O Extra é um Gênio!?

Capítulo 298

O Extra é um Gênio!?

A arena estava silenciosa, salvo pelo crackle das defesas quebradas e o leve sibilo do rocha derretida esfriando nas trincheiras. Noel ajoelhou ao lado de Nicolas, a Presa do Revenant pendendo lívida em seu aperto, uma das mãos flutuando impotente sobre o corpo imóvel do Arquimago.

Uma sombra caiu sobre ele. Selene avançou, seus passos sobre o chão lascado fazendo barulho ao pisar. Ela parou a alguns passos, seus olhos cianos fixos no peito de Nicolas.

Seu rosto — sempre composto, sempre frio — tinha mudado.

Os lábios se abriram levemente, a respiração curta. Pela primeira vez desde que Noel a conhecia, ela parecia assustada, como na vez em que enfrentou sua mãe.

O ferimento aberto no torso de Nicolas parecia retirar forças do próprio corpo dela. O coração dele ainda batia de leve, mas onde seu núcleo de mana deveria brilhar, restava apenas vazio, fragmentos quebrados grudando na carne arruinada.

As mãos de Selene tremiam ao abaixar a varinha. Ela quase nunca demonstrava emoção, sua voz normalmente tão afiada e distante quanto gelo. Agora ela parecia uma criança encarando o abismo.

"Se… se isso pode acontecer com ele," ela sussurrou, com a voz fina, "o que será de nós?"

Noel a olhou, os olhos verdes opacos de cansaço. Ele nunca tinha visto Selene assim — nem durante os treinamentos, nem mesmo nas inúmeras disputas. Ver o medo refletido em seu rosto torceu alguma coisa dentro dele.

Ele não respondeu. Não podia. O silêncio do coliseu arruinado pesava sobre os dois.

O olhar de Selene mudou brevemente para Noel, depois retornou ao corpo de Nicolas. Sua expressão oscilava entre medo e descrença, como se sua mente se recusasse a aceitar que um dos homens mais fortes do mundo agora jazia impotente diante dela.

O Primeiro Pilar havia desaparecido, mas o terror que ele deixara ainda permanecia.

Passos ecoaram pelo coliseu destruído. Primeiro vieram os guardas, anões em armaduras castigadas, rastejando dos camarotes onde se esconderam durante o caos. Seus olhos se moviam nervosos pelo arena dilacerada, os rostos pálidos ao ver Nicolas deitado imóvel no chão.

Depois vieram os estudantes. A voz de Roberto cortou a quietude primeiro, alta e imponente como sempre, embora desta vez com um tom de inquietação. Marcus, Clara, Laziel e Garron o seguiram de perto, Charlotte com seu Véu Sagrado ativo, Elyra e Elena ao lado.

Noel virou abruptamente ao ver Roberto se aproximar. Sua voz trincou de raiva.

"Você devia ter trazido eles mais cedo! Onde você estava?"

Roberto parou, a culpa passando por seu rosto. "Eu—corri o máximo que pude. Estava tudo um caos, Noel, os guardas bloquearam metade dos corredores—"

As mãos de Noel tremeram enquanto ele se levantava. "Eu pedi uma coisa só! Nicolas quase—" A voz quebrou, as palavras presa na garganta.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Selene desviou o olhar, os lábios apertados. Os outros não tiveram coragem de falar.

Noel respirou fundo, os ombros caídos. Sua raiva foi embora tão rápido quanto veio, deixando só o cansaço. Ele apertou os punhos, então forçou a voz.

"…Desculpa. Não devia ter gritado. Não estou pensando direito agora."

A expressão de Roberto suavizou. Ele deu um aperto firme no ombro de Noel, embora sua voz estivesse incomumente calma. "Esquece. Você pode perder a cabeça depois de tudo isso."

Charlotte passou por eles sem dizer uma palavra. Noel se virou para ela, o rosto não mais sério, mas pedinte, os olhos silenciosamente implorando para ela fazer alguma coisa.

O som de botas blindadas rolando na arena parecia um trovão distante. Do túnel mais afastado, Balthor entrou finalmente, acompanhado de um séquito de soldados anões. Seu olhar percorreu o campo de batalha, primeiro analisando as pedras destruídas, depois fixando-se no corpo caído de Nicolas.

Ele parou morto no lugar. "Garoto…" A palavra saiu dele num rosnado baixo, carregado de frustração. Ele cerrava os punhos ao lado do corpo. Tinha vindo com um exército, preparado para a guerra—mas tinha chegado atrasado.

Por trás dele, Daemar avançou com passos medidos, Rauk ao lado dele, e Redna o seguia calmamente, mas com olhos afiados. Seus rostos mudaram ao ver Nicolas. Mesmo eles, endurecidos por décadas de poder e política, vacilaram.

Os estudantes ficaram em silêncio. Os guardas abaixaram suas armas instintivamente, percebendo a gravidade do que estavam vendo.

Daemar quebrou o silêncio com um tom contido. "Um dos Arquimagos mais fortes do mundo… trazido a isso."

Os olhos de Redna se estreitaram, os lábios comprimidos numa linha fina. "Isso não é só a perda dele. É a Perda do Valor."

Balthor continou enrijecido, com a voz áspera. "Que droga. Está atrasado… novamente." Seus nós se abriram enquanto ele forçava os punhos a ficarem livres, retomando o controle. Virou bruscamente para os soldados atrás dele. "Fiquem quietos. Não há mais nada para lutar aqui."

O brilho de Charlotte ainda reluzia suavemente enquanto ela trabalhava, sua benção envolvendo o corpo de Nicolas. Mas a verdade era visível a todos — a ferida vazia em seu peito, a ausência do núcleo onde deveria estar.

O peso da revelação pressionava como uma muralha de pedra. Nicolas von Aldros viveria, mas seu magia — havia se ido.

E para Valor, essa verdade pesava como uma derrota.

A marcha de volta ao castelo era sombria. O corpo de Nicolas foi cuidadosamente carregado por Daemar e Redna, suas expressões de frieza contida. Charlotte andava logo atrás, exausta, a postura caída. Os demais seguiam em silêncio, somente o barulho das armaduras dos soldados de Balthor rompendo o silêncio no ar.

Dentro da fortaleza anã, Nicolas foi colocado em uma câmara iluminada por lamparinas de mana constantes. O cômodo era aquecido, escavado na rocha sólida, mas a atmosfera era sufocante. Ele repousava numa cama larga, o peito enfaixado e subindo devagar, em respirações superficiais. Apesar de Charlotte ter selado a ferida, o dano ia além da carne.

Balthor deu ordens com uma voz baixa e autoritária. "Vigie esse lugar dia e noite. Ninguém entra sem minha autorização. Ele precisa ficar protegido." Seus olhos, afiados até na dor, permaneceram por um momento em Noel antes de ele se virar e sair com seus soldados.

Quando o cômodo esvaziou, Noel permaneceu. Sentou-se numa cadeira ao lado de Nicolas, a Presa do Revenant encostada na parede ao alcance, seus olhos verdes fixos no homem que fora intocável, agora destruído e sem poder.

'Preciso mesmo ir à biblioteca do Thorne…'

Noir já tinha desaparecido nas sombras, evoluindo além de seu alcance. Nicolas jazia diante dele.

Devagar, Noel se inclinou para trás, olhando para o teto de pedra entalhada. Seus punhos tremiam, cerrados, uma única ideia ecoando forte no peito como fogo.

'Da próxima vez que eu te ver… Vira essa porra… vou fazer questão de que seu destino seja pior que o dele.'

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