O Extra é um Gênio!?

Capítulo 274

O Extra é um Gênio!?

A tênue luminosidade azul da notificação do sistema permanecia na visão de Noel, suas letras claras esperando por sua atenção:

[Missão: Encontrar o 5º Pilar e lidar com ele. Concluído, parabéns!!!]

Recompensa disponível — aceitar agora?

Ele não se moveu para reivindicá-la. Como sempre, haveria tempo para isso depois — quando as coisas estivessem mais calmas. Neste momento, estavam longe disso.

Passos se aproximaram, e Nicolas surgiu das sombras da rua estreita. Seus olhos afiados se moveram de Noel para a figura espalhada sob ele. "O que aconteceu? Estou assumindo que este é Torwan," ele disse. "Como conseguiu capturá-lo?"

"Sinceramente?" Noel manteve o tom equilibrado. "Quando o encontrei, ele já estava no chão assim. Apenas segui o cheiro da Noir… embora ela parecesse estar perseguindo outra coisa até poucos momentos atrás. Você sabe de algo a respeito disso, Torwan?"

O anão abaixo dele soltou um rosnado sofrido. "Eu não sei, seu filho da mãe. Sai de cima de mim."

Noel desceu de seu peito — só para pisar em uma ferida recente em vez disso. Ele pressionou, torcendo lentamente.

Torwan gritou, o som ecoando pelas paredes de pedra. "Aaaaaaaaah! Para com isso, seu bastardo!"

"Acho que não devia falar assim com alguém da família Estermont," respondeu Noel, sua voz calma, mas afiada.

"Você acha que eu não sabia disso?!" Torwan cuspiu. "Por que você acha que dei algo mais forte para seu oponente naquele dia? Queria que ele matasse você!"

"Já chega por enquanto," disse Nicolas com firmeza, aproximando-se. "Vamos levá-lo ao castelo do rei Alveron IV. Ele ainda deve estar lá, mesmo que suas tropas já tenham sido enviadas. Posso entregar a mensagem ao mesmo tempo."

Noel não protestou. Nicolas colocou uma mão no ombro de Torwan, a outra segurando o braço de Noel, e num instante o ar ao redor deles virou. A rua estreita desapareceu, substituída pelas altas muralhas de pedra e pela pouca iluminação de uma sala privativa no castelo. Noir entrou atrás deles, suas garras clicando contra o piso polido.

Nicolas levantou dois dedos, traçando um sinal rápido no ar. "A mensagem foi enviada," ele disse, olhando para Noel. "Alveron sabe que estamos aqui. Ele virá em breve."

Depois, seu olhar se voltou para Torwan. "Então… vamos começar?"

"Vá se ferrar," Torwan respondeu de repente, olhando fixamente para ele. "Não vou dizer uma palavra para vocês, seus filhos da mãe."

Noel se aproximou, baixando a voz para que somente Nicolas ouvisse. "Você consegue teletransportar de novo? Traz o Balthor aqui."

Nicolas arqueou uma sobrancelha, mas não questionou. Os olhos de Torwan piscaram de confusão — ele claramente não percebeu que seu irmão sabia de tudo isso. Sem dizer uma palavra, Nicolas desapareceu, deixando a sala para Noel, Torwan e a figura silenciosa e vigilante de Noir.

Aquietação entre eles se prolongou, rompida apenas pela respiração tranquila e constante de Noir. Os olhos de Noel se estreitaram, sua voz baixa e carregada.

"Sabe… por causa de gente como você, aqueles que importo sempre acabam sofrendo. Gostaria de entender por quê, Torwan de Tharvaldur. Por que fez tudo isso? Você matou seu próprio pai para colocar um fantoche no trono e puxar as cordas? Manipulou o reino por lucro. Por que Kaelith? Por que ajudou ele a cruzar de Velmora? Por que Alya? Por que tudo isso?"

Torwan sorriu, mesmo com a dor, e uma risada amarga escapou. "Nossa, garoto… ahahaha. Você quase sabe mais do que eu. Quem deles falou? Alya ou Kaelith?"

"Ninguém," disse Noel de forma direta. "Só sei. E também vou saber se estiver mentindo."

Ele colocou a mão dentro do casaco e tirou um pingente pequeno, com runas gravadas, deixando a luz tênue refletir na superfície. "Peguei isso na loja do seu irmão em Valon, quando ele foi embora sem aviso. Esse pequeno objeto? Não permite mentiras. E como você não consegue se mover agora, usá-lo será fácil."

'Ainda lembro quando Elyra usou isso comigo.'

Noel pressionou o artefato contra o peito de Torwan. Ele pulsou uma vez, levemente, e uma pressão sutil tomou o ar. A magia estava ativa — três perguntas, três verdades.

Os olhos de Torwan se tornaram mais duros. "Acha que vou responder? Esquece isso."

Noel o ignorou. "Primeira pergunta: qual é o objetivo do seu grupo?"

Os lábios de Torwan se moveram contra sua vontade. "Trazer alguém de outra dimensão aqui."

"Entendi…" Os olhos de Noel se estreitaram ainda mais. "Segunda pergunta: onde estão os outros quatro Pilares?"

A mandíbula de Torwan se rangeu, mas as palavras ainda escaparam. "O Quarto e o Terceiro, os gêmeos, estão em Valor. O Segundo está nas ilhas… e o Primeiro Pilar está em Tharvaldur. Sempre esteve."

'O quê!? Como pode o Primeiro Pilar estar aqui? Ainda é cedo demais para alguém tão forte aparecer? Já alterei o enredo original do romance, mas… pensando bem, ele ainda não fez nada.'

"Terceira pergunta," continuou Noel, com um tom mais severo. "Quem te deixou incapaz de andar?"

O rosto de Torwan se torceu numa raiva. "FOI AQUELE MALUCO — O PRIMEIRO FILHO DA PUTA! Disseram que meu tempo tinha acabado… Não vou esquecer daquele desgraçado."

'Por que o Primeiro Pilar faria algo que na verdade nos ajuda? Ele não só se livrou de Torwan porque ele não era mais útil…'

Os olhos de Noel se estreitaram. "Por que o Primeiro Pilar—"

"Dane-se, garoto," interrompeu Torwan. "Você já me prejudicou o suficiente. Chega de papo."

Noel pigarreou. 'Tch. É tudo o que vou conseguir.'

O ar brilhou, e Nicolas voltou à sala — desta vez com Balthor ao seu lado. Os pesados botas do jovem anão batiam contra o piso de pedra enquanto seus olhos fixavam no homem amarrado à sua frente.

O sorriso de Torwan desapareceu. Sua visão passou por Balthor, absorvendo as feições familiares sob a barba desgrenhada, a maneira como sua postura não tinha mudado desde a juventude. Era a primeira vez que eles se enfrentavam sem máscaras, sem nomes falsos, sem o disfarce da distância.

Balthor não falou. Nem Torwan.

Por vários segundos, simplesmente se encararam — anos de traição, ressentimento e histórias manchadas de sangue pendendo entre eles como uma lâmina. A cauda de Noir se mexeu uma vez, o único som na sala.

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