O Extra é um Gênio!?

Capítulo 285

O Extra é um Gênio!?

A sala de espera estava silenciosa, o sussurro suave dos cristais de mana nas paredes sendo a única coisa audível. Noel estava sentado no banco, ajustando a empunhadura de Dente do Fingente, verificando as ataduras nas mãos pela décima vez, talvez.

A porta se abriu. Selene entrou, com sua varinha de gelo ao lado, curta cabelo azul bem cuidado como sempre. Ela não se apressou, não olhou ao redor—simplesmente entrou e parou alguns passos adiante, silenciosa como uma caverna.

Noel levantou a cabeça. "Então, você chegou à final."

Os olhos azulados de Selene fixaram nele por um breve momento. "Obviamente."

Ele sorriu de lado, recostando-se. "Acho que sempre foi você e eu no final."

Ela cruzou os braços, com tom monótono. "Isso era previsível."

Por um instante, o silêncio voltou a se alongar. O eco distante da arena lá fora—aplausos, passos pesados, o rugido de uma torcida inquieta—passava suavemente através das paredes de pedra.

Noel tocou levemente a empunhadura de Dente do Fingente. "Engraçado. Uma semana atrás, eu não apostaria que chegaria tão longe."

Selene inclinou a cabeça, expressão indecifrável. "E aqui está você."

Sua voz era fria, mas não tinha zombaria. Se fosse para apontar algo, a franqueza parecia mais um reconhecimento do que uma rejeição. Noel percebeu isso—a diferença era pequena, mas existia.

Ele deu uma risadinha, esfregando o pescoço. "Vou levar isso como um elogio vindo de você."

Selene não respondeu, mas também não desviou o olhar. Seu olhar permaneceu por um segundo a mais antes de voltar ao chão, braços cruzados sobre o peito.

As luzes de cristal vibravam suavemente acima deles. Nenhum dos dois falou novamente, mas a atmosfera entre eles havia mudado.

O silêncio se prolongou, até que Noel quebrou primeiro. "Nunca te vi tão calma desde… bem, nunca."

O olhar de Selene semoveu em sua direção, firme como gelo. "Você não me conhece o suficiente para dizer isso."

Noel sorriu meio de lado. "Talvez não. Mas estive lá quando você finalmente enfrentou sua mãe. Difícil esquecer."

Seus braços relaxaram um pouco ao ouvir isso. Por um instante, o rosto dela manteve a máscara habitual, mas sua voz baixou. "Você me empurrou a fazer aquilo. Nunca te agradeci de verdade."

Noel deu de ombros. "Não precisava. Você mesma fez isso."

Selene desviou o olhar, fixando-se nas luzes de cristal de mana acima. "Ela veio aqui. Minha mãe."

O cenho de Noel se ergueu. "Aqui? Quer dizer—"

Selene assentiu uma vez. "Ela soube das notícias sobre mim. Desceu das Montanhas de Iskandar."

Noel se inclinou para frente. "Ainda de outro continente?"

Ela confirmou com a cabeça, calma, seca, sem hesitação.

Ele respirou fundo, inclinando a cabeça. "E o que vai fazer a respeito?"

Os olhos de Selene se estreitaram um pouco, o tom frio ainda, porém com uma ponta de aço. "Nada. Não a perdoo."

A resposta veio sem pausa, sem dúvida. Noel a estudou por um momento, percebendo que não havia nenhuma hesitação em sua expressão.

O rugido abafado da multidão lá fora pulsou de novo, sacudindo as paredes suavemente. Selene permaneceu imóvel, postura firme, o peso de suas palavras mais pesado que o barulho lá fora.

"Eu respeito você."

Noel piscou, surpreso. Raramente Selene dizia algo tão direto. Ela manteve os olhos na frente, tom firme, quase distante—como se estivesse declarando um fato e não fazendo uma homenagem.

"Sempre te vi," ela continuou. "Desde o primeiro dia de aula. Toda manhã, você estava lá treinando. Sempre foi você e eu no pátio antes de todo mundo. Você nunca falava muito. Às vezes, nem dizia uma palavra."

Seu olhar se deteve brevemente, pensativo. "Parecia que… você respeitava meu treino o suficiente para não interromper. Como se não quisesse atrapalhar."

Noel sorriu de lado. "Ou talvez eu estivesse morrendo de medo de você me congelar se eu incomodasse."

Selene ignorou a piada. "Você tentou, às vezes. Para conversar. Para ficar mais próximo. Percebi."

Noel inclinou a cabeça. "Não achava que você se importava."

Pela primeira vez, a expressão de Selene mudou—quase imperceptivelmente, mas o suficiente. Seus olhos ficaram mais suaves, o gelo ao redor das palavras afinando. "Eu me importava. Você não forçou sua presença em mim. Me deu espaço. Isso foi… diferente."

A confissão pairou no ar, mais pesada que qualquer rugido da multidão lá fora.

Noel se inclinou para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. "Quer dizer que você não se incomoda comigo por perto, né?"

Selene apertou os lábios, o rosto novamente calmo. "Algo assim."

Noel sorriu de leve. "Vou aceitar assim."

A porta pesada rangeu ao abrir. Um guarda entrou, com voz firme. "Finalistas. Está na hora."

Noel se levantou primeiro, encaixando Dente do Fingente ao lado. Selene o seguiu, com sua varinha de gelo na mão, expressão tão indecifrável quanto sempre. Juntos, caminharam pelo longo corredor que levava à arena. O zumbido dos cristais de mana nas paredes lançava luz pálida em seu caminho, enquanto seus passos ecoavam na pedra.

O rugido da plateia aumentava a cada passo, uma maré de som se aproximando. Mas, naquele corredor estreito, eram apenas eles, lado a lado.

A voz de Selene quebrou o silêncio. "Espero uma boa luta, Noel."

Ele olhou para ela. "Claro."

Seus olhos, de um azul frio sob o brilho do cristal, permaneceram sobre ele por um segundo a mais do que o usual. "Não segure nada. Temos os dispositivos de proteção. Não há motivo para nos conter."

Os lábios de Noel se curvaram numa apropriação de sorriso afiado. "Ótimo. Então é exatamente isso que vai acontecer."

As palavras não carregavam dúvida.

No final do túnel, as portas começaram a subir. A luz da arena invadiu o espaço, junto com o rugido ensurdecedor de milhares de vozes cantando seus nomes. A luta final estava prestes a começar.

A postura de Selene permaneceu calma, inabalável, mas havia algo diferente em seus olhos—uma espécie de reconhecimento, silencioso e afiado. Noel percebeu enquanto ajustava sua empunhadura e dava um passo adiante, entrando na intensa luz da arena.

Os dois finalistas saíram juntos, a atmosfera carregada de tensão e expectativa. Para o público, era o clímax do torneio, a final de dois oponentes da mesma academia. Para eles, era o momento que aguardavam desde o primeiro dia.

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