O Extra é um Gênio!?

Capítulo 287

O Extra é um Gênio!?

Quem ficará de pé?

A voz do anunciador ecoou pelo coliseu, tremendo sob o peso do silêncio. Poeira e geada ainda cobriam o campo, consequência da tempestade e da nevasca que se recusaram a partir, grudadas em cada pedra. A multidão se inclinou para frente de forma uníssona, respirando profundamente, esperando o nevoeiro dissipar.

E então—duas silhuetas surgiram.

Suspiros correram pelas arquibancadas ao clarear a névoa, revelando ambos os combatentes ainda de pé. Noel permanecia com a Mandíbal Requiem ao seu lado, seu uniforme rasgado, um braço coberto de sangue, faíscas de eletricidade ainda percorrendo seu corpo. Em frente, Selene mantinha-se firme, com sua varinha de gelo na mão, uma bruma de geada cintilando ao redor de seu corpo, uma fina linha de vermelho nos lábios.

A voz do anunciador falhou. “Ambos resistem!”

A explosão de aplausos da plateia sacudiu as próprias paredes de Tharvaldur. Milhares gritaram, pisaram forte e entoaram cânticos, o barulho tão alto que abafou o som de vapor ainda escapando das engenhocas.

Noel ajustou sua postura, o peito subindo e descendo pesadamente, o suor escorrendo pelas feridas em sua pele. Selene limpou a geada de seu ombro, com os olhos azuis fixos, inabaláveis. Eles não trocaram palavras. Aqui, as palavras não tinham espaço.

O árbitro levantou novamente seu braço, seu grito amplificado pela magia. “Continua!”

Ambos os combatentes avançaram ao mesmo tempo. A espada de Noel ganhou chamas ao ser empunhada, descendo em um golpe. Selene ergueu sua varinha, convocando uma cortina de gelo para interceptar o ataque. A colisão explodiu em vapor, um silvo tão violento que ecoou como um trovão.

Centelhas e cristais de geada se dispersaram pelo campo de batalha. O impasse de seus ataques finais não decidiu a luta—pelo contrário, apenas a intensificou.

A voz do anunciador retornou, quase sem fôlego: “Este duelo… está longe de acabar!”

Selene fincou sua varinha no chão. “Explosão de Ponto Zero!”

O chão da arena se deformou, a gravidade se torcendo violentamente enquanto destroços, poeira e até fragmentos de gelo se arrastavam em direção à esfera que colapsava em seu centro. Noel cambaleou sob a força, seus botas avançando sobre pedra rachada. Ele deslizou, conjurando gelo. “Muro de Geada!”

Uma parede irregular de mana congelada surgiu à sua frente, mas quase que instantaneamente foi estilhaçada sob a força esmagadora do campo gravitacional. Estilhaços se espalharam enquanto a atração se intensificava, os puxando para a implosão.

Selene levantou sua varinha alto. “Florescimento Frígido!”

O chão de pedra sob Noel se abriu, formando um círculo de pétalas de gelo cortantes que se espiralavam para cima. Uma dúzia de lâminas cristalinas rasgaram seus braços e ombros, marcas vermelhas cortando sua pele enquanto passavam.

Noel rugiu através da tempestade de gelo, avançando com a palma da mão estendida. “Lançador de Chamas!”

Um fluxo de fogo engoliu o campo, varrendo o espetáculo de geada e transformando-o em uma nuvem de vapor fervente. As pétalas chiaram enquanto derretiam, vapores subindo em colunas espessas que obscureciam os combatentes.

Pela névoa, a silhueta de Selene avançava, a geada rastejando a cada passo. Noel avançou, atravessando a cortina, com Requiem Fang brilhando em uma luz avermelhada, ainda quente pelo fogo que insistia em se agarrar à lâmina.

A multidão explodiu de emoção — metade gritava pelo nome de Selene, a outra, por Noel — enquanto o chão do arena se partia entre cicatrizes congeladas e queimas de forno.

Nada recuou.

Por fim, ambos pararam no centro, seus corpos tensos, mana girando ao redor deles em ondas violentas.

Selene foi a primeira a atacar, sua varinha batendo no chão com força. “Aperto de Cryo!”

Mãos de gelo irregulares surgiram do chão, agarrando a perna de Noel e prendendo-o no lugar. O gelo crepitou para cima, ameaçando se espalhar por todo seu corpo.

Ela agiu imediatamente, sua forma se borrando enquanto invocava a gravidade sobre si mesma. “Passo de Gravidade!”

Seu corpo disparou para cima de forma quase sobrenatural, torcendo-se no ar antes de mergulhar em direção a ele, com a varinha apontada diretamente ao seu peito.

O corpo de Noel se tornou uma sombra ondulante. “Passo de Sombra!”

Sombras sob o gelo se transformaram em uma névoa negra, e sua forma desapareceu. O golpe de Selene acertou apenas a pedra rachada, sem alvo.

Ela girou rapidamente, sentindo um movimento — tarde demais. Noel surgiu das sombras alongadas atrás dela, com Requiem Fang levantado, chamas acendendo-se ao longo da lâmina amaldiçoada. “Impulso de Ignição!”

Em vez de golpeá-la, Noel torceu o pulso e pressionou a lâmina na braço dela com força. A força quebrou contra os ossos e músculos, fazendo seus dedos se abrirem de surpresa.

Sua varinha caiu ao chão com um estalo.

Suspiros de surpresa rasgaram a plateia.

Selene ficou parada, olhando para a mão vazia. A aura de gelo ao seu redor se desfez, a geada se transformando em uma névoa inofensiva. Do outro lado, Noel abaixou Requiem Fang, ainda levemente ardendo, com o peito arfando de exaustão. Ele não tentou terminar a luta.

O silêncio tomou conta do coliseu, decenas de milhares de espectadores prendendo a respiração.

Selene se abaixou lentamente, a mão pairando acima da varinha no chão—então parou. Endireitou-se, encarando Noel.

“Eu perdi.”

A voz dela permaneceu firme, fria como sempre, mas sem qualquer vergonha. Apenas a consequência final.

O árbitro levantou seu braço, a voz poderosa de magia: “Vitória—Noel Thorne!”

A arena entrou em caos, aplausos sacudindo a montanha inteira.

Selene pegou sua varinha, guardando-a antes de se virar. Enquanto caminhava para a saída, seus olhos azuis voltaram uma última vez, encontrando os de Noel. Pela primeira vez, uma fagulha de respeito brilhou em seu olhar.

Noel ficou sozinho no centro do campo, exausto, mas inabalável—campeão de Tharvaldur.

‘Eu ganhei.’

Comentários