O Extra é um Gênio!?

Capítulo 283

O Extra é um Gênio!?

A poeira diminuiu, dispersando-se pelo piso da arena enquanto o silêncio dominava a plateia. Quando a névoa finalmente se dissipou, Noel permaneceu ereto, com a Presa Fantasma ainda ao seu lado. Dior estava de joelhos, com o peito levemente iluminado pelo artefato de defesa ativado preso sob o uniforme. A barreira cintilava—prova de que o golpe de Noel tinha acertado com determinação. Sem a intervenção do artefato, Dior teria desmaiado.

O árbitro avançou, levantando uma mão. "A vitória é de Noel Thorne, da Academia Imperial de Valor!"

A multidão explodiu em aplausos retumbantes, os gritos rolando pelo coliseu como uma onda de choque. Dior exalou lentamente, com uma expressão calma, quase respeitosa, apesar da derrota. Permitindo-se ser conduzido para fora, seu corpo ainda emitia faíscas tênues pelos vestígios do ataque de Noel. Noel levantou brevemente a Presa Fantasma, sem exibir nada grandioso, e virou as costas para o barulho.

Ao deixar o chão da arena, uma sombra se agitou aos seus pés. Noir surgiu silenciosamente das trevas, seus olhos brilhantes fixos em Noel. O lobo permaneceu escondido durante toda a batalha—qualquer aparição aberta arriscaria sua desqualificação. Agora, com o combate encerrado, ela caminhou silenciosa ao lado de Noel, fundindo-se à aprovação ensurdecedora da multidão.

O corredor além da arena parecia mais frio, mais silencioso. Dez dezenas de participantes estavam reunidos, cada um revistado minuciosamente pelos oficiais em busca de sigilos ilegais, marcas de escravo ou vestígios de reforços. Noel passou sem problemas, sua vitória já era assunto de todas as bocas próximas.

A porta rangeu ao abrir-se. Elena entrou na câmara de descanso, vestindo o uniforme do conselho estudantil, um cinza marcante com detalhes em carmesim. As cores contrastavam vividamente com seu cabelo loiro platinado e olhos dourados.

"Como você está?" ela perguntou suavemente.

Noel deu um rolar de ombro, flexionando o braço com falso atrevimento. "Estou bem." Ele levantou o bíceps como se quisesse provar isso.

Elena deu uma risada, balançando a cabeça. "Você não precisa fazer isso. Eu acredito em você. Mas deveria descansar, e você sabe disso."

"Eu sei," admitiu Noel. Seus olhos passaram por ela. "Onde está Elyra? Achei que vocês sempre estivessem juntas na arquibancada. Normalmente com Charlotte também… embora ela ainda esteja se recuperando."

Elena ajustou as mangas. "Elyra se encontrou com Noriel novamente. Estão finalizando os detalhes do acordo deles."

Noel arqueou uma sobrancelha. "Ela quer mesmo ganhar dinheiro, então."

"Ela já falou isso antes," murmurou Elena, com as orelhas tilintando levemente. "Ela quer começar o quanto antes."

Noel inclinou a cabeça, estudando-a. "Uma decisão tão ousada vindo de você, Elena? Raro."

Uma cor avermelhada tingiu suas orelhas pontudas. "Mmm… Só estou dizendo que apoio ela. Além disso… ela já deu seu primeiro passo."

Noel piscou. "Entendi. Você se sente mal por ontem à noite?"

O sorriso de Elena suavizou. "Não. Claro que não. Você estava exausto, e eu entendo. Tudo o que aconteceu aqui em Tharvaldur não foi fácil—especialmente para você."

Ele se inclinou mais perto, com a voz baixa. "Vou compensar você."

Seus olhos dourados brilharam de curiosidade. "Como?"

"Quando voltarmos," disse Noel, "vamos sair para um encontro. O Festival da Caçada ocorrerá este ano no território de Nivaria. Nunca estive lá. Podemos visitar antes do início do festival."

Sorrindo, Elena respondeu: "Então é um promessa."


Noite caiu. Noel voltou para seus aposentos designados, mas não ficou muito tempo. Em vez disso, entrou silenciosamente no quarto de Charlotte. Ela ainda dormia na cama, respirando steady, recuperando-se da bênção que havia dado. Noel moveu-se cuidadosamente, sem ousar acordá-la.

Sentou-se na pequena mesa, tirando de sua bolsa dimensional o livro que ganhou como recompensa do sistema—*O Manual do Irmão Esquecido*. Sua capa negra tinha runas tênues gravadas, desbotadas, mas opressivas. Noel abriu as páginas, com a luz da vela lançando sombras em seu rosto.

O texto era denso, escrito em linguagem enigmática, mas fragmentos estavam claros: técnicas de sombra, movimentos invisíveis, habilidades forjadas em traição e sangue. Uma frase em especial chamou sua atenção—Passo das Sombras.

As páginas descreviam como deslizar para dentro de uma sombra e sair por outra, uma técnica de infiltração e fuga. Perigosa, mas inestimável.

'É isso que a Noir sempre usa, né?'

Apareceu do chão, sua forma maior do que antes. Os ombros mais largos, seu pelo brilhando sob a luz. O crescimento do lobo era evidente, chegando quase ao nível de Ascendente. Noel olhou para ela, um sorriso distraído surgindo nos lábios.

"Ensine-me," sussurrou Noel, empurrando o livro em sua direção. "Ou pelo menos tente."

As orelhas de Noir se mexeram. Ela caminhou silenciosamente pelo quarto, suas patas sem fazer barulho no piso de tábuas. Então, com um movimento sutil, seu corpo mergulhou na sombra projetada pela mesa. Por um instante, ela desapareceu, nada além de silêncio. Depois, reapareceu no canto distante, saindo da sombra do guarda-roupa com naturalidade casual. Sua cauda balançou uma vez, com uma expressão quase arrogante.

"De novo," incentivou Noel.

Noir repetiu o movimento, indo de sombra a sombra, fluindo sem interrupções. A cada tentativa, ela olhava de volta para Noel, esperando que ele imitar-se.

Ele fechou o manual e respirou fundo. "Passo das Sombras!" Seu corpo piscou, envolto em uma névoa negra, antes de colapsar numa posição errada. Num piscar de olhos, bateu a cabeça na parte de baixo da cama.

"Tchuf!"

"Ah—!" Noel gemeu, segurando a testa.

O barulho acordou Charlotte. Ela se sentou, com o cabelo rosa bagunçado, e os olhos dourados estreitando-se ao ver a cena: Noel quase preso debaixo da cama, sombras ainda grudadas ao corpo.

Sua voz cortou, perigosamente calma. "Noel Thorne. O que você está fazendo aí embaixo?"

Noel congelou. 'Droga, nome completo? Tá brava de verdade…'

Noir sentou-se elegantemente ao lado da cama, sua cauda varrendo o chão lentamente, numa expressão de puro divertimento. Se um lobo pudesse ter uma expressão, essa pareceria muito com um sorriso de canto.

"Eu… escorreguei alguma coisa," murmurou Noel, recuando às pressas para fora da sombra. "Debaixo da cama."

O olhar de Charlotte se intensificou, o uso do nome completo como uma faca afiada. "Mm-hm."

Noel forçou um sorriso torto. "Treinamento. É só isso."

Charlotte suspirou, murmurando algo inaudível antes de se deitar novamente. Noir foi até Noel, esfregando sua perna com a pelagem, como se estivesse incentivando-o a tentar novamente mais tarde.

A vela tremeu. Noel fixou o olhar no manual, cujas páginas brilhavam levemente com uma promessa. Sua primeira tentativa foi desajeitada, humilhante até—mas o caminho estava claro. Sombra a sombra, passo a passo.

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