O Extra é um Gênio!?

Capítulo 299

O Extra é um Gênio!?

A câmara estava silenciosa, iluminada apenas pelo brilho constante das lâmpadas de mana embutidas nas paredes de pedra. Nicolas jazia na cama, com o peito subindo lentamente a cada respiração superficial. Sua pele estava pálida, o corpo imóvel sob as faixas pesadas que o envolviam o torso.

Noel sentou-se numa cadeira ao seu lado, com os cotovelos apoiados nos joelhos, olhos fixos no Arquimago. Por um longo instante, ficou em silêncio.

— Pelo menos ele está respirando… —

O pensamento aliviou o nó no seu peito, mas só por um momento. Suas mãos se fecharam em punhos contra as coxas.

— Mas sem a ajuda dele de agora em diante… vai ser um golpe pesado. Nicolas era uma das maiores fortalezas de Valor. E agora… —

Ele exalou lentamente, forçando-se a segurar o luto. Nicolas ainda estava vivo, mas o homem que sempre parecerá intocável agora estava desfeito, com seu núcleo de mana completamente destruído além do que poderia ser consertado.

Noel se recostou, olhando para o teto. Sua mão deslizou para dentro da bolsa dimensional e puxou o Diário do Filho Esquecido. O couro estava mais frio do que antes, como se o próprio livro já soubesse do peso do que havia acontecido.

O sistema lhe dera uma nova página como recompensa, e durante horas resistiu à tentação de abri-la. Mas agora, com Nicolas respirando de forma entrecortada ao seu lado, ele não conseguiu segurar.

Ele abriu a capa. Uma folha solta repousava perto do final, a tinta afiada e escura, como se tivesse sido escrita há poucos momentos.

A respiração de Noel ficou presa. Ele ajustou a lâmpada mais perto e começou a ler.

A página era curta, escrita com uma letra que parecia deliberada, cada linha afiada e carregada de significado. Os olhos de Noel percorreram as palavras, seu peito se apertando a cada frase.

"Matei meu irmão. Bem… não exatamente. Eu matei o corpo dele. Mas por causa do Poder Divino que ele carregava, sua alma foi selada. Agora essa alma está tentando retornar ao mundo original. Não posso deixar que isso aconteça. Preciso preparar algo para quando eu me for."

Os dedos de Noel se apertaram até o papel enquanto ele relia, mais devagar desta vez, permitindo que cada frase penetrasse mais fundo.

'Matei meu irmão… uma alma selada… tentando retornar… ao mundo original?'

Seus pensamentos se torceram. O que isso quer dizer? O Filho Esquecido… matou Elarin? Ou alguém antes dele?

Ele fechou o diário com força, quase desesperado, como se as palavras pudessem mudar se fossem lidas duas vezes. Mas a página era a mesma. Curtinha. Condensada. Uma verdade presa em enigmas.

Noel se recostou na cadeira, encarando o teto enquanto as palavras queimavam em sua mente.

"Alguém, bem, o esquecido, matou seu próprio irmão, mas a alma não desapareceu. Em vez disso, foi selada… e agora está tentando retornar."

O silêncio da sala pesava mais, a respiração fraca de Nicolas sendo o único lembrete de que o tempo ainda avançava. Noel passou uma mão pelo rosto, a mão tremendo ligeiramente com o diário na palma.

Isso não era apenas história. Estava ligado a ele de alguma forma. De algum modo, as peças do quebra-cabeça estavam lentamente se encaixando, quer ele quisesse ou não.

Noel permaneceu imóvel, com o diário sobre o colo. As palavras da página rodopiavam em sua cabeça, colidindo com os ecos da voz do Primeiro Pilar.

"Em breve… você estará pronto. Para ele."

Sua respiração ficou presa. Seus olhos verdes se arregalaram enquanto os fragmentos se encaixavam na mente dele.

'O Primeiro Pilar não pôde me atacar. Ele teve a chance — foi mais rápido, mais forte, além de qualquer coisa que eu pudesse bloquear. E mesmo assim… ele nunca atacou para matar. Não… Ele não podia.'

O aperto de suas mãos ficou mais forte, os nós brancos.

'É porque eu devo ser um recipiente. É por isso que ele quer que eu esteja vivo. É por isso que quer que eu fique mais forte. Não por mim — mas por Elarin.'

A página do diário queimou na sua visão. "A alma dele foi selada… tentando retornar ao mundo original."

'A alma de Elarin. Presa. Procurando um corpo. E eles escolheram o meu. O Primeiro Pilar está garantindo que eu esteja preparado, que eu seja forte o suficiente para contê-lo. Por isso, seu alvo não fui eu esta noite — foi Nicolas. Ao destruí-lo, ao remover ele, eles me forçaram a dar um passo à frente. A lutar. A crescer mais rápido.'

A respiração dele ficou irregular, o peito subindo e descendo rapidamente.

'Então é isso. Não fui poupado por misericórdia. Fui poupado porque sou a chave.'

O pensamento o gelou até o âmago. Ele se inclinou para frente, cotovelos apoiados nos joelhos, encarando o corpo inconsciente de Nicolas.

'E Nicolas pagou o preço. Foi derrubado, para que eu não tivesse escolha senão me levantar mais cedo.'

A compreensão fez Noel tremer, a raiva e o medo se entrelaçando em seu peito.

O plano do Primeiro Pilar agora estava claro. E, pela primeira vez, Noel entendeu realmente como estava preso.

Ele fechou o diário lentamente, as mãos tremendo ao colocá-lo de volta na bolsa. As palavras pareciam correntes, cada frase mais pesada que a anterior. Recostou-se na cadeira, olhando para o teto de pedra gravado com runas anãs. A sala estava silenciosa, quebrada apenas pelo som suave da respiração de Nicolas.

'Noir não está aqui… Espero que ela volte nesta vez também.'

A ideia era frágil, quase infantil, e deixou uma dor vazia no peito dele. Pela primeira vez em meses, ele se sentiu sozinho.

A luz azul fria do sistema piscou diante dos olhos dele.

[A Atuação V começou. Boa sorte, Noel Thorne.]

[Nova Missão: Começa em 15 dias.]

Noel piscou, relendo as palavras novamente.

' quinze dias… é quando começa o Festival da Caçada.'

Outra linha apareceu, mais incisiva que as demais.

[Lembre-se!! Você não pode contar para ninguém.]

A escrita queimou na sua visão antes de desaparecer. Noel rangeu os dentes, as unhas cavando na palma das mãos. O segredo, a manipulação, o silêncio — tudo era sufocante.

Uma última mensagem apareceu, inesperada e ainda mais fria que as outras.

[Ah, e… lembre-se de visitar a biblioteca da família Thorne.]

Noel congelou. Seus olhos verdes se estreitaram, as palavras se gravando na mente. Por que a biblioteca? O que estava escondido lá? O sistema vinha dizendo há um tempo que havia algo, mas nunca especificou o que era.

As mensagens sumiram, deixando-o sozinho mais uma vez na câmara sombria. Ele se recostou, apoiando a cabeça nas mãos, o peso das revelações pesando sobre ele. Nicolas estava ali, quebrado. Noir tinha desaparecido nas sombras. E agora o sistema o apontava de volta para a própria família que ele tanto odiava.

'Quinze dias…' pensou amargamente. 'Por mais uma missão idiota dessas…'

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