
Capítulo 271
O Extra é um Gênio!?
A rua de paralelepípedos que levava ao alvo estava silenciosa, exceto pelo marchar sincronizado das botas. Na frente caminhava Nicolas, ladeado pelo Professor Daemar e pelo Instrutor Rauk. O Diretor de Velmora e um de seus professores mais experientes seguiam bem atrás, com expressões tensas de raiva. Seraphina observava atentos, responsável por recolher cada detalhe para levar de volta ao rei Alveron IV.
Logo atrás, formava-se seu exército improvisado: os melhores estudantes da Academia de Velmora, da Grande Academia de Luceria e da Academia Imperial de Valor. As armas estavam prontas, os uniformes impecáveis, mas o ambiente ao redor deles estava carregado de expectativa.
Eles pararam pouco antes do prédio—um restaurante de alto padrão, com placa de madeira polida, luz acolhedora nas janelas e uma música suave ao fundo. Para quem passava casualmente, parecia algo inofensivo. Para eles, era a fachada do império de apostas de Torwan e tudo o que estivesse escondido por trás dela.
Nicolas virou-se para encarar os estudantes, seu olhar percorrendo cada fila.
"Vocês," começou, sua voz atravessando o ar noturno, "são o futuro dos seus reinos. As escolhas que fizerem neste momento vão moldar não apenas a vida de vocês, mas o mundo em que vivem. Classe, status e títulos não significam nada se vocês não conseguirem se manter de pé quando for preciso."
Deixou as palavras penduradas no ar, observando seus rostos—alguns determinados, outros nervosos, tenso.
"Quando o mal aparecer, vocês não vão poder escolher o horário ou o lugar. Ele chegará até vocês quando desejar, e terão que enfrentá-lo de frente. É isso que faremos hoje à noite. Vamos acabar com algo que jamais deveria ter existido."
Ninguém falou, mas as mãos se apertaram nas empunhaduras das espadas, varinhas e bastões. Não era preciso aplauso; a determinação nos olhos deles era suficiente.
Nicolas fez um gesto firme na direção da porta. "Fiquem perto, sigam as ordens, e ninguém aja sozinho."
Depois, ele voltou seu olhar para a entrada, os passos estalando sobre o paralelepípedo. As risadas abafadas e o tilintar de taças vindo de dentro pareciam deslocados, como uma lembrança final da arrogância que mantinha aquele lugar funcionando por tanto tempo.
O grupo se aproximou das escadarias na linha firme e ininterrupta. Mesmo de dentro, o som dos passos sobre a pedra chamava atenção—as conversas pararam, a música diminuiu.
Um homem de colete preto sob medida correu para bloquear a entrada, seu rosto educado, mas pálido. Seus olhos varreram a multidão: professores, diretores, Seraphina… e dezenas de estudantes de várias academias, todos devidamente uniformizados.
Os estudantes de Valor se destacavam mais. Os uniformes de Luceria e Velmora ainda eram reconhecíveis, especialmente agora, com as partidas do torneio ainda frescas na memória pública. A garganta do trabalhador se moveu ao engolir em seco. Este não era um encontro aleatório; era um espetáculo. E, pelo nível de tensão no ar, algo sério estava para acontecer.
Ele tentou manter a compostura. "Nomes, por favor. Esta é uma propriedade privada."
Nicolas avançou sem parar. "Nicolas von Aldros."
O rosto do trabalhador se quebrou, uma mistura de pânico nos olhos. "Você… não está na lista."
"Diga ao Torwan que estou aqui," disse Nicolas, sua voz calma, mas cortante.
O nome caiu como um impacto. O homem congelou, percebendo que não estava apenas diante de uma figura poderosa—ele estava diante de alguém que seu chefe conhecia pelo nome. Com a visão dos tantos estudantes e funcionários de elite atrás de Nicolas, ele já podia imaginar as consequências de recusar-lhes atenção.
Com um movimento abrupto, ele fez um passo de lado. "Por aqui, senhor."
Ao abrir a porta, o murmúrio do restaurante diminuiu. Os clientes se voltaram em suas cadeiras, olhos arregalados de curiosidade ou assustados. Decenais mascarados pausaram a bebida, alguns cochichando rapidamente uns com os outros.
À frente, Tyria se moveu com propósito, guiando o grupo entre as mesas lotadas em direção a uma porta discreta na parte de trás do salão. Seus passos não vacilaram; ela sabia exatamente onde deveriam ir.
Sem hesitar, Tyria abriu a porta discreta, revelando uma escada estreita de pedra que spirala para baixo. O ar ficou mais frio a cada degrau, carregando um leve cheiro de vapores alquímicos vindo lá de baixo.
O grupo desceu em formação—Nicolas na frente, Daemar e Rauk logo atrás, o Diretor de Velmora e os demais instrutores mantendo os estudantes em uma coluna fechada. O murmúrio do restaurante desapareceu, dando lugar a um silêncio inquietante.
No meio do caminho, a passagem se alargou em uma grande plataforma—e lá estavam. Quase cinquenta guardas com armaduras de couro escuro, os olhos brilhando de forma antinatural sob a luz das tochas. Nicolas reconheceu na hora: eram os aprimorados de Torwan, impulsionados por seus sistemas, conferindo-lhes velocidade e força sobrenaturais.
Um deles avançou, voz baixa e hostil. "Área restrita. Voltem."
Nicolas não diminuiu a marcha. Seu olhar passou por eles uma vez, medindo distância e espaço. "Vocês cometeram um erro ao ficarem aqui."
O homem rosnou e ergueu sua arma. "Última advertência—"
"Stormpiercer," disse Nicolas.
Mana explodiu ao seu redor, o ar crackando enquanto uma lança de relâmpago cegante saía de sua mão. Ela atravessou a linha de frente com um estrondo ensurdecedor, se dividindo em arcos ramificados que saltaram de um guarda ao outro, engolfando toda a formação. As paredes tremeram com o estrondo, e em menos de um piscar de olhos, a maioria ficou no chão—indormida, fumegando, completamente incapacitada.
Era Stormpiercer, mas ampliado—o dobro da força bruta que Noel tinha conseguido reunir, cada arco de relâmpago mais afiado, mais pesado e mortal na precisão.
Os poucos remanescentes, protegidos por sua posição ou sorte, mal tiveram tempo de se recuperar antes que Daemar e Rauk passassem por Nicolas, envolvidos no combate corpo a corpo. Os instrutores das outras academias também se uniram à luta, enquanto os estudantes se dispersaram em grupos coordenados, sobrecarregando os atrasados.
Em poucos minutos, a plataforma ficou silenciosa, exceto pelo sutil crackle da eletricidade dissipando-se. O cheiro de ozônio impregnava o ar.
Nicolas abaixou a mão, os olhos glaciais. "Afaste-os. Vamos passar."
O grupo passou sobre os corpos inconscientes e avançou até a porta pesada na extremidade do espaço.
Nicolas empurrou-a, a dobradiça de metal gemendo em protesto.
Uma onda de calor e o cheiro de suor os atingiram instantaneamente. Eles saíram em um amplo balanço de aço preto, com vista para uma imensa fábrica subterrânea iluminada por luzes de mana foscas e piscantes.
Abaixo, centenas de anões, humanos e semi-bestas trabalhavam incessantemente em longas fileiras de mesas e máquinas. O som de metal batendo, vapor chiando e o tilintar de frascos de vidro enchia o espaço cavernoso.
Cada trabalhador tinha a mesma marca de escravo queimada no pescoço.
Tyria congelou. Seus olhos varreram a multidão, desesperados, até que de repente ela ofegou. "Mãe! Pai!"
Dois anões em uma mesa ergueram a cabeça de repente. As mãos da mulher pararam no meio do movimento, os olhos arregalaram, enquanto a boca do homem caiu de surpresa.
"É ela…" sussurrou a anã. "É nossa garota…"
Ao lado de Tyria, o Diretor de Velmora se inclinou para frente, com tom de voz tenso de raiva. "Isso é o que Torwan tem escondido. Trabalho forçado sob seu controle."
O Instrutor Rauk cerrava os punhos. "Todos eles têm a marca."
O tom de Nicolas era gelo. "Não por muito tempo. Primeiro, vamos garantir o prédio. Depois, quebrar as marcas." Ele virou-se para os professores e estudantes. "Tranque todas as saídas e coloquem amarras de contenção. Ninguém entra ou sai sem minha ordem."
Professor Daemar concordou com um aceno rápido. "Entendido."
Tyria segurou a grade com força, o corpo tremendo. "Eles não podem ficar aqui por mais um minuto."
"Não vamos abandoná-los," prometeu Nicolas, enquanto seus olhos varriam o vasto espaço abaixo. "Mas Torwan ainda está em algum lugar nesta construção. E, enquanto não o encontrarmos, cada segundo que ficarmos aqui é um segundo para ele também escapar. Charlotte, quando a Redna chegar, você deve dar uma bênção para ajudar as pessoas. Sei que não será fácil."
Os estudantes ficariam surpresos ao ouvir isso. Claro que só a Santa ou alguém de alta patente na igreja poderia conceder bênçãos, o que significava que isso não seria segredo mais. Charlotte assentiu, pronta para cumprir seu papel.
O Diretor de Velmora deu um passo à frente. "Mantemos essa posição. Sigam."
O olhar de Nicolas focou na extremidade da fábrica, onde uma série de portas fechadas alinhava-se na parede. "Ele está aqui. Eu sinto isso."
Começou em direção às escadas sem olhar para trás. "Protejam os trabalhadores. Eu vou lidar com Torwan."