O Extra é um Gênio!?

Capítulo 284

O Extra é um Gênio!?

A sala estava silenciosa, exceto pelo suave crackle da vela que queimava perto da escrivaninha. Charlotte dormia profundamente na cama, sua respiração lenta, o rosto suavizado pelo descanso. Noel fechou com cuidado o Manual do Irmão Esquecido, deslizando-o de volta na bolsa. Ele olhou para Noir, que havia se instalado perto da cama, com olhos violeta brilhando suavemente na escuridão.

Ele se agachou ao lado dela, falando baixinho. "Fica aqui com ela."

Noir ergueu as orelhas, a cauda roçando o chão. Ela deu um murmúrio suave de aprovação, posicionando-se mais perto de Charlotte, como se quisesse reforçar sua promessa.

Noel ajustou seu manto e saiu silenciosamente pela porta. O corredor do alojamento estava tranquilo, as lanternas com a luz fraca e tênue. Cada passo ressoava alto demais na quietude da noite, mas ele se movia com cuidado treinado. Estudantes e atendentes dormiam atrás das fileiras de portas — nenhum deles despertou.

Seu destino era claro. Por um corredor, depois outro, até chegar na sala de Roberto. Noel parou, ouvindo. Nada. Bateu suavemente com os nós dos dedos na madeira.

Não houve resposta.

Com uma expiração silenciosa, Noel abriu a porta com cuidado. O cheiro do cômodo era levemente de couro e aço. Roberto estava deitado de lado na cama, cabelo preto desgrenhado, um braço pendurado na borda. Ele roncou uma vez antes de se mexer, murmurando algo incompreensível.

Noel entrou, empurrou a estrutura da cama com o joelho. "Roberto."

Um gemido. Roberto virou-se, os olhos meia-abertos, com a voz rouca de sono. "Noel? É meia-noite… O que você pensa que está fazendo?"

Noel sorriu levemente, puxando a manga. "Preciso que você esteja acordado."

Roberto estreitou os olhos, ainda meio grogue. "Você é louco, conhece a hora que é?"

Noel puxou com mais força. "Levanta."

Roberto esfregou os olhos, ainda meio dormindo, e deitou-se de costas na cama. "Não. De jeito nenhum. O que quer que seja, pode esperar até de manhã."

Noel cruzou os braços, com tom desinteressado. "Preciso de você para uma luta de treino."

Roberto gemeu alto, puxando o travesseiro para cobrir a cabeça. "Luta? Nessa hora? Você realmente perdeu o juízo. Não vou me mexer."

Noel puxou o travesseiro, tirando-o de cima dele. "Tenho que testar uma coisa. Não posso esperar."

Roberto virou-se, fazendo uma careta de desdém. "Que pena. Volte quando o sol estiver no céu. Dou mais valor ao meu sono de beleza do que à sua obsessão por treino."

Noel hesitou, depois se inclinou mais perto, com a voz baixa e séria. "Tudo bem. Esqueça a luta. Que tal um encontro às cegas?"

Roberto se levantou tão rápido que a estrutura da cama rangeu. Seus olhos se abriram de repente, sem vestígios de sono. "O quê?"

"Encontro às cegas," repetiu Noel sem piscar.

Roberto já estava calçando as botas. "Por que não falou antes? Você me tira da cama, perde minutos preciosos, e para completar, uma menina está me esperando? Inacreditável!"

Noel tentou não rir. "Então você vem?"

"Claro que venho!" Roberto deu uma risada ruidosa, ajustando o cinto. "Conta tudo pra mim. Cor do cabelo? Altura? Personalidade? Não me diga que ela é tímida; eu adoro meninas tímidas—"

Noel deu de ombros. "Menina misteriosa. Você vai saber quando chegarmos lá."

Roberto sorriu ao se olhar no espelho, ajustando a camisa, o cabelo ainda empinado para todos os lados. "Perfeito. O mistério deixa mais emocionante."

Noel abriu a porta. "Então, me siga."

Roberto pegou sua espada e a pendurou nas costas. "Para um encontro? Natural. Se ela não gostar de mim, ao menos pareço perigoso."

Noel balançou a cabeça, sorrindo ao se aventurarem pelo corredor escuro. O "encontro às cegas" aguardava—na forma de um campo de treino à meia-noite.

O campo de treinamento estava silencioso, banhado pelo brilho constante de cristais de mana fixados no alto nas paredes da caverna. A luz azulada deles reluzia sobre o chão de pedra, criando longas sombras artificiais que se alongavam e se curvavam—perfeitas para o que Noel precisava.

Roberto parou no centro, olhando ao redor com um bocejo. "Então… onde está essa menina misteriosa?"

Noel desembainhou a Dente do Renascido e a fincou no chão. "Ela é você. O encontro é comigo. Agora puxe sua espada—vamos lutar."

Roberto arregalou os olhos uma vez, depois começou a rir alto, a voz ecoando na caverna. "Você me tirou da cama, prometeu um encontro às cegas, e agora é você? Noel, você é um demônio."

Noel sorriu de lado. "Cale a boca. Só me ajuda."

Roberto enxugou uma lágrima, ainda rindo. "Tudo bem, tudo bem. Mas quando você perder, não vou deixar passar batido."

Noel se preparou, as sombras se enrolando ao redor das botas sob a luz dos cristais. "Passo das Sombras!" Seu corpo pisca e desaparece em uma névoa escura. Por um instante, ele sumiu—e reapareceu de cabeça para baixo, escorregando com um grunhido.

Roberto se dobrou, quase deixando a espada cair. "Hah! Essa é a karma! É o que você merece por mentir sobre uma menina!"

Noel se levantou, limpando a sujeira do rosto. "De novo."

Ele tentou uma segunda vez. "Passo das Sombras!" A escuridão o engoliu, mas o expulsou lateralmente, fazendo-o cair de lado com um baque estranho.

Roberto bateu no chão, rindo tão forte que sua voz ecoou na caverna. "Ai, meu Deus, isso é perfeito. Continue, posso assistir a isso a noite toda!"

Noel cerrando a mandíbula. "Mais uma."

"Por favor," Roberto deu um sorriso malicioso.

O corpo de Noel ficou turvo. "Passo das Sombras!" Ele desapareceu—e se chocou contra a parede da arena com um estrondo retumbante. As rachaduras se espalharam na pedra enquanto ele cambaleava, zonzo.

Roberto caiu de joelhos, segurando a barriga de tanto rir. "Karma, Noel! Karma puro, divino!"

A luz dos cristais de mana vibrava suavemente acima, preenchendo a arena com uma luz fria e constante. Noel respirou fundo, sacudindo a poeira dos trajes. Seus últimos três fracassos fizeram Roberto quase chorar de tanto rir—mas ele não ia parar.

Dessa vez, ele concentrou-se mais fundo. As sombras se acumulando aos seus pés, se alongando até as rachaduras no chão de pedra. "Passo das Sombras!"

Seu corpo se dissolveu em névoa e, pela primeira vez, reapareceu limpo a alguns metros atrás de Roberto. Ele cambaleou ao pousar, mas foi um sucesso. A Dente do Renascido reluziu levemente na mão enquanto ele se endireitava.

Roberto piscou, impressionado pela primeira vez naquela noite. "Olha só. Você conseguiu mesmo."

Noel sorriu de lado, afastando o cabelo. "Disse que sim."

Roberto sorriu mais largo. "Não foi mal. Mas consegue lidar com isso?"

Ele ergueu a mão, uma luz crescendo entre os dedos. "Raio!"

Uma explosão repentina de brilho dourado deflagrou de sua palma, iluminando a caverna com uma radiância cegante. O campo de treinos se iluminou como se uma estrela tivesse nascido dentro da montanha.

Noel exclamou, cambaleando enquanto a luz cegava sua visão. "Seu filho da puta! Não consigo enxergar!"

O riso de Roberto ecoou na arena, nítido e descontrolado. "Haha! É por me enganar com esse encontro às cegas falso!"

Noel caiu de joelhos, esfregando freneticamente os olhos, piscando contra as imagens após a queima. Ele balançou a Dente do Renascido de forma aberta, ouvindo apenas o som das botas de Roberto cruzando o chão ao seu redor.

"Juro—quando eu conseguir ver de novo, vou te matar," rosnou Noel, ainda cego.

Roberto deu uma risada, abaixando a mão enquanto a luz se esvaía. "Relaxe. Você vai me agradecer depois. Se quiser dominar as sombras, vai ter que lidar com a luz eventualmente."

Noel finalmente abriu os olhos, a visão ainda turva, mas voltando lentamente. Ele lançou um olhar mortal para Roberto. Roberto apenas deu um sorriso de confiança, com as mãos nos quadris, tão orgulhoso quanto sempre.

O treino noturno deles terminou não com vitória ou derrota, mas com risadas reverberando na caverna—sombras e luz colidindo na amizade mais improvável.

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