
Capítulo 288
O Extra é um Gênio!?
A arena ainda retumbava de aplausos quando Balthor desceu os degraus de pedra, sua imensa figura impossível de passar despercebida. O novo Rei de Tharvaldur não usava armadura cerimoniosa pomposa — vestia apenas suas roupas normais de sempre. Ao seu lado, como sempre, caminhava Noriel, o anão de barba trançada e rosto severo, carregando um pesado pergaminho com ambas as mãos.
No centro da arena, Noel permanecia ereto, o Canino Espectro pendurado na cintura, enquanto a multidão entoava seu nome várias vezes. O eco de milhares de vozes dentro da montanha era ensurdecedor.
E, rompendo esse clamor, surgiu uma única voz descarada.
"Ele é meu namorado!"
Charlotte, de pé no alto das arquibancadas, agitava os braços sem nenhum sinal de vergonha. Suspiros e risadas percorriam a plateia, pessoas se virando para encontrar a garota de cabelo vermelho gritando alto o suficiente para que todo Tharvaldur ouvisse. Ela congelou por um instante, os olhos piscando para Elena e Elyra ao seu lado, e então aumentou ainda mais o volume da sua voz.
"Ele é nosso namorado!"
As palavras chegaram como um golpe de martelo. A audiência explodiu em conversas; alguns riam, outros batiam palmas, e alguns trocavam olhares perplexos. Elena cobriu o rosto com a mão, Elyra suspirou profundamente, e Charlotte simplesmente reforçou sua declaração, colocando as mãos ao redor da boca para garantir que ninguém tivesse dúvidas.
Balthor alcançou Noel, inclinado-se com um sorriso largo, suficiente para dividir a barba. Sua voz veio baixa, para que apenas Noel pudesse ouvir. "Boa, garoto, boa. Dobrei minha fortuna graças às suas apresentações. Hahaha."
Nosel não sorriu. "Não acha que há muitos olhos capazes de ler seus lábios agora?"
"Ah, não se preocupe. Nada para temer." Balthor riu sem se incomodar com o pensamento.
A celebração continuou em alto estilo, Charlotte ainda gritando, enquanto Noel permanecia no centro das atenções de todo o reino.
Noriel deu um passo à frente, com o pergaminho sob um braço, sua voz retumbando com a autoridade de um arauto experiente. "Com este anúncio, o Torneio das Academias de Tharvaldur chega ao fim! Nosso novo rei proclamado irá anunciar os resultados por grupo!"
A multidão silenciou quase instantaneamente, centenas inclinando-se para ouvir.
Balthor arrancou o pergaminho de Noriel, seu sorriso afiado. Sua voz ecoou sem dificuldade pelo arena, amplificada pelas runas gravadas nas paredes de pedra. Mas, antes de começar, ele se aproximou de Noel mais uma vez, sussurrando com uma risada. "Muito bem, garoto, muito bem. Hahaha."
Nosel retrucou, com a voz sem entonação. "Você não poderia ter guardado isso pra no final?"
Os olhos de Balthor brilharam. "Você me forçou a ser rei contra minha vontade. Você não merece surpresas." Ele soltou outra risada, ríspida, e voltou sua atenção para a multidão.
O arena permaneceu em silêncio, como um túmulo.
"Em quarto lugar", anunciou Balthor, "devido a tudo que aconteceu e à desqualificação — Instituto de Magia Arcana de Tharvaldur."
Silêncio absoluto. Nenhum brado, nem vaias. A multidão apenas abaixou a cabeça, uma raríssima demonstração de respeito por aqueles que caíram ou sofreram.
"Em terceiro lugar", continuou Balthor, "a Academia de Velmora!"
Um rugido que quebrou o silêncio. Os demônios com seus uniformes exclusivos gritaram e martelaram os pés, orgulhosos de sua colocação.
"Em segundo lugar…" Balthor deixou as palavras pendurarem-se no ar, saboreando a expectativa. "…Grande Academia de Lucéria!"
Os estudantes vestidos de violeta explodiram em aclamações, comemorando de forma desenfreada. Nenhum mais animado do que a pequenina Anastasia, a prodigiosa de cabelo vermelho que havia caído cedo para Noel, mas que comemorou com mais intensidade do que qualquer um.
"E, em primeiro lugar —" A voz de Balthor caiu como um martelo. "A Academia Imperial de Valor!"
O coliseu explodiu. Bandeiras da Valor agitavam-se furiosamente enquanto milhares gritavam o nome de Noel. Pela primeira vez na história, a academia deles conquistara o grande torneio de Tharvaldur.
O trovão da comemoração ainda ecoava pela montanha quando Balthor bateu no ombro de Noel. "Vamos, garoto. Você merece um prêmio."
Nosel piscou. "Agora?"
"Agora", sorriu Balthor, já dando as costas. "Você pode escolher o que quiser. E, já que encheu meus bolsos de ouro, vou até deixar você escolher entre as melhores coisas."
Selene apareceu pelo corredor que levava às câmaras dos finalistas, seu cabelo azul curto desalinhado, mas seus olhos cianos afiados como sempre. Noel desacelerou ao vê-la. "Selene?"
Balthor fez um gesto casual. "Claro. Cada um dos oito melhores recebe uma recompensa. Mas vocês dois? Podem escolher."
Sem esperar debate, o novo rei os guiou pelos corredores sinuosos da fortaleza, passando por corredores iluminados por tochas e descendo até câmaras mais profundas. Guardas abriram portas de ferro maciças enquanto eles se aproximavam, e logo os três estavam em uma câmara cavernosa, esculpida diretamente no coração da montanha.
Estantes e pedestais se estendiam em fileiras, reluzindo com armas, armaduras, objetos mágicos e relíquias — cada um vibrando com encantamentos. O ar tinha cheiro de mana, pesado e antigo.
Balthor abriu os braços. "Escolham o que quiserem, mas apenas um, hein, garoto? Não sejam gananciosos."
Nosel sorriu de lado. "Já me conhece bem demais, anão bêbado?"
Balthor levantou uma sobrancelha. "É assim que fala com um rei?"
"Você não é rei pra mim. Só um amigo. Certo, meia-tigela?"
Balthor clicou a língua, sem responder.
Nosel começou a vasculhar entre os artefatos, examinando com atenção. A habilidade dos anões era incomparável — cada item parecia inestimável. O Canino Espectro pesava em sua cintura, mas seus olhos buscavam algo realmente especial.
Então, de sua sombra, surgiu Noir. Ela avançou silenciosa, os olhos violetas fixos em uma exibição ao longe. Ela virou a cabeça, indicando que Noel se aproximasse.
Sombra de Noir se alongou pelo chão de pedra, apontando para um pedestal escondido entre duas prateleiras de lâminas encantadas. Sobre um veludo negro repousava uma coleira feita de correntes de prata-escura, com uma pedra preciosa negra que parecia devorar a luz ao redor.
Quanto mais Noel se aproximava, mais frio ficava o ar — não como o frost de Selene, mas algo mais pesado, mais profundo, como se a própria pedra lembrasse o vazio.
Ele estendeu a mão, tocando a superfície com os dedos. A joia pulsou suavemente, como se respondesse ao seu toque.
Uma mensagem surgiu diante de seus olhos:
[Item identificado: Colar Nexus Sombrio]
Relíquia ancestral dos anões, forjada com mana de aspecto sombrio. Concede ao portador maior afinidade com magia das sombras, estabilidade ao alternar entre luz e trevas, e resistência parcial à manipulação de gravidade.
Nosel respirou lentamente e guardou a coleira na mochila. Não perdeu a fração de segundos em que percebeu o leve brilho de aprovação no olhar violeta de Noir, antes dela desaparecer de volta em sua sombra.
Pela câmara, Selene já tinha terminado sua busca. Ela segurava algo próximo ao peito, expressão impenetrável como sempre. Noel inclinou a cabeça. "O que você escolheu?"
Ela não olhou para ele. "Não vou dizer."
Nosel deixou pra lá. Insistir só ia fazer ela ficar em silêncio.
Balthor bateu as mãos, sua risada ecoando pelos muros de pedra. "Muito bem, muito bem! Dois prêmios dignos de campeões! Agora — vamos voltar a celebrar!"
Porém, antes que Noel pudesse dar um passo, a familiar sensação do sistema pressionou sua mente.
[Nova Missão: Salvar a vida de Nicolas von Aldros.]
[Prazo: 15 minutos.]