O Extra é um Gênio!?

Capítulo 273

O Extra é um Gênio!?

- Ponto de vista de Nicolas -

Nicolas retornou aos estudantes e professores reunidos, com a expressão tensa.

"Eles escaparam," falou imediatamente, avançando até o grupo do corpo docente. "Torwan deixou seu assistente sob um feitiço de ilusão, assumindo sua aparência. Ele deve ainda estar em algum lugar de Tharvaldur…"

O Professor Daemar cruzou os braços. "Não podemos todos sair para procurar. Ainda temos civis aqui com a marca de escravo. Vamos esperar pelo reforço."

"Tomara que a Redna chegue logo," respondeu Nicolas, baixando a voz. "E que tudo no castelo tenha saído como planejado."

Os estudantes das três academias — Velmora, Luceria e Valor — fixaram o olhar na mais de cinquenta guardas leais a Torwan, que estavam estacionados do lado de fora da fábrica.

Quinze minutos depois, o som de passos sincronizados preenchia as ruas fechadas dentro da montanha. Nicolas deu um passo à frente, escaneando a origem, até que finalmente os viu.

Redna liderava, flanqueada por Noriel e Balthor, os dois anões caminhando lado a lado. Atrás deles marchava o Conselheiro, o General e mais de trezentos soldados do castelo. Lanças, espadas, martelos e machados brilhavam sob a luz das tochas enquanto avançavam com propósito.

Redna foi a primeira a se aproximar. "Tudo correu bem," disse ela. "Por enquanto, Noriel está atuando como regente até a coroação de Balthor."

"Ótimo," começou Nicolas, mas antes que pudesse continuar, o Sigilo de Recall em sua mão brilhou com força. Seu brilho era intenso, insistente — Noel o chamava. Urgente.

O tom de Nicolas mudou imediatamente. "Algo sério aconteceu. Redna — ajude Charlotte a dar a bênção aos civis. São centenas deles."

Sem esperar resposta, sua figura se turvou num borrão de mana, desaparecendo do local.

Redna virou-se de volta para Noriel e Balthor, acompanhando-os enquanto entravam no edifício.

O Professor Daemar já se movia com os demais estudantes e funcionários, conduzindo-os até o salão principal. "Por nossa parte, as coisas aconteceram sem problemas," relatou. "Alguns nobres escaparam — estavam ligados a essas atividades — mas não podíamos correr o risco de persegui-los e deixar civis desprotegidos. Os guardas de Torwan estão sob custódia para prisão, e os pais dos estudantes de Tharvaldur estão seguros. Também trouxemos outros alunos que carregavam a marca."

Norial deu um único aceno de cabeça. "Ótimo. Quanto a nós, o rei fantoche foi facilmente neutralizado. Nada de grande mistério — o poder de Redna resolveu rápido." Seus olhos se voltaram para Balthor. "Agora, acho que nosso futuro rei deveria dar a ordem."

Balthor parecia pego de surpresa. Por um momento, pareceu que poderia recusar, mas a expectativa silenciosa de todos ao redor — soldados, conselheiros e cidadãos — o empurrou para a frente. Endireitou as costas.

"Prendam os bastardos que transformaram Tharvaldur num chiqueiro e brincaram com a vida do nosso povo," disse Balthor firmemente. "E… ajudando nossos cidadãos. Por favor, Redna."

As palavras eram simples, ásperas, mas carregavam mais peso do que esperavam. Até mesmo as sobrancelhas de Noriel se levantaram um pouco — por mais defeitos que tivesse, o anão bêbado e mal-educado tinha acabado de soar como um governante.

Os soldados, estimulados pela ordem, se moveram imediatamente. O último rei — o fantoche — não tinha feito nada por eles, servindo apenas aos esquemas de Torwan. Isso era diferente.

Botas de aço retumbaram contra o piso de pedra enquanto marchavam para o restaurante subterrâneo. Os estudantes fizeram passagem, abrindo caminho. Pouco tempo depois, os soldados saíram, escoltando os últimos membros da facção de Torwan em correntes.

Redna encontrou Charlotte perto da parede mais distante, com o Véu Sagrado ainda ativo.

"Venha," disse Redna, em tom firme, mas suave.

Elas avançaram juntas pelos corredores até chegar à sala onde os trabalhadores da fábrica estavam reunidos. O cheiro de poeira, óleo e medo impregnava o ar. Redna rapidamente mandou que os estudantes sem marcas de escravo saíssem, mantendo somente aqueles ainda presos pelos malditos sigilos.

Diante do grupo, Redna levantou a voz apenas o suficiente para ser ouvida. "Vamos ajudar vocês," ela disse, "mas gostaria de pedir um favor. Charlotte é a Santa. Agradeceria se mantivessem isso em segredo. Ainda não muitos sabem — e quero que continue assim."

Charlotte piscou, claramente surpresa com o anúncio. Seus lábios se abriram em surpresa, mas ela logo os fechou, fazendo um pequeno gesto de gratidão para Redna.

Depois, ela avançou, uniu as mãos e começou a bênção. Um leve brilho dourado se formou entre as palmas, espalhando-se como ondas de luz. O processo era lento, deliberado — centenas de marcas a serem apagadas, uma a uma.

Redna se colocou ao lado dela, colocando uma mão no ombro de Charlotte. Um fluxo constante de mana fluía de Redna para a Santa, fortalecendo sua força. Sem isso, Charlotte poderia ter desmaiado no meio do ritual.

Passaram-se minutos, o ar carregado com o suave zumbido da magia divina. Lentamente, as marcas malditas começaram a desaparecer da pele e da memória.

Nicolas reapareceu numa rua estreita e sombria dentro de Tharvaldur. Ele não conseguiu rastrear exatamente Noel — nunca entrou no local exato onde o menino estava agora — mas sabia a região geral. Sem perder tempo, correu pelo caminho de pedra, com as botas batendo no chão irregular.

As ruas estavam silenciosas, num silêncio estranho após o caos das horas anteriores. Não demorou muito até chegar a um beco lateral e avistar Noel.

Sentado numa superfície baixa e plana, com a borda escura e úmida, como se tivesse sido molhada em sangue recentemente. Sua postura era calma, mas havia um peso no ar que dizia: isso ainda não acabou.

A alguns metros dele, Noir esperava na forma de um lobo, quase três metros de altura, com pelagem preta e roxa, eriçada levemente. Sentada como uma sentinela, os olhos nunca saíam de Nicolas enquanto ele se aproximava.

Ao ouvir passos, Noel virou a cabeça. "Olá, Mestre Nicolas," falou com serenidade, como se o cenário ao redor fosse algo comum.

Antes que Nicolas pudesse responder, um leve brilho azul apareceu na frente dos olhos de Noel, formando letras nítidas que só ele podia ver:

[Missão: Encontrar o 5º Pilar e lidar com ele. Concluído, parabéns!!!]

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- Ponto de vista de Charlotte -

Charlotte se encostou na parede, respirando com dificuldade. Elyra esteve ao seu lado imediatamente, oferecendo água, enquanto Marcus se agachava perto, mantendo uma vigilância protetora.

Clara se ajoelhou na frente dela, verificando seu pulso com mãos delicadas, enquanto Laziel e Garron ficavam na guarda na entrada. Elena permanecia próxima, com seu pingente âmbar refletindo a pouca luz enquanto continuava a observar a sala.

Serafina e Dior se juntaram a elas em algum momento, sua presença silenciosa, mas reconfortante. E, entre todos os rostos conhecidos, havia uma ausência notável — ainda não havia sinal de Roberto.

Do lado de fora, os sons de alegria e alívio começavam a ecoar pelo interior da fábrica. Os estudantes de Tharvaldur estavam finalmente reunidos com seus pais — homens e mulheres que também haviam sido escravizados e forçados a trabalhar ali. Abraços cheios de lágrimas e palavras em sussurros enchiam o ar enquanto as correntes eram cortadas e as amarras abertas.

Charlotte fechou os olhos por um instante, deixando os sons da reunião inundarem seus sentidos. Ela tinha dado tudo de si naquela bênção, mas ver famílias reunidas novamente… fazia o cansaço valer a pena.

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