
Capítulo 276
O Extra é um Gênio!?
A sala estava escura, salvo pelo fraco brilho prateado da luz da lua que escapava pela estreita janela. Noel jazia de costas na cama, braços cruzados atrás da cabeça, olhando para o teto. O sono não vinha — sua mente se recusava a se silenciar.
'O Primeiro Pilar… aqui em Tharvaldur. Por quê? Por que tirar Torwan? Por que nos dar a vitória em vez de atacar ele próprio? Nada faz sentido.'
Ele virou levemente a cabeça, observando as sombras se moverem contra as paredes de pedra. Cada detalhe do dia passava pela sua mente, mas os motivos por trás das ações do Primeiro Pilar permaneciam obscuros. Era como receber um quebra-cabeça cujas metade das peças estavam faltando.
Seus pensamentos se desviaram para o que o amanhã traria. Até o amanhecer, Balthor seria proclamado rei. Noriel, outrora braço direito do pai de Balthor, era amplamente respeitado, e seu apoio ajudaria a consolidar a transição. Balthor já havia decidido ser sincero com o povo — expor tudo o que Torwan fazia.
Noel exalou lentamente. Ele estaria ali, assistindo seu amigo embriagado coroado na frente de milhares. 'Nunca imaginei que veria Balthor com uma coroa', refletiu.
Mas a confusão política não era a única coisa pesada sobre os seus ombros. O torneio ainda não tinha acabado. Agora, sem a influência de Torwan, os estudantes de Tharvaldur estavam livres — sem mais restrições, sem mais potenciadores. Podiam escolher ficar ou sair.
Noel fez uma contagem na cabeça. Mais quatro rounds. Mais quatro vitórias para conquistar o título.
Sua boca formou um leve sorriso. 'Faltam quatro lutas… Gostaria de enfrentar a Selene.'
O pensamento permaneceu com ele, carregando peso e expectativa.
Noel deixou o silêncio se alongar por mais alguns momentos antes de finalmente levantar a mão. O fraco brilho azul da interface do sistema piscou novamente em sua visão.
[Missão: Encontrar o 5º Pilar e lidar com ele. Concluído, parabéns!!!]
Recompensa disponível — aceitar agora?
Ele respirou fundo lentamente. "Aceitar."
O brilho pulsou uma vez, então novas linhas apareceram diante de seus olhos:
[Progresso do Núcleo +20%]
[Progresso Atual do Núcleo: 92,55% – Núcleo de Mana: Adepto]
Os olhos de Noel se arregalaram levemente. 'Isso… é um aumento enorme. Com o treinamento de Classe S, os duelos, e agora isso… ganhei quase quarenta por cento no total. Pelo menos desta vez, parece que o sistema está recompensando o verdadeiro esforço.'
Uma mudança repentina no peso da cama fez Noel desviar o olhar para o lado e ver Noir subindo, seu grande corpo encolhendo um pouco enquanto se enrolava ao seu lado, na sua forma menor. Ela pressionou a cabeça contra o peito dele, olhos semi-entreabrados.
Noel estendeu a mão, passando os dedos pelo pelo escuro. A familiaridade do calor aliviou parte da tensão em seu corpo. 'Ao menos não estou carregando isso sozinho', pensou.
Mas antes que pudesse relaxar completamente, outra notificação brilhou diante de seus olhos:
[Você recebeu: Manual do Irmão Esquecido]
As sobrancelhas de Noel franziram. Manual do Irmão Esquecido? O que é isso? Eu já tenho o diário… mas isso não é igual. Então… o que tem dentro?'
O brilho esmaeceu, deixando apenas sua curiosidade arder.
Noel se sentou, e na sua mão surgiu um caderno grosso, com capa de couro escura e desgastada, como se tivesse resistido por décadas. Pelo na superfície, havia suaves gravações rúnicas, quase invisíveis a olho nu — a menos que fossem iluminadas pela luz da lua.
Ele abriu cuidadosamente. Página após página, desenhos intricados e anotações manuscritas preenchiam o interior, todos feitos com a mesma escrita. Os feitiços variavam em complexidade, mas cada um deles tinha a mesma essência — Sombras.
Os olhos de Noel se estreitaram ao folhear as magias. Algumas pareciam técnicas ofensivas, outras eram claramente para esconder ou manipular o espaço.
'Então é isso… "Ele era a luz, e eu era sua sombra". Faz até sentido com Noir sendo um Lobo Sombrio. Este manual… é como a metade faltante do quadro.'
Ao pensar nisso, Noir remexeu ao seu lado, espreguiçando-se preguiçosamente antes de soltar um suave, pequeno uivo, mais parecido com um bocejo do que um chamado. Noel olhou para ela com um sorriso sutil surgindo nos lábios.
"Aposto que um dia vou conseguir mover-me pelas sombras como você?" perguntou, em tom baixo.
As orelhas de Noir se ergueram, e ela respondeu com outro latido curto e brincalhão, enquanto a cauda balançava contra a coberta.
Noel sorriu silenciosamente, fechando o livro por ora. 'Se eu conseguir dominar isso, talvez logo consiga acrescentar um elemento ao meu arsenal. Sombra… isso poderia ajudar bastante.'
A massa de possibilidades pesava sobre ele, pesada mas estranhamente reconfortante.
Um golpe repentino quebrou o silêncio. Noel fechou o manual rapidamente, guardando-o na bolsa dimensional ao lado da mesa. Levantou-se, alisando os lençóis antes de atravessar até a porta.
Quando a abriu, Elena estava lá. Seus longos cabelos platinados soltos caíam pelas costas, e seus olhos amarelos brilhavam suavemente sob a luz quente do corredor.
"Posso entrar? Eu… não consegui dormir," ela disse em voz baixa.
Noel a estudou por um momento, depois recuou um pouco. "Claro. Entre."
Ela entrou com passos lentos, mãos entrelaçadas na frente. O clima entre eles era mais silencioso do que a confusão do dia, mas ainda carregava peso nos olhos dela. Noel fechou a porta, apoiando-se contra ela por um instante.
Ela caminhou com cuidado, parando para se virar e encará-lo. "Como você está depois de tudo?"
Noel apoiou-se levemente na mesa. "Estou bem, acho. Melhor do que na Capital Santa… ou ao menos acho. Conseguimos evitar outra tragédia desta vez." Ele hesitou, depois completou: "Aliás… A Charlotte está bem? Não consegui visitá-la com tudo que aconteceu."
Elena suavizou, olhar abaixado. "Ela precisou usar uma bênção em centenas de anões e pessoas. Está exausta. Por enquanto, está com a Redna, que está cuidando dela."
Noel praguejou baixinho. "Ótimo… fico feliz. Embora eu não goste dela se esforçando assim."
O olhar de Elena permaneceu firme e calmo. "Você não é o único que faz sacrifícios pelos outros, Noel."
Noel quebrou o silêncio, numa voz mais suave agora. "Como assim?"
Elena inclinou um pouco a cabeça, com o cabelo platinado escapando sobre o ombro. "Assim como desta vez… como você viu, também podemos nos sacrificar para ajudar os outros. Não é só você, Noel. Já te dissemos antes, e vou repetir — estamos com você."
Por um momento, Noel a encarou, a firmeza nos olhos dourados dela deixando pouco espaço para dúvida. Lentamente, assentiu. "... Obrigado."
Ele exalou, relaxando o corpo enquanto se deitava novamente, olhando para o teto. Noir se enroscou mais perto dele, enquanto Elena permanecia ao seu lado em silêncio.