passos suaves quebraram o ritmo das ondas.
Ele virou a cabeça.
Elena vinha em direção a ele, o pôr do sol se despedindo e banhando-a de dourado. Ela vestia um vestido branco, simples mas gracioso, o tecido balançando suavemente com a brisa do mar. Seus cabelos platinados reluziam, e o pingente âmbar no pescoço—seu presente do Martelo Embriagado—refletia a luz como fogo preso na pedra.
Noel se endireitou, sentado direito. Por um instante, a visão quase o fez esquecer o gosto amargo da missão.
Elena parou alguns passos à frente, mexendo nervosamente na borda do vestido. Suas orelhas pontudas, geralmente seguras e orgulhosas, ficaram vermelhas contra sua pele pálida. Ela abaixou o olhar, quase tímida.
"Como… estou?"" ela perguntou, com a voz mais baixa que o usual.
Noel piscou uma vez, então sorriu levemente. "Incrível. Você é linda."
Seus olhos dourados se levantaram para ele, abrindo um pouco mais, antes de seus lábios se curvarem numa pequena e envergonhada expressão. "Você não pensa duas vezes antes de dizer essas coisas."
"Por que pensaria?" respondeu Noel, de forma simples, embora seu peito estivesse estranho, mais leve.
Elena se aproximou, puxando o cabelo para trás enquanto o vento brincava com ele. O pingente reluziu novamente, seus dedos o tocaram brevemente, como se precisassem se lembrar de que era real.
"Queria usar isso," ela murmurou. "Hoje à noite, parece o momento certo."
Os olhos de Noel ficaram fixos na pedra, depois nela. "Combina com você."
Ele se levantou, sacudindo a areia das mãos, e estendeu a mão para ela. Ela hesitou por um instante, antes de colocar a sua na dele, a palma quente firme contra a sua.
Ela o olhou, as bochechas ainda levemente vermelhas, e perguntou: "Então… o que fazemos agora?"
Noel olhou para o horizonte, o sol se pondo mais baixo, o mar tingido de laranja e violeta. "Que tal um passeio? Antes do jantar. Só nós dois."
Ela sorriu suavemente. "Um passeio na praia?"
"Sim," respondeu Noel simplesmente. "Por que não?"
Eles tiraram os sapatos e os deixaram perto de um tronco de madeira. A areia estava fresca sob os pés descalços, macia onde a maré tinha molhado. A primeira onda que tocou os dedos de Elena fez ela estremecer, depois rir baixinho, o som levando-se com o vento.
Noel percebeu que a observava mais do que o horizonte. A forma como o vestido dela raspava nas mãos, o jeito como os fios de cabelo reluziam enquanto o vento os bagunçava, o brilho do pingente âmbar parecendo um segundo sol contra seu peito.
Elena caminhava um pouco na frente, olhando para trás de tempos em tempos com aquele sorriso tímido que a fazia parecer mais jovem, mais suave. "É estranho," ela admitiu, "estar aqui, assim. Depois de tudo que aconteceu."
"Estranho não é ruim," respondeu Noel.
Ela inclinou a cabeça, os olhos dourados captando os dele na luz fraca. "Não. Não é."
A água voltou a subir, cobrindo seus pés, e Elena soltou uma risada pequena. "Está frio."
Noel sorriu de leve. "Você vai sobreviver."
O riso dela virou uma cara de desdém falsa, mas logo desapareceu. Ela se aproximou novamente, o braço tocando o dele enquanto caminhavam. O silêncio que se seguiu não foi pesado, nem constrangedor. Apenas… tranquilo, preenchido apenas pelo ritmo das ondas e pelo passos constantes.
Finalmente, o sol desapareceu no horizonte, deixando os dois caminhando juntos, pés descalços na maré, enquanto a noite se instalava suavemente sobre o mar.