O Extra é um Gênio!?

Capítulo 290

O Extra é um Gênio!?

A sala do diretor tinha sido decorada para impressionar, com paredes revestidas de painéis de carvalho encantados e runas vibrando suavemente pelo teto. Através das amplas janelas de cristal, o ruído abafado da multidão ainda chegava lá de dentro — milhares de vozes que deixavam a arena, ecoando como uma maré que se vai desvanecendo.

Nicolas von Aldros estava sentado confortavelmente na poltrona de respaldo alto atrás da mesa, com um copo de vinho vermelho dos anões girando na mão. Sua postura era relaxada, a expressão tranquila, e o peso de todo o torneio para ele já não passava de uma conversaleve agora.

À sua frente, Redna de Lucéria se reclinava com uma graça serena, os cabelos caindo sobre os ombros. Ao lado dela, estava o diretor de Velmora, um demônio de rosto afiado cujas vestes ainda exalavam o aroma sutil de enxofre. Os três — rivais aos olhos do público — eram agora apenas colegas trocando palavras após a tempestade ter passado.

"Foi um espetáculo," disse Redna com facilidade, inclinando seu copo. "Selene e Noel foram incríveis. Eles puxaram de dentro da multidão um lado que não via há anos."

O diretor de Velmora deu uma risada curta, cruzando os braços de forma mais apertada. "Incrível? Hmph. Palavras fáceis quando sua academia fica em segundo lugar. Velmora foi empurrada para o terceiro — diante de todos os reinos que assistiam. Uma humilhação." Seus olhos vermelhos se estreitaram. "Meus estudantes mereciam algo melhor que essa palhaçada."

Nicolas girou seu vinho lentamente, com um sorriso de leve diversão nos lábios. "Ah, sim — o terceiro lugar. Uma posição digna. Alguém precisa preencher a lacuna entre o fracasso e o sucesso real."

O queixo do demônio se apertou, seus olhos rubi brilharam de raiva, mas ele não disse nada.

Redna ergueu o copo até os lábios, mas o sorriso oculto por trás dele revelou sua, os cantos da boca tremendo como se estivesse segurando uma risada.

Nicolas recostou-se na cadeira, completamente inspirado, batendo com o dedo na haste do copo. "Seja grato, mestre. O terceiro lugar ainda é melhor que o último… e garante que Velmora será lembrada — talvez pelos motivos errados, mas será lembrada."

O demônio respirou fundo pelo nariz, suas narinas se dilataram. Os olhos de Redna brilhavam, e Nicolas apenas bebeu seu vinho, calmo e imperturbável.

Para ele, o torneio já era coisa do passado, e as consequências não passavam de conversa fiada.

A tensão no ambiente permaneceu, ainda que o rosto do diretor de Velmora estivesse com os olhos vermelhos queimando de raiva contida. Ele se inclinou um pouco para frente, as garras batendo contra o braço da cadeira.

"Diga, Nicolas," ele falou, com a voz baixa e afiada. "Ainda tem os mesmos preconceitos contra os demônios? Ou isso é só mais uma desculpa para tirar onda de Velmora sempre que tiver chance?"

Nicolas não vacilou. Girou o último gole do vinho, assistindo o líquido girar preguiçosamente no copo. Seu sorriso era cortês, as palavras calmas, mas afiadas como uma lâmina. "Preconceitos? De jeito nenhum. Eu avalio resultados. E os seus, como mostram as posições, são… consistentes."

O queixo do demônio se fechou, uma resposta se formando, mas a voz de Redna cortou antes que a discussão ganhasse força. Ela colocou o copo suavemente na mesa, os olhos brilhando.

"Basta," ela disse com suavidade. "O torneio acabou. Além disso — ano que vem pode trazer surpresas. A seleção raramente é previsível."

Nicolas deu uma risada final, finalmente deixando o copo de lado. "Surpresas, talvez. Mas se você quer dizer que minha academia foi convidada…" - Se fosse a sua teoria, a resposta é não. Convidar a gente? Raro. Ano após ano, é sempre o mesmo. Desta vez, tivemos esse privilégio porque talvez o Torwan quisesse que estivéssemos lá."

Os lábios de Redna esboçaram um leve sorriso, sem confirmar nem negar. O demônio murmurou algo sob a respiração, amargura ainda evidente na voz, mas não insistiu.

Ele recostou-se novamente, calmamente, como se conflito fosse apenas entretenimento.

A atmosfera pesada no escritório aliviou um pouco quando o assunto mudou. Redna encheu seu copo, agora com um tom mais leve. "E há também Balthor. Um bêbado numa semana, rei coroado na próxima. Como você vê isso?"

O diretor de Velmora deu uma bufada, embora com menos raiva do que antes. "Uma piada, diria alguns. Mas… anões respeitam força e teimosia. Talvez seja exatamente o rei que eles merecem."

Nicolas sorriu discretamente. "Ah, ele vai ser um bom rei. Não por causa de sabedoria ou graça, mas porque tem algo mais valioso: lealdade. Os anões o seguem não por medo, mas por confiança. Ele foi um deles, por melhor ou pior."

Redna girou o vinho pensativa. "Mesmo assim, sua ascensão deixa um vazio. A Instituição de Tharvaldur precisa de um novo diretor. Essa vaga não pode ficar vazia por muito tempo."

Naquele momento, os três ficaram em silêncio por um breve instante.

Finalmente, o diretor de Velmora quebrou o silêncio. "Querem alguém forte. Alguém que possa arrumar a confusão que o Torwan deixou."

"Alguém menos corrupto, pelo menos," acrescentou Redna, com tom seco.

Sorrisos de Nicolas se formaram em diversão. "Difícil de encontrar, na nossa área. Mas você tem razão — sem um diretor, a credibilidade da Instituição despenca. E depois do que foi exposto este ano, eles não podem se dar ao luxo de perder isso."

Redna tocou seu copo com reflexão. "Vamos propor nomes. Sem dúvida, a política vai decidir mais por interesses do que por mérito."

"Claro," disse Nicolas com suavidade. "Sempre assim. Ainda assim, quem assumir vai herdar um monte de problemas. E eu, particularmente, não desejaria essa responsabilidade."

Redna inclinou-se para frente, levantando o copo mais uma vez. "Então, brindemos a novos reis e novos diretores. Que pelo menos durem mais que os anteriores."

O diretor de Velmora fez um som de acordo, embora menos venenoso, e pegou sua taça. "À estabilidade, mesmo que venha em formas estranhas."

Sorrisos nos lábios de Nicolas se acentuaram. Ele encheu seu copo com firmeza, a vinha carmesma refletindo o brilho das runas ao redor. "Muito bem. Aos reis, diretores e ao ciclo infinito de política que fingimos controlar."

Seus copos se tocaram com um leve tilintar, o som ecoando suavemente na câmara silenciosa. Por um momento breve, os três — rivais, críticos, aliados de conveniência — se pareceram iguais, suas risadas contidas mas verdadeiras.

A conversa seguiu para tópicos mais leves após isso. Redna brincou com o demônio sobre sua carranca; o diretor resmungou, mas não protestou de verdade. Nicolas fez alguns comentários afiados que renderam risadas relutantes, suas rivalidades suavizadas pelo vinho e o cansaço.

Por fim, Nicolas colocou seu copo na mesa, a última gota rubra escorrendo pelo lado. "Vou me retirar. Foi um dia longo, e noites mais longas me aguardam."

Ele se levantou com elegância, acenando de forma cortês para ambos. Redna respondeu com sua habitual elegância; o demônio murmurou algo de respeito meio acanhado.

Nicolas saiu do cômodo em passo tranquilo, com passos calmos e seguros. Foi pelo corredor, passando pelos guardas que se curvaram sem questionar, até chegar ao setor familiar da academia reservado aos diretores.

Sua sala aguardava, silenciosa e privada, longe da barulheira da arena. Para ele, o dia chegara ao fim.

Ele fechou a porta atrás de si, sem saber que, em algum lugar lá fora, um relógio já começava a contar regressivamente.

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