O Extra é um Gênio!?

Capítulo 279

O Extra é um Gênio!?

As ruas de Tharvaldur estavam lotadas de pessoas. Anões, comerciantes e famílias se apertavam, todos caminhando na mesma direção: o castelo subterrâneo onde o futuro do reino seria anunciado. O ar estava carregado de tensão, uma mistura de nervosismo e expectativa após tudo o que acontecera.

Noel caminhava entre a multidão com Elena ao seu lado. Ele vestia o terno verde-escuro que comprara na loja de Noriel, afiado e formal, fazendo-o parecer mais um nobre do que um estudante. Elena usava um vestido pálido de amarelo, simples mas elegante, com seus cabelos platinados soltos sobre os ombros.

Na escadaria do castelo, Elyra já aguardava. Vestia um vestido vermelha intensa que grudava ao corpo, com os longos cabelos negros trançados cuidadosamente, e seus olhos cinzentos vasculhavam a cena com um olhar calmo e avaliador.

Elyra sorriu ao verem-se chegando. "Chegaram cedo."

Noel deu de ombros. "Não queria perder a coroação do bêbado. Você está bonita nesse vestido."

"Ah, é?" Elyra inclinou a cabeça, com os lábios curvados. "Está insinuando alguma coisa, Noel Thorne?"

Elena ficou instantaneamente vermelha, com as orelhas tremendo. "Não acha que seja um pouco cedo para isso, Elyra?"

"Hmm, talvez sim," Elyra respondeu de leve, então se aproximou com um brilho de provocação nos olhos. "Mas posso perceber que você foi quem ficou com ele ontem à noite. Aconteceu algo interessante? Quer me contar?"

O rosto de Elena ficou vermelhor, com as orelhas acesas de vergonha. "N-nada! Foi só que dormimos."

"Bem, se não quer compartilhar, tudo bem." Elyra sorriu com ar de cúmplice. "Eu estarei ocupada mais tarde, aliás. Pedi uma reunião com Noriel."

Noel franziu a testa. "Por quê?"

Elyra lhe lançou um olhar. "Querido, você esqueceu quem eu sou? Onde há lucro, os Estermont aparecem. E vamos precisar começar a economizar para uma grande casa para todos nós, não acha?"

"Você não acha que pelo menos deveríamos terminar a academia primeiro?" Noel murmurou.

Elyra sorriu de lado. "Não precisa. Eu posso sustentar todos nós."

"…Quando tudo isso acabar, talvez," Noel respondeu.

"Então, está combinado." Ela olhou para Elena. "Você é minha testemunha."

Elena assentiu timidamente, com as orelhas longas avermelhadas.

Os três entraram juntos no castelo, onde Nicolas já os aguardava para acompanhá-los lá dentro.

Nos corredores do castelo, o ruído da multidão se transformou em um zumbido constante, abafado pelas paredes de pedra e pelas bandeiras.

"Você fez um bom trabalho, Noel," disse Nicolas enquanto andavam. "Podia ter sido muito pior."

Noel arqueou uma sobrancelha. "E fora de Tharvaldur? Como está a situação em Valor?"

Nicolas cruzou as mãos atrás das costas. "O exército privado do rei Alveron já foi mobilizado. Estão procurando os dois inimigos que conhecemos no nosso continente, mas… "Ele respirou fundo. "Dado a vastidão de Valor, encontrá-los não será fácil. Pode levar semanas, até meses."

— Então os Pilares Quarto e Terceiro ainda estão soltos… — pensou Noel com uma expressão sombria.

Antes que pudesse insistir mais, um guarda se aproximou e se curvou profundamente. "Senhor Balthor solicita sua presença antes da cerimônia."

Nicolas acenou com a cabeça e sinalizou para Noel segui-lo.

Foram conduzidos a uma sala menor, cujas paredes estavam decoradas com velhas bandeiras e escudos de Tharvaldur, desgastados pelo tempo. Balthor já esperava lá, vestido com uma armadura cerimonial, seu comportamento usualmente relaxado substituído por algo mais pesado, mais formal.

Quando viu Noel, um sorriso surgiu no canto de sua boca, embora logo estivessem se desvanecendo. "Não achei que fosse acabar assim. Nunca quis a coroa… mas agora não tenho escolha."

Noel sorriu de relance. "Se a situação ficar difícil, joga tudo no Noriel. Parece estar acostumado com isso."

Balthor soltou uma risada curta, e a tensão na sala diminuiu por um instante.

Porém, Noriel permaneceu sério. "Não é uma batalha que você possa vencer com cerveja ou bravata. Vai precisar reconquistar a confiança, limpar a corrupção e suportar o peso de cada erro que seu irmão deixou. Isso vai testar você mais do que qualquer luta."

O sorriso de Balthor desapareceu. Olhou nos olhos de Noel. "Se precisar de mim, lembre-se — agora você tem um reino inteiro apoiando você. O mínimo que te devo."

O peito de Noel apertou um pouco com as palavras. "…Contarei com você."

Os três ficaram em silêncio, enquanto o peso do que estava por vir se instaurava no ar.

Momentos depois, as portas da câmara se abriram, e o som distante de vozes tumultuadas entrou. Noel acompanhou Balthor e Noriel pelos corredores do castelo, cada passo os levando mais perto do coração de Tharvaldur. O barulho aumentava a cada curva, até que o caminho se abriu para uma cena ofuscante de tochas acesas e a imensa praça principal.

A praça subterrânea se estendia larga, escavada no próprio coração da montanha. Colossais pilares de pedra sustentavam o teto da caverna, enquanto pontes arqueadas e varandas esculpidas estavam lotadas de cidadãos acenando bandeiras e tochas. O murmúrio de milhares de vozes ecoava como um trovão contínuo.

No centro, um grandioso palco coberto por bandeiras com o brasão real. O ar estava carregado de fumaça, ferro e expectativa.

Noel, Elena e Elyra ficaram numa seção reservada acima da multidão, ao lado de nobres, professores e estudantes estrangeiros. Estavam presentes Marcus, Clara, Garron, Laziel, Roberto, Selene e até a princesa Seraphina. Do ponto de observação, podiam ver o mar de anões abaixo, os rostos de comerciantes, soldados e trabalhadores que resistiram anos sob a sombra de Torwan.

A multidão silenciou quando Noriel subiu ao palco. Sua presença já comandava silêncio antes mesmo de falar, sua voz ecoando facilmente pela caverna.

"Povo de Tharvaldur," começou Noriel, com tom firme e solene. "Por anos, vocês viveram sob mentiras. Disseram que um rei governava vocês, quando na verdade, ele era apenas um palhaço manipulado. Foi Torwan, seu suposto protetor, quem controlava as cordas."

Soltas de surpresa e gritos de raiva percorreram a multidão. Noriel não hesitou. "Fábricas de sofrimento. Famílias escravizadas. Crimes enterrados na escuridão. Essa é a herança que ele deixou."

A atmosfera ficou tensa, mistura de dor e fúria. Noel sentiu o peso de uma nação confrontando a traição.

Noriel levantou uma mão, elevando a voz. "Porém, Tharvaldur não caiu. Graças à coragem de muitos, às Sacrifícios do nosso povo e sim, até à ajuda de estudantes estrangeiros que estiveram ao nosso lado, resistimos."

Os murmúrios se intensificaram, alguns olhares se voltando para os estudantes estrangeiros. Sussurros de respeito passaram pelos anões.

As últimas palavras de Noriel foram duras. "Agora, a confiança deve ser reconstruída. E para isso, um novo rei surgirá. Balthor, filho do nosso falecido rei, restabelecerá a honra desta nação!"

O rugido da plateia atingiu o auge quando Balthor entrou no palco. Vestia sua armadura cerimonial, o aço polido brilhando sob as tochas, com uma expressão firme, distante do bêbado que Noel zombara uma vez.

Noriel ficou ao lado dele, segurando a coroa — uma diadema pesada de ferro preto, gravada com runas antigas que brilhavam suavemente na luz da fogueira.

"Tharvaldur suportou," declarou Noriel, com voz forte que ecoava pela caverna. "Agora, ela ressurgirá."

Balthor se ajoelhou. Noriel baixou a coroa sobre sua cabeça.

A caverna explodiu em aplausos. Uma onda de gritos sacudiu os pilares de pedra enquanto os habitantes de Tharvaldur clamavam pelo nome de Balthor, suas vozes reverberando sem parar pelos corredores da montanha.

Noel ficou entre os estudantes estrangeiros, observando em silêncio. 'De um bêbado numa taverna… a rei de uma nação inteira. Era isso que devia ter acontecido desde o começo na história original.'

Balthor se levantou, levantando a coroa bem alto para todos verem. Os gritos aumentaram ainda mais, inundando a praça em uma celebração tumultuosa.

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