O Extra é um Gênio!?

Capítulo 272

O Extra é um Gênio!?

Nicolas deixou os demais para trás na sacada sem olhar para trás. O eco de suas botas na passarela superior da fábrica era cortante, deliberado.

'Ele devia estar aqui…' pensou, vasculhando cada corredor enquanto avançava. 'Todos os seus objetos de valor estão aqui. Essa é a sua operação principal. E me parece do tipo de homem que valoriza mais a riqueza material do que sua própria vida.'

Parede por parede, procurou. Armários de armazenamento cheios de caixas. Escritórios secundários empilhados com livros-razão e papéis de apostas. Salas trancadas que não ofereciam nada além de equipamentos de reposição. Um a um, riscou-os da lista até sobrar apenas uma.

O escritório de Torwan.

A porta era grossa, reforçada com faixas de aço, e estava fechada a chave. Nicolas não se incomodou com a maçaneta. Levantou a mão, murmurando a invocação em voz baixa.

"Lança de Pedra."

Um projétil irregular de pedra comprimida surgiu da palma de sua mão, atingindo o centro da porta com força suficiente para fazer ela voar para dentro, fora das dobradiças. O estrondo reverberou pelo corredor.

Dentro, Torwan estava sentado atrás de uma ampla mesa de mogno, com as mãos juntas, olhos calmos — como se estivesse esperando por ele.

Nicolas entrou, sua presença preenchendo o ambiente. "Diretor Torwan do Instituto de Poder Arcano Tharvaldur — você está preso por sequestro, assassinato e operações ilegais."

Torwan inclinou levemente a cabeça. "Você é mesmo uma autoridade para fazer essa prisão?"

"Não," disse Nicolas com tom neutro. "Mas eles vão chegar logo. Acho que, agora, o rei-fantoche foi neutralizado graças à Redna, e ele também será preso. É melhor você não resistir."

Torwan recostou-se na cadeira, um sorriso quase imperceptível surgindo nos lábios. "Não posso fazer isso, querido Nicolas. Fiz dinheiro demais, e continuarei fazendo mais. Se vocês me impedirem, alguém vai ocupar meu lugar. Outro ataque à sua academia que você não verá vindo. Outro 'acidente'. Outra tentativa de matar o santo."

Os olhos de Nicolas se estreitaram. "Você acha que vou deixar você escapar agora que tenho você na minha frente?"

A tensão no ambiente se apertou como uma corda de arco sendo tensionada.

O sorriso de Torwan se alargou. "Pode tentar."

Nicolas levantou a mão. O ar ao redor ficou instantaneamente denso, com o aroma de ozônio invadindo o cômodo. Uma esfera de luz azulada formou-se ao redor de sua palma, a mana dentro dela aguda o suficiente para fazer a mesa entre eles ranger.

"Dardo de Tempestade."

Mal saiu de seus lábios a palavra antes que uma lança de relâmpagos surgisse à sua frente, duas vezes mais grossa e brilhante que a de Noel, rasgando o escritório com um estrondo ensurdecedor. Ela se partiu ao meio em pleno voo, ramificações de arco irregular rasgaram a mesa de Torwan e partiram as paredes atrás dele.

Porém, a figura de Torwan cintilou — e desapareceu.

O mundo distorceu-se. Nicolas agora se encontrava em um corredor de pedra infinito, com o som de passos ecoando de todas as direções. A voz de Torwan vinha de lugar algum e de todos os lados ao mesmo tempo. "Magia de ilusão, querido diretor. Sua relâmpago consegue atingir o que não é real?"

A resposta de Nicolas foi outro Dardo de Tempestade, disparado direto no chão. A explosão destruiu a ilusão, revelando Torwan em meio a um passo à sua esquerda, com a mão brilhando com uma névoa violeta.

Um pulso de magia mental atingiu Nicolas como um martelo — imagens, vozes, flashes de dor destinados a quebrar seu foco. Mas ele atravessou aquilo como se estivesse caminhando na neblina, sua vontade inabalável. Sua mão direita voltou a crepitar, descarregando uma esfera de relâmpagos encadeados que correu pelas paredes, forçando Torwan a recuar.

Torwan reagiu com uma saraivada de lâminas espectrais, cada uma vibrando com energia psíquica. Nicolas levantou a mão esquerda, formando um glifo circular que começou a girar — Barreira de Mana — as lâminas estilhaçaram contra ela, fazendo faíscas.

"Você está fora de sua profundidade," afirmou Nicolas com frieza.

Ele firtou os dedos e uma onda de ar comprimido e relâmpagos bateu forte contra Torwan, fazendo-o escorar na parede de trás. O anão tossiu, as ilusões vacilando, o brilho violeta ao seu redor se apagando.

Nicolas deu um passo à frente, pronto para concluir. "Acabou."

Torwan gemeu no chão, a respiração pesada. Nicolas parou a poucos passos, com sua sombra alongando-se pelo escritório destruído. Raios de eletricidade residual ainda dançavam pelo braço direito de Nicolas.

"Levante-se," ordenou Nicolas. "Você está preso."

O corpo de Torwan fez um pequeno movimento… e então algo estava errado. Os contornos do rosto dele ficaram difusos, a pele palideceu, a barba diminuiu. Em segundos, suas feições se reconstituíram completamente, formando outra pessoa.

Os olhos de Nicolas se cerraram. Não era Torwan.

À sua frente jazia o assistente pessoal do diretor — o mesmo homem que Nicolas tinha visto antes na arena. Uma marca negra de escravo pulsava do lado do pescoço dele, com suaves vislumbres de magia ainda presas nela.

O assistente arfou, com os olhos vidrados e distantes. Ele fora magicamente compelido a lutar no lugar de Torwan.

Nicolas rangeu a mandíbula. "Aquele filho da mãe… salvou a própria pele."

Ele varreu o ambiente com o olhar, já calculando. O verdadeiro Torwan estava lá fora, em algum lugar de Tharvaldur, e cada segundo que Nicolas permanecia ali era um segundo de perda.


- POV de Torwan -

O verdadeiro Torwan caminhava por um beco lateral estreito, com o capuz baixo sobre o rosto. Os sons da cidade pareciam distantes aqui, abafados pelas altas paredes de pedra. Seu passo era tranquilo, quase casual.

'Acham que fiquei para proteger minha riqueza,' pensou satisfeito. 'Acham que morri agarrado ao meu império. Que assim seja. Quando perceberem o que fiz, já estarei longe de Tharvaldur.'

Permitiu-se um sorriso discreto. Mesmo com o rei-fantoche exposto, mesmo com a fábrica comprometida, governou as sombras desta cidade por anos. Se o poder não pudesse ser mantido, poderia ser reconstruído em outro lugar.

Chack!

Uma dor ardente e branca rasgou pela parte de trás das suas pernas. Torwan gritou, caindo de joelhos sobre os paralelepípedos sujos. Sua ilusão se desfez num brilho de luz, revelando seu verdadeiro rosto.

Uma figura encapuzada estava de pé sobre ele, com um brilho de aço desaparecendo na dobra de sua roupa.

"Você sabe…" a voz arrastou a palavra, cantando como uma cantiga quebrada, e depois sussurrou de forma cortante: "Eu disse… não foi? Disse que isso… isso é onde tudo termina, Torwan… ah sim, aqui mesmo, neste momento."

Antes que pudesse responder, a figura recuou e se fundiu às sombras.

"SEU FILHO DA PUTA!!!" gritou Torwan, o eco reverberando pelas paredes do beco.

Pés pesados se aproximaram dele. Noir, em sua forma quase de três metros, avançou pelo beco a toda velocidade. Ela não parou — passou por ele em direção à figura encapuzada.

Alguns segundos depois, Noel apareceu, com a respiração tranquila, olhos fixos em Torwan. Noir parou, seu alvo tinha desaparecido.

"Bem," disse Noel, puxando o Selo de Retorno do casaco, "parece que agora eu te peguei, seu maldito."

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