O Extra é um Gênio!?

Capítulo 264

O Extra é um Gênio!?

Noel ajustou a correia de Presa do Revenant na altura do quadril, certificando-se de que estivesse confortável antes de seguir para a arena. Tinha aproximadamente dez minutos até o início da sua luta — tempo suficiente para chegar sem pressa, mas não para desperdiçar.

"Até logo," disse de cabeça, olhando por cima do ombro.

Roberto acenou de forma preguiçosa de onde estava sentado. "Valeu. Boa sorte. Espero que você consiga chegar mais longe do que eu, pelo menos. E não deixe se distrair por nada, por acidente ou de propósito."

"Eu não me distraíria, nem mesmo sem o seu aviso," respondeu Noel, com um sutil sorriso de canto nos lábios.

Roberto recostou-se na cadeira, retribuindo o sorriso. "Depois não vem chorar dizendo que eu não avisei."

"Pois é, pois é, o que você quiser." Noel fez um gesto de despedida casual antes de virar pelo corredor.

O barulho da área de espera foi ficando para trás, substituído pelo leve zumbido das proteções mágicas integradas à estrutura da arena. Seus passos ecoavam suavemente no piso de pedra, enquanto as vibrações discretas das lutas em andamento trepidavam pelas paredes.

'É agora. Ganhar aqui e já estou na fase de dezesseis melhores.'

Ele passou por dois oficiais que conferiam os equipamentos de outros competidores. Um deles o olhou ao de leve, com o olhar fixo na Presa do Revenant, mas não falou nada. Noel manteve o passo firme, já concentrado na luta que vinha pela frente.

O rugido distante da multidão passava pelas paredes, um lembrete constante de quantos olhos estaria recebendo. Mas Noel não sentia o peso da atenção deles; tudo que importava era o adversário à sua frente e a rapidez de encontrar o melhor jeito de derrotá-lo.

Chegou ao portão reforçado que marcava a entrada dos competidores. Uma fraca cintilação de uma barreira protetora formava-se na sua superfície, e além, podia ouvir as vozes abafadas do narrador apresentando mais um combate.

Depositando a mão brevemente no metal frio, Noel respirou devagar. Seu pulso estava firme. A luta já se desenhava na sua cabeça, cada possível abertura e contra-ataque antecipados.

O atendente do portão olhou para cima. "Você chegou cedo. Bom. Espere pelo sinal."

Noel assentiu com um breve gesto, assumindo sua posição ao lado do portão. Quando ele se abrisse novamente, seria para ele.


- Ponto de vista de Torwan -

Torwan reclinou-se em sua cadeira de encosto alto, a madeira polida e o couro escuro fazendo-o parecer mais rei do que anfitrião de torneio. Do outro lado, sentava-se o anão que logo enfrentaria Noel, seu corpo pequeno tremendo, suor escorrendo pela testa. Os olhos do menino desviaram-se na direção da saída, mas a presença do assistente de Torwan — de pé entre ele e a porta — cortou qualquer pensamento de fuga.

Na mão do assistente havia uma injeção de aço, com um tubo estreito cheio de um líquido viscoso e escuro. Diferente do impulsionador limpo e acondicionado em frascos distribuídos pelas fábricas, esse era cru, não refinado — projetado para agir instantaneamente ao ser injetado na veia.

O estudante engoliu em seco. "N-não... por favor, eu não fiz nada de errado."

Torwan o encarou com toda a afeição que se poderia dispensar a uma praga rastejante pelo chão. "Não, você não fez. Você apenas teve a infelicidade de virar uma peça no meu tabuleiro. Nada mais do que azar, diria?" Seu tom era calmo, quase casual. "Aliás... se quer manter seus pais bem, vai parar de resistir."

O anão respirou com mais rapidez, as mãos se fechando em punhos. Tentou se levantar da cadeira, mas Torwan clicou a língua. "Tch. É tão difícil assim?"

"Fique quieto."

Ao ouvir isso, uma marca negra apareceu no pescoço do menino, a forma se torcendo e pulsando como tinta sob a pele. O anão parou no meio do movimento, os olhos arregalados de pânico, como se correntes invisíveis o imobilizassem. Ele ofegou, incapaz de mover um músculo.

"Muito bem," disse Torwan, recostando-se. "Agora ele não vai mais se contorcer."

O assistente avançou, segurando o antebraço do menino e localizando a veia com destreza. A agulha deslizou, e o líquido sumiu no sangue dele. O rosto do anão contorceu-se de dor, a mandíbula cerrada. Suas veias escureceram por um momento, pulsando com uma energia artificial.

Os lábios de Torwan torceram-se levemente. "Mate Noel Thorne."

A marca no pescoço do menino pulsou novamente, reafirmando a ordem. Sua respiração ficou ofegante, mas o corpo se moveu sozinho, obedecendo à instrução. Sem dizer mais uma palavra, ele cambaleou na direção da porta e desapareceu pelo corredor, rumo à arena.

Torwan levantou-se, ajeitando a jaqueta.

"Hora de assumir meu lugar na varanda dos diretores. Não posso fazer a multidão esperar."

O assistente hesitou. "Você acha que eles vão desconfiar do impulsionador após a luta?"

"Para que isso importa?" O sorriso de Torwan era fino. "Vamos culpar a ganância dele — dizer que usou porque quis ganhar por causa da fortuna que leva no nome. Quem ia acreditar?"

O assistente deu uma risada. "Você é brilhante, Torwan."

"Eu sei."

E saíram do escritório juntos.

A varanda dos diretores tinha vista para toda a arena, uma plataforma de pedra com cadeiras de encosto alto, protegida por uma barreira mágica que impedia que feitiços errantes chegassem até eles. De quatro cadeiras, apenas duas estavam ocupadas quando Torwan chegou — uma por Redna, a outra pelo diretor da Velmora Academy. As outras duas permaneciam vazias.

Torwan assumiu seu lugar com a postura de quem domina a cena. "Onde está Nicolas?" perguntou casualmente, acomodando-se na cadeira. "Achei que gostasse daquele estudante… como era mesmo o nome dele?" Ele fez uma pausa deliberada, depois estalou os dedos. "Ah, sim. Noel Thorne."

Redna recostou-se, cruzando os braços. "Não o vi o dia todo. Não apareceu em nenhuma luta hoje. Talvez algo tenha acontecido."

"Compreendo," respondeu Torwan, sua voz suave. "Pois é, nada a fazer agora. Este combate deve ser suficiente para entretê-los."

Ele apoiou um cotovelo no apoio de braço, os dedos tateando de leve o queixo. Dentro de si, seus pensamentos eram bem menos despreocupados.

'Melhor assim. Nicolas… você nem precisará ver o estado em que seu estimado aluno está prestes a ficar. Pode considerar uma pequena misericórdia.'

O barulho da multidão crescia sob eles, ondas de expectativa rolando pelas arquibancadas enquanto os assistentes preparavam o campo. A voz do narrador cortou o ar, ecoando pela arena usando amplificação mágica.

Torwan permitiu-se o mais tênue sorriso, os olhos se fixando na porta do competidor, onde Noel logo surgiria. O palco estava montado. O desfecho, na sua cabeça, já era inevitável.

O rugido da multidão sacudiu o ar enquanto a voz do narrador ecoava, amplificada magicamente, fazendo-se ouvir cada palavra.

"Senhoras e senhores, para a próxima luta — Noel Thorne, da Academia Imperial de Valor! O espadachim mágico que vem conquistando seus oponentes um após o outro!"

Uma nova onda de aplausos explode das arquibancadas. Noel saiu das sombras do portão dos concorrentes. Sua expressão era calma, mas seus olhos esmeralda varriam a arena, observando a distância, as barreiras, o brilho sutil das proteções mágicas.

"E seu adversário — do Instituto Tharvaldur de Poder Arcano — nosso próprio guerreiro anão!"

O portão oposto se abriu. O anão saiu, respirando já desregulado, com olhos ardentes de uma intensidade artificial. Suor reluzia na testa, mas sua postura era rígida, determinada. O olhar dele travou imediatamente em Noel, afiado e fixo.

'Ele... já está de olho em mim,' pensou Noel, estreitando os olhos.

Lá de cima, a varanda dos diretores se ergue. Torwan se inclinou um pouco adiante, assistindo com satisfação silenciosa.

Com um leve zumbido, a barreira mágica da arena brilhou, formando uma cúpula translúcida que selava o campo de batalha. O ruído da multidão ficou abafado, substituído pelo pulsar da mana saturando o ar.

A voz do narrador soou por última vez. "O vencedor avança para a fase de dezesseis melhores! Comecem!"

A chakra do sinal brilhou em verde.

A mão direita de Noel se moveu em direção à Presa do Revenant, sua postura mudando, o peso nas pontas dos pés. Em frente, o anão caiu numa postura de guarda baixa, os músculos tensos, as veias do pescoço pulsando de forma escura.

Ambos começaram a circular, passos lentos, a tensão se acumulando lentamente.

Então, o anão foi quem deu o primeiro passo — explodindo em velocidade que não condizia com seu tamanho, o chão rachando sob a força do lançamento.

O aperto de Noel se apertou. 'Algo está errado...'

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