O Extra é um Gênio!?

Capítulo 289

O Extra é um Gênio!?

Ainda havia o cheiro de mana e pedra fria no ar da câmara alta quando a tela azul começou a se iluminar diante dos olhos de Noel.

[Nova Missão: Salvar a vida de Nicolas Von Aldros.]

[Limite de tempo: 14 minutos e 49 segundos.]

Os dígitos começaram a contar implacavelmente. 14:48. 14:47.

A expressão de Noel endureceu, a confusão cortando seu peito. Nicolas von Aldros? Salvar a vida dele? Isso não fazia sentido. Nicolas era um dos homens mais poderosos que existiam—quem poderia ameaçá-lo aqui, em Tharvaldur, logo após o fim do torneio?

'O que está acontecendo? Por que Nicolas? Quem poderia tocar nele?'

Só uma possibilidade se entranhou na mente de Noel: a Primeira Coluna. Aquela figura estranha e imprevisível que tinha intervindo com Torwan dias atrás, e a única coluna que ainda permanecia em Tharvaldur. Se alguém pudesse ameaçar Nicolas, era ela.

Seus olhos esmeralda fixaram-se na tela brilhante, assistindo aos segundos que escorriam sem misericórdia. A urgência torcia seu estômago. Não era como outras missões. Nem um mês, nem uma semana. Quinze minutos.

A voz de Balthor trovejou ao seu lado. "O que há de errado, rapaz? Não está satisfeito com o que escolheu?"

Noel não respondeu. Nem mesmo olhava mais para a câmara do cofre. Sua mão direita foi até o cinto, fechando os dedos ao redor da bolsa dimensional. Ele sabia do que precisava. O sigilo.

Seu pulso martelava contra os ouvidos enquanto o cronômetro diminuía.

14:32. 14:31.

A contagem cruel do sistema já o arrastava para frente.

Ele puxou a pequena pedra entalhada, uma luz tênue brilhando em suas runas. O objeto que Nicolas mesmo lhe tinha entregue semanas atrás.

A tela piscou novamente.

[Item Identificado]

Nome: Sigilo de Retrocesso

Classificação: Raro

Tipo: Utilidade

Descrição: Permite sinalização de emergência para uma pessoa marcada. Vinculado a: Nicolas von Aldros.

A mandíbula de Noel se contractedou. Ele forçou mana para o sigilo, cada pensamento se concentrando em um único pedido desesperado.

'Por favor. Funcione.'

O sigilo brilhou violentamente na palma da mão de Noel, as runas queimando com um brilho vermelho-ferrugem. Por um instante, parecia que funcionava—o ar vibrava com um zumbido baixo, prateleiras trepidando com a força da mana.

Porém, ninguém apareceu.

A luz piscou, tremulou uma vez mais e desapareceu completamente. A pedra entalhada ficou fria e inerte em sua mão.

A respiração de Noel ficou presa na garganta. "Droga."

O cronômetro do sistema pulsava no canto de sua visão, implacável na sua nitidez.

[Limite de tempo: 14 minutos e 12 segundos.]

Cada segundo parecia uma martelada.

Ele recolocou o sigilo inerte na bolsa e virou-se abruptamente para Balthor, a voz cortando a câmara como uma lâmina de aço. "Nicolas está em perigo. Ele vai morrer em menos de quinze minutos se não agirmos."

Balthor parou de uma passo, fitando-o. A princípio, sua expressão era quase brincalhona, como se Noel tivesse contado a piada mais tola do dia. "Pois é, rapaz. Essa é uma afirmação pesada. Por que você—"

Ele congelou. Os olhos esmeralda de Noel estavam fixos nele, tremendo de urgência, mas queimando com determinação absoluta. Sem traços de humor. Sem engano.

O sorriso de Balthor desapareceu do rosto.

Noel avançou, sua voz mais cortante. "Não estou blefando. Não tenho tempo para explicar. Nicolas vai morrer."

Noriel se mexeu desconfortável, segurando o pergaminho com mais força. Selene, silenciosa até então, inclinado a cabeça levemente, seu olhar frio ciano fixo em Noel, lendo-o com a mesma precisão distante que carregava em todas as lutas.

O peso das palavras fillhesempre Di ares na câmara, pressionando todos eles.

A mandíbula de Balthor se travou. Seu tom perdeu toda leveza. "Muito bem. Mobilizarei os soldados. Mas se vamos contar os minutos—"

O cronômetro pulsou novamente na visão de Noel.

[Limite de tempo: 13 minutos e 55 segundos.]

A contagem regressiva acabara de começar.

Os olhos de Balthor se estreitaram, seu sorriso habitual desapareceu. Levantou a mão, já sinalizando Noriel. "Mobilize a guarda. Agora."

Noriel não hesitou. Guardou o pergaminho debaixo do braço e saiu correndo do cofre, os passos batendo forte contra a pedra.

O peito de Noel apertou enquanto a janela azul piscava novamente.

[Limite de tempo: 13 minutos e 42 segundos.]

Cada segundo escorria como areia em ampulheta.

Balthor se virou de volta. "Para onde?"

Noel forçou-se a focar. "Na arena. O torneio acabou minutos atrás—ele ainda deve estar lá. Provavelmente no escritório do diretor."

Balthor bufou. "Então vá. Você é mais rápido sozinho. Eu o seguirei com os soldados."

Noel assentiu uma vez, já se encaminhando para a saída. Mas antes que pudesse partir, uma voz cortou a câmara.

"Eu vou também."

Selene ficou logo atrás, a varinha ao lado, a expressão calma mas os olhos firmes. Ela ficou em silêncio durante toda a troca, mas agora o olhar fixou-se em Noel.

Ele parou, respirando com dificuldade, a urgência pintada no rosto. "Isso não—"

Ela deu um passo à frente, interrompendo. "Já vi esse olhar antes. Igualzinho quando você me ajudou a enfrentar minha mãe. Posso ajudar, ele também é o Diretor da minha escola."

Suas palavras não tinham calor, apenas uma certeza fria.

Noel manteve seu olhar nela por um momento, então assentiu de forma rápida. "Tudo bem."

Juntos, correram pelo castelo, os passos ecoando no piso de pedra enquanto o som dos comandos de Balthor ainda ressoava atrás deles.

O cronômetro pulsou mais uma vez na visão de Noel.

[Limite de tempo: 13 minutos e 28 segundos.]

Cada batida do coração era mais um passo rumo ao desastre.

Noel e Selene saíram pelos portões do castelo e entraram nas ruas abaixo. A cidade montanhosa ainda vibrava de barulho—milhares de anões, humanos, elfos e demônios saindo da arena após a grande final. Os gritos de vitória haviam se transformado em uma maré caótica de vozes, passos e banners.

A lembrança fria do sistema pulsou novamente diante dos olhos de Noel.

[Limite de tempo: 13 minutos e 02 segundos.]

Ele cerrava a mandíbula e avançava. A multidão era densa, todo mundo de ombro a ombro, ansioso para sair ou celebrar. Era como tentar correr através de uma tempestade de pedra e carne.

Selene mantinha o ritmo com facilidade, seu cabelo azul curto chicoteando na luz tênue das cristais de mana. Ela não falava, mas sua presença era afiada ao seu lado, acompanhando cada passo com urgência.

Uma salva de aplausos aumentou enquanto eles passavam por uma das ruas laterais, as pessoas reconhecendo Noel e gritando seu nome como se ainda estivessem na celebração. Ele os ignoreu, empurrando com o ombro, cada segundo gritando na sua cabeça.

A arena se aproximava, seus arcos de pedra colossal brilhando fracamente com runas. Os portões ainda estavam abertos, e multidões de espectadores saíam como uma enxurrada, o barulho ecoando pela caverna. Para Noel, era um obstáculo.

"Vem!" ele gritou, forçando a passagem, Selene deslizando atrás dele como uma sombra cortando o gelo.

A voz retumbante do announcer que ouvira antes ainda parecia ecoar em seu crânio, mas agora o único som que importava era o tique-taque na sua visão.

[Limite de tempo: 12 minutos e 48 segundos.]

Eles ainda nem tinham chegado ao escritório.

O pulmão de Noel ardiam. Este não era um missão de um mês, nem um plano cuidadosamente elaborado. Pela primeira vez, o sistema o havia colocado em uma corrida contra o relógio.

E se falhasse—Nicolas von Aldros morreria.

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