
Capítulo 277
O Extra é um Gênio!?
A sala estava silenciosa, apenas o som tênue de Noir se mexendo enquanto ela pulava na cadeira ao lado da escrivaninha, encolhida ali para deixar espaço para eles.
Noel estava deitado de lado, de frente para a parede. Seu corpo pesava, sua mente ainda mais. Talvez aquilo não tivesse sido tão brutal quanto a Capital Sagrada… mas o peso de tudo ainda o arrastava para baixo. 'Cansativo… sempre cansativo.'
A cama se moveu levemente enquanto Elena se deitava atrás dele. Uma sensação de calor pressionou suas costas, seguida por braços delgados envolvendo seu peito.
Sua voz era suave, perto de seu ouvido. "Você se sente melhor assim?"
Noel deixou o silêncio se estender por um instante. Ele não mentia. "…Sim. Me sinto muito melhor agora. Obrigado."
Era verdade — ser cuidado, mesmo que por pouco tempo, por alguém que você queria por perto… era reconfortante.
Ele se virou lentamente, girando de modo que pudesse encarar ela. Os olhos dourados de Elena encontraram os dele, calmos e firmes na pouca luz. Por um tempo, nenhum falou, mas o silêncio entre eles parecia seguro.
Elena foi a primeira a quebrar o silêncio. "O que acontece agora?"
Noel expirou lentamente, os olhos vagando para o teto. "Bem… por enquanto, o evento na academia está suspenso até a coroação. Já anunciaram ao público que o antigo rei não era realmente rei, e que aconteceu algo… rumores estão se espalhando rápido."
As sobrancelhas de Elena se franziram levemente. "E quanto ao exército do Rei Alveron?"
Noel se moveu na cama, apoiando um braço sob a cabeça. "Pelo que sei, Nicolas o convenceu a recuar. O exército privado dele não vai para Tharvaldur. Amanhã será a coroação do Balthor, então precisaremos estar presentes."
"Amanhã…" Elena murmurou, quase para si mesma. Seus lábios se curvaram discretamente, um sorriso suave surgindo, raramente visto em seu rosto. "E pensar — aquele anão bêbado que costumava comandar o Martelo do Bêbado… será rei." Uma risadinha saiu de seus lábios. "Ainda lembro daquele dia. Você foi um verdadeiro cavalheiro."
Noel piscou, virando a cabeça na direção dela. "Hm? Por que você diz isso?"
"Lembro que você me puxou para perto para ninguém tentar algo enquanto jogava pôquer." Ela inclinou a cabeça levemente, os olhos estreitando-se de curiosidade. "Ainda me pergunto como você soube jogar. Balthor disse que te enganou."
"Ah, aquele." Noel sorriu levemente. "Sim… bem, posso te ensinar algum dia. É bem simples, embora fique complicado se você jogar como eu. Precisa de boa memória e cálculo rápido."
"Entendi…" Elena assentiu, o cabelo caindo sobre o ombro. "Podemos fazer isso algum dia. Chamar os outros, talvez? Pode ser divertido."
"Claro," Noel respondeu suavemente.
Os olhos de Elena ficaram nele por um momento, fixos e calmos. "A propósito, você ainda está no torneio. Você, a Selene e o Dior."
Noel deu um curto aceno de cabeça. "Sim. A Seraphina desistiu após a missão do pai, mas acabou abandonando porque tivemos que agir rapidamente. Ela se aposentou de graça. Quanto a mim… quero vencer. Deve haver um prêmio para o campeão."
Elena inclinou um pouco a cabeça, com curiosidade brilhando nos olhos dourados. "Um prêmio, hein? O que você gostaria de receber?"
Noel soltou uma respiração baixa, um leve sorriso nos lábios. "Boa pergunta… na verdade, não faço ideia. Por que está perguntando?"
Elena se inclinou mais perto, com um tom brincalhão na voz. "Anotando. Não é isso que sua namorada deveria fazer?"
Noel virou a cabeça para olhá-la de perto, o sorriso ficando mais profundo. "Entendi. Então… um beijo já seria suficiente."
Por um instante, Elena parou, sua expressão entre surpresa e vergonha. Então, sem dizer uma palavra, fechou os olhos e se inclinou. Seus lábios se encontraram suavemente, o calor daquele beijo ficando por mais tempo do que ambos esperavam.
Quando finalmente se separaram, os olhos de Noel ficaram mais suaves. Ele deixou o corpo afundar na colcha, o cansaço finalmente o dominando. Fechando os olhos, apoiou a cabeça nela, seus cabelos dourados tocando sua bochecha.
Elena se moveu mais para perto, os dedos encontrando os cabelos dele e passando-os gentilmente. Ela sorriu levemente, observando-o adormecer. 'Preciso cortar de novo em breve… já está crescendo de volta. Ainda assim, ele fica mais bonito assim.'
Ela abaixou a cabeça, dando um beijo leve na testa dele. Depois, se ajeitou ao lado, fechando seus próprios olhos.
O quarto caiu em silêncio, apenas o som suave de suas respirações preenchendo o espaço. Lá fora, a noite continuava, mas dentro daquela pequena sala, os dois finalmente encontraram descanso.
A noite passou tranquila, com seus corpos próximos e o calor compartilhado entre eles. Pela primeira vez, Noel dormiu sem interrompções, envolvido pelo conforto de alguém que se importava.
A luz da manhã atravessava as cortinas, tocando o rosto de Noel e despertando-o lentamente. Seus olhos se abriram devagar, ajustando-se ao brilho suave. A primeira coisa que percebeu foi o calor — os braços de Elena o envolviam, sua respiração firme contra seu peito.
'O dia de hoje vai ser importante,' pensou Noel, olhando para o teto. 'Mas antes… preciso ver a Charlotte. Ela deve estar exausta depois de abençoar todos aqueles anões. Fiz besteira… deveria ter ido ontem. Isso vai me custar pontos como namorado dela. Mas não vai acontecer de novo.'
Ele suspirou baixinho, então levantou uma mão, passando-a suavemente pelo rosto dela. Ela mexeu-se, mas não acordou, seu cabelo platinado escorrendo pelos dedos dele. Seu olhar caiu até as orelhas dela — afiada, elegante, sinal de sua herança. Nunca tinha tocado nelas adequadamente antes.
A curiosidade falou mais alto. Devagar, cuidadosamente, ele passou os dedos ao longo da borda de uma orelha. Ela se contorceu instantaneamente, e Elena soltou um som suave, involuntário — um pequeno gemido.
"Mm~"
O corpo dela se moveu levemente, como se estivesse saboreando o toque.
As sobrancelhas de Noel se ergueram. '… acho que ela gosta.'
Antes que pudesse se afastar, os olhos dela se abriram de repente, a face corando. "Q-que Você está fazendo tão cedo?!"
Noel parou, depois sorriu de forma desculpável. "Desculpe… Tava curioso. Você parecia tão fofa enquanto dormia, não consegui segurar."
Elena inflou as bochechas, desviando o olhar. "Você sabe que não gosto quando alguém fica tirando sarro de mim assim…"
"Foi mal." Noel se sentou um pouco. "De qualquer forma, quero ir ver como ela está. Você vem comigo?"
Elena piscou, ainda nervosa, depois assentiu. "Tudo bem… vou primeiro ao meu quarto me arrumar. Espero que ela esteja se recuperando."
Noel deu um leve aceno, aliviado. "É, eu também."