O Extra é um Gênio!?

Capítulo 328

O Extra é um Gênio!?

A beira-mar cedeu lugar a caminhos de pedra enquanto Noel e Elena deixavam a praia para trás. A capital de Nivária se alongava diante deles, vibrante mesmo sob o céu noturno. Poste de luz alimentado por cristais de mana brilhava com um brilho suave e constante, formando poças douradas nas pedras. O aroma de sal do mar misturava-se aos temperos e comidas assadas que se espalhavam pelas barracas do mercado, que ainda resistiam à quietude deste horário.

Elena ajustou a bainha do vestido, olhando para o movimento com curiosidade. Sua mão hesitou por um instante até Noel oferecer seu braço. Ela hesitou apenas um momento antes de encaixar a mão nele, suas orelhas pontudas ficando rosadas sob a luz das lanternas.

As ruas estavam animadas, mas era diferente de Valon. Menos polidas, mais vibrantes. Crianças corriam entre as barracas, brincando de correr uma atrás da outra, comerciantes chamavam inutilmente, e uma música de um violinista solitário se espalhava pelo ar de forma delicada.

A voz de Elena quebrou o silêncio, suave e quase tímida. "Parece… normal."

"Normal também não é ruim," respondeu Noel, observando as barracas.

Passaram por uma fileira de vendedores que vendiam conchas esculpidas e pequenas lembrancinhas em forma de golfinhos, objetos que capturavam a luz das lâmpadas. Elena desacelerou, fixando o olhar em um dos colares antes de sacudir rapidamente a cabeça, puxando o cabelo para trás.

Noel percebeu, embora não tenha dito nada. Em vez disso, murmurou: “O que chamar sua atenção, deveria pegar. Mas…” Seus olhos deram um foco deliberado ao pingente de âmbar já pendurado no pescoço dela. “Nada vai superar isso."

As bochechas de Elena ficaram vermelhas e ela abaixou a cabeça, apertando o braço dele com mais força. "Você às vezes é impossível."

Juntos, caminharam mais para dentro do coração da cidade, o barulho da multidão ao redor suavizando-se. Apesar da agitação, Noel percebeu que só conseguia reparar nela — no modo como seu cabelo refletia a luz das lanternas, no modo como ela permanecia perto dele, no jeito como sua presença acalmava o ruído dentro da sua cabeça.

Elena desacelerou, os olhos arregalados enquanto absorvia tudo ao seu redor. "Não pensei que a cidade fosse tão animada à noite."

"Acho que o povo daqui não desperdiça a luz do dia nem da lua," respondeu Noel, observando os dançarinos.

Ela puxou levemente a manga dele. "Você já… quis tentar algo assim?"

Ele seguiu o olhar dela. Casais girando, risadas misturadas aos sons das cordas. Ele balançou a cabeça. "Nada demais."

Ela sorriu, brincando. "Porque você seria péssimo nisso?"

Noel levantou uma sobrancelha. "Palavras confiantes de alguém que nunca me viu dançar."

Elena riu suavemente, cobrindo a boca com a mão. "Você tem razão. Ainda não vi. Mas, de alguma forma, consigo imaginar."

Foram em direção à linha de barracas ao redor da praça. Uma vendia nozes confeitadas, outra pequenas figuras de criaturas marinhas esculpidas, e uma mais com colares feitos de conchas. Elena parou, olhando para as peças brilhantes que balançavam à luz das lanternas.

Noel percebeu imediatamente. "Quer um?"

Suas bochechas ficaram levemente coradas. "Não… não preciso de nada."

"Não perguntei se precisa," disse ele de maneira calma. "Perguntei se quer."

Ela olhou para ele, depois para a pedra de âmbar que descansava contra o peito dela. Seus dedos a tocaram suavemente, quase sem perceber. "Nada se compara a isso."

Noel deu um sorriso de lado. "Boa resposta."

Suas orelhas ficaram novamente rosadas, mas desta vez ela não desviou o olhar. Em vez disso, se inclinou um pouco mais enquanto caminhavam adiante.

A multidão se abriu brevemente, proporcionando uma vista do oceano além da praça, ondas negras reluzindo sob a luz da lua. Elena falou de novo, com a voz mais baixa agora. "É estranho. Depois de tudo o que passamos… estar aqui parece quase irreal."

Estavam prestes a deixar a praça quando um som sutil puxou as orelhas de Elena. Ela desacelerou, franzindo a testa, puxando levemente a manga de Noel.

"Você ouviu isso?"

Noel parou. Outra nota de música vinha de trás, mas, por entre ela, vinha o som inconfundível de um soluço. Frágil, delicado.

Ele seguiu Elena por uma rua estreita, a luz das lanternas se apagando à medida que avançavam. Na esquina, encontraram-na — uma menininha, não mais que seis ou sete anos, sentada no paralelepípedo com lágrimas escorrendo pelo rosto.

Elena ajoelhou-se imediatamente, seu vestido branco formando uma poça ao redor dela. "Ei… você está perdida?"

A menina fungou, esfregando os olhos. "Eu… não consigo achar minha mamãe e meu papai."

Ela levantou o rosto, e as lágrimas pararam quando percebeu as orelhas pontudas de Elena. Com os olhos arregalados, estendeu as mãos pequenas, tocando-as com admiração. "Você… você não é humana."

Elena piscou, então riu suavemente, cobrindo a mão da menina com a sua. "Sou uma elfa. Você nunca viu uma antes?"

A menina balançou a cabeça rapidamente, fascinada. "Você é muito bonita…"

As bochechas de Elena ficaram levemente coradas, embora ela mantivesse a voz gentil. "Obrigada. Mas vamos procurar seus pais, ok?"

Noel se agachou perto, com olhos atentos. "Onde foi a última vez que os viu?"

A menina fungou de novo. "Na praça… eles estavam assistindo às lanternas, e depois… não consegui encontrá-los."

Noel levantou-se, sacudindo as mãos. "Fica com ela," ordenou a Elena.

Antes que ela pudesse responder, a silhueta dele se transformou em sombras. "Passo das Sombras."

Ele desapareceu, o ar vibrando com um leve estalo de mana deslocada.

A menina ofegou, agarrando-se ao braço de Elena. "Ele—ele desapareceu!"

Elena sorriu, alisando o cabelo da menina. "Ele voltará logo. Não se preocupe."

Antes de um minuto, Noel reapareceu na escuridão da rua, acompanhado por dois adultos atrás dele, com os rostos pálidos de preocupação.

A mulher gritou e correu na direção dele, pegando a menina no colo. "Mira! Graças aos céus!"

O homem fez uma reverência profunda a Noel e Elena. "Achamos que a tínhamos perdido. Muito obrigada—obrigada a vocês duas."

A menina olhou por cima do ombro da mãe, ainda com os olhos arregalados para Elena. "Tchau, senhorita elfa bonita!"

Elena riu suavemente, acenando com a mão. "Tchau, Mira."

Enquanto a família desaparecia na multidão, Noel respirou fundo, seu olhar voltando para Elena. "Pronto. Ficou resolvido."

Ela olhou para ele, com um brilho de calor nos olhos. "Você nem hesitou."

Ele deu de ombros. "Não há motivo para perder tempo quando alguém está chorando."

O sorriso de Elena permaneceu, refletido no brilho das lanternas em seus olhos.

Noel observou até a família sumir de volta na movimentação da praça. A rua agora parecia mais silenciosa, o ar mais tranquilo, só com a brisa do oceano passando suavemente. Ele se virou de novo para Elena, que ainda tinha aquele sorriso discreto nos lábios.

"Então," disse, colocando as mãos nos bolsos, "quer jantar agora?"

Elena inclinou a cabeça, os olhos dourados captando a luz das lanternas. Por um momento, parecia que ia debochar dele, mas, ao invés disso, ela assentiu, uma leve vermelhidão tocando suas orelhas. "Sim. Gostaria bastante."

"Ótimo," respondeu Noel de forma simples, embora o canto da boca se curvasse para cima.

Ela se aproximou, colocando o braço no dele novamente, dessa vez com mais certeza. Juntos, deixaram a rua tranquila, caminhando na direção do distrito onde os restaurantes os aguardavam, enquanto a noite de Nivária se desdobrava diante deles.

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