O Extra é um Gênio!?

Capítulo 269

O Extra é um Gênio!?

- Ponto de vista de Balthor -

A estrada para o Castelo de Tharvaldur estava silenciosa. Os cidadãos não tinham ideia do que havia acabado de acontecer na arena. A única sensação de desconforto vinha da fila de guardas armados marchando ao lado deles, com lanças brilhando sob a luz que penetrava o teto da caverna.

As grandes portas se erguiam à frente, de pedra sólida reforçada com largas tiras de aço enegrecido. O olhar de Balthor permaneceu nelas por um longo instante antes de soltar uma respiração lenta. 'Mais de cinquenta anos desde a última vez que passei por aqui', pensou, a lembrança carregando um peso estranho no peito.

Ao seu lado, Noriel caminhava com a calma silenciosa de quem sabia exatamente o que sua presença significava. Redna, alerta mas silenciosa, mantinha a passo um passo atrás deles.

A cabeça de Balthor divagou enquanto se aproximavam do portão. Ele e Torwan—irmãos, ambos nascidos com direito ao trono. Contudo, o rei anterior, seu pai, os mantivera escondidos da corte e do olhar público. Uma decisão feita para protegê-los, ou assim lhe dissera. Pouquíssimas pessoas sabiam a verdade. Na realidade, além de seu pai e Torwan, havia apenas um homem que carregava esse segredo sem jamais traí-lo—Noriel.

A lembrança daquele tempo parecia distante, quase como uma história contada na juventude, mas ao se aproximar dessas paredes, ela se tornava real de novo.

Os porteiros gritaram uma ordem, e as portas de pedra maciças começaram a se abrir com um som profundo de ranger. Duas fileiras de guardas se formaram na entrada, criando um corredor de aço e pedra por onde passariam.

Os olhos de Balthor cruzaram rapidamente com os rostos ali presentes—alguns curiosos, outros indiferentes. Nenhum deles o reconheceu. Isso lhe agradou bastante. No entanto, Noriel… ele sabia que a aparência do dwarf mais velho não passaria despercebida assim que entrassem.

As portas pesadas se abriram completamente, revelando o grande pátio interno do Castelo de Tharvaldur. Balthor avançou, com os passos firmes ao tocar o chão de pedra, o olhar fixo à frente.

Ele lançou um olhar para Noriel, cujo semblante sereno não revelava nervosismo algum. O dwarf mais velho já estivera ali inúmeras vezes, sempre como a mão direita do velho rei. Agora, após mais de uma década afastado, ele retornava ao coração do reino—não como um servo, mas como o catalisador de qualquer tempestade que estivesse por vir.

O hall de entrada era tão vasto quanto Balthor recordava— tetos abobadados esculpidos na própria montanha, pisos de pedra polida refletindo o suave brilho das mana-lampadas. O ar aqui era mais frio, carregando o cheiro sutil de pergaminho antigo e ferro.

Redna caminhava entre os dois dwarves, inspecionando a multidão. Depois de alguns passos, ela se inclinou para Noriel e falou baixinho. "Por que eles estão olhando pra gente?"

Os olhos de Noriel piscaram brevemente para um grupo de nobres bem vestidos, cuja conversa parou no instante em que ele cruzou com o olhar deles. "Eles não estão olhando para a gente," ele respondeu calmamente. "Eles estão olhando para mim."

Balthor levantou uma sobrancelha, mas não disse nada.

"Fui a mão direita do rei anterior por mais de um século," continuou Noriel, com voz firme, como se estivesse recitando um fato, não se vangloriando. "Quando o trono trocou de mãos há uma década, e o pai de Balthor morreu... Eu decidi desaparecer. Recusei servir a um rei que não fosse um descendente direto. Torwan tinha desaparecido, Balthor não queria a coroa, então..." Ele deu uma leve smug. "...Abri uma loja de roupas, na prática."

Redna piscou para ele. "Isso… é surpreendentemente mundano."

"Me manteve vivo," Noriel respondeu simplesmente.

Os murmúrios ao redor deles ficaram mais altos. Nomes eram sussurrados, perguntas trocadas em tom baixo. Mais de um nobre inclinou-se para enxergar melhor.

Uma batida pesada de passos veio da extremidade oposta do hall. Um anão de ombros largos, trajando uma armadura ornamentada, parou na frente deles, com o elmo apoiado debaixo do braço. Sua expressão era severa, mas seu tom de voz respeitoso.

"Noriel. Eu nunca imaginei que fosse te ver de volta nessas paredes."

Noriel inclinou a cabeça. "General. Você ainda está respirando. Ótimo."

A boca do general se curvou levemente em um sorriso quase imperceptível antes de se endireitar. "O conselho quer falar com você. Siga-me—há bastante o que discutir, e não é uma conversa para o salão aberto."

Sem esperar concordância, virou heel e saiu caminhando em direção aos corredores internos.

Noriel olhou brevemente para Balthor e Redna. "Devemos ouvir o que eles têm a dizer. E imagino que vão querer ouvir mais de nós."

Balthor deu um único aceno, seus passos ressoando no piso polido enquanto seguiam o general mais fundo no castelo.

À medida que avançavam pelo corredor, um ancião conselheiro apareceu do lado oposto. Ele parou no exato momento em que seus olhos encontraram Noriel.

"Pela forja… Noriel?" disse, a voz surpresa.

Uma onda de murmúrios se espalhou entre os presentes ali. Toda a atenção virou-se para o veterano alfaiate.

Noriel assentiu levemente. "Já faz um tempo, conselheiro."

"'Faz tempo'… Você desapareceu há uma década, quando o trono trocou de mãos. Muitos acreditavam que você estivesse morto—ou exilado."

"Não fui nenhuma das duas coisas," respondeu Noriel com calma. "Recusei simplesmente servir a um rei que não fosse um descendente direto daquele ao qual jurei lealdade."

O olhar do conselheiro se desviou brevemente para Balthor, depois voltou para Noriel. "E agora você retorna, escoltado? Com que propósito?"

"Isso," disse Noriel, "é algo que devemos discutir em particular."

O general interveio. "O conselho está pronto para recebê-los. Sigam-me."

O conselheiro hesitou por um momento, ainda estudando Noriel, depois assentiu lentamente e fez um gesto para que continuassem em direção à câmara privada.

A porta da câmara privada se fechou com estardalhaço, selando-os lá dentro. Somente o conselheiro, o general, Balthor, Redna e Noriel permaneciam.

Noriel avançou sem hesitação. "Vou ser direto. Balthor é o legítimo herdeiro do trono de Tharvaldur."

Os olhos do conselheiro se moveram lentamente em direção a Balthor. Ele escaneou o rapaz de cima a baixo, fixando-se no cabelo levemente desgrenhado, no cheiro sutil de cerveja ainda grudado na roupa, e na expressão de desdém no rosto dele.

"…Ele parece um anão bêbado que vocês puxaram de uma taverna."

Noriel assentiu sem hesitar. "Sim. Mas ele ainda é o legítimo herdeiro."

Balthor franziu os olhos. "Você poderia ter deixado de fora a palavra 'bêbado'."

"Não teria sido preciso ser exato," respondeu Noriel, em tom plano.

O conselheiro esfregou as têmporas. "Que Deus nos ajude…"

Noriel continuou como se nada tivesse acontecido. "O rei atual é uma marionete. Ele usa magia ilusória para esconder sua verdadeira natureza e ações. Ele está sendo controlado pelo Diretor Torwan, do Instituto de Magia Arcana de Tharvaldur, e eu posso provar isso."

Apontou para Redna. "Ela é a diretora da Academia Luceria. Sua posição e testemunho apoiarão minha alegação. Com a palavra dela e a minha, podemos desmascarar a ilusão do rei e prendê-lo."

O olhar do conselheiro passou de Redna para Balthor, depois para Noriel. "Se vocês estiverem mentindo, não serão apenas exilados—perderão a cabeça. Todos vocês."

Noriel não vacilou. "Entendido. Mas servi ao antigo rei por mais de um século. Não vou ficar parado enquanto um impostor aquece o trono."

Houve uma longa pausa antes que o conselheiro soltasse um suspiro pesado. "Muito bem... Confio em vocês, Noriel. Mas se isso der errado, vocês desejarão ter ficado na loja de roupas."

A resposta de Noriel veio monótona. "Claro."

Balthor resmungou baixinho: "Ainda podia ter deixado de fora a parte do 'bêbado'."

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