O Extra é um Gênio!?

Capítulo 270

O Extra é um Gênio!?

As enormes portas da sala do trono rangeram ao se abrirem, o som reverberando pela câmara alta de pedra. Balthor entrou primeiro, seguido por Redna, Noriel, o conselheiro e o general.

O "rei" estava reclinado no trono, uma perna pendurada de maneira relaxada sobre o braço. Uma barril inteiro de cerveja descansava ao seu lado, com uma caneca já na mão. Sua postura era descontraída — excessivamente descontraída — e o olhar vazio, semicerrado, fazia parecer mais alguém que desfruta de uma longa bebida em uma taverna do que um governante de um reino.

O olhar de Balthor se estreitou. Não precisou de mais que alguns segundos para reconhecer a linguagem corporal. 'Ele é igual a mim…'

Ele respirou lentamente. 'Mas eu sou o verdadeiro herdeiro. Acho que vou ter que assumir o papel. Aquele garoto Noel… vai me fazer trabalhar. E eu estava tão confortável na minha casa, no Martelo do Cão, o bar... Acho que vou ter que deixar alguém lá responsável.'

O olhar do rei desviou para eles. Ele se endireitou um pouco, mas só o suficiente para parecer apresentável. Quando falou, sua voz soou plana, como uma fala decorada repetida várias vezes.

"Sejam bem-vindos… estimados convidados. A que devo a honra?"

Balthor não respondeu de imediato. Seus olhos permaneceram fixos no homem, estudando cada movimento preguiçoso. O que quer que fosse aquilo, não parecia a postura de um rei eleito pelo povo — pelo menos, não sem uma mão firme guiando o processo.

A expressão de Noriel era indecifrável, mas Balthor podia perceber que o anão mais velho estava preparado para falar assim que fosse a hora. Redna, por sua vez, já dava um passo à frente, com a mana piscando levemente nas pontas dos dedos.

O ar na sala do trono parecia mudar. Os guardas alinhados nas paredes se endireitaram, percebendo que algo muito mais sério do que uma visita formal estava prestes a acontecer.

Redna deu mais um passo à frente, com algum estrondo ao tocar o chão com os saltos. A aura de mana começou a girar ao redor de suas mãos, com uma luz dourada se espalhando como fogo líquido entre os dedos.

Ela olhou para o conselheiro e o general. "Queriam provas? Aqui estão."

Sem esperar permissão, ela estendeu as duas mãos em direção ao trono. Uma onda de energia dourada se espalhou, colidindo com um brilho tênue que envolvia o rei como um calor difuso. O impacto produziu um som de estalo agudo que ecoou pelo salão.

O brilho recuou por um momento, curvando e distorcendo a luz, mas a magia de Redna se intensificou, rasgando-a camada por camada.

Gaspes escaparam dos cortesãos quando a ilusão foi completamente destruída.

Onde havia poucos instantes uma figura régia vestida com roupas finas, agora encontrava-se um anão desgastado, com cabelo desgrenhado e uma coroa mal ajustada escorregando de lado na cabeça. As roupas reais pendiam frouxas sobre uma camisa suja, e ao redor do pescoço tinha a marca negra inconfundível da escravidão — linhas irregulares pulsando fracamente com magia residual.

Os olhos do homem vasculhavam a sala, com pânico surgindo por trás deles, mas ele permanecia sentado, como se não soubesse se fugia ou fingia que tudo estava bem.

O conselheiro olhou rapidamente para Noriel, sua voz baixa, mas firme. "Você disse a verdade."

O queixo do general se apertou enquanto ele avançava, encarando a figura no trono. "Essa marca… uma marca de escravidão?"

Noriel não respondeu. Agora, a verdade era clara para todos verem.

A sala do trono ficou em silêncio, exceto pelo leve zumbido da magia restante de Redna. Todos os olhos estavam fixos no anão desgastado, encurvado na cadeira real.

Noriel deu um passo à frente, sua voz calma, porém cortante no ar carregado. "Há dez anos, Tharvaldur escolheu seu governante por votação — um processo democrático que tinha como objetivo representar a vontade do povo."

Ele fez uma pausa, deixando as palavras se assentarem. "Mas a influência de Torwan permeia todas as áreas deste reino. Os votos foram manipulados. O conselho foi pressionado. Cada passo foi calculado para colocar este homem no trono."

Suspiros e murmúrios correram entre os nobres nas bordas do salão.

Balthor não pronunciou uma palavra. Apenas permaneceu com os braços cruzados, seu olhar fixo na figura fingindo ser rei. Ele só soube que seu irmão estava vivo há menos de dois meses—graças a Noel—e mesmo agora, a ideia de confrontar Torwan rodava na parte de trás de sua mente. Essa conversa virá… depois que tudo isso acabar.

A expressão do conselheiro endureceu. "Se o que você diz é verdade, isso não foi apenas uma enganação. Foi traição contra o próprio reino."

"É verdade," disse Noriel simplesmente, sem deixar espaço para dúvidas.

O anão no trono engoliu em seco, os dedos apertando o braço do assento como se pudesse se proteger das acusações.

Redna se aproximou do trono, reunindo sua magia mais uma vez, desta vez mais afiada e focada. O anão desgastado se tensou, lançando olhares nervosos entre ela, o general e o conselheiro.

"Isso vai doer," ela falou de modo monótono.

Um feixe estreito de luz dourada saiu das pontas de seus dedos, atingindo a marca negra no pescoço dele. A magia chispeou contra a marca amaldiçoada, fumaça subindo enquanto as linhas irregulares começavam a desaparecer. O homem fez uma careta e soltou um gemido contido, mas em segundos, a marca sumiu.

Assim que desapareceu, ele se deixou cair para a frente, exalando lentamente, passando a mão pelo pescoço. "Certo… certo, eu vou falar."

Todos se aproximaram.

"Eu era apenas um mendigo na rua," começou, a voz tremendo. "Torwan, o mestre da Academia Tharvaldur, me encontrou, me arrumou, disse que eu poderia ser rei se fizesse o que ele mandasse. Sem mais noites congelando, sem mais fome… Eu não recusei."

O general avançou, seu olhar como uma lâmina. "Então você era cúmplice voluntário?"

O homem hesitou, lambendo os lábios. "No começo… não. Mas depois de um tempo—" ele deu um ar de fraco encolher de ombros— "ter uma coroa e servo não era exatamente algo que eu queria abrir mão."

Um sentimento de revolta tomou conta do salão — gritos, acusações, pedidos de punição. Guardas avançaram, segurando-o pelos braços e arrastando-o para fora do trono.

Noriel virou-se para a corte reunida, sua voz se espalhando pelo caos. "Até que a sucessão oficial seja declarada, eu atuarei como regente. E, quando chegar a hora, Balthor assumirá seu legítimo lugar como rei de Tharvaldur."

Balthor soltou um suspiro quieto. 'Acho que o Martelo do Cão vai precisar de um novo gerente.'

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