O Extra é um Gênio!?

Capítulo 263

O Extra é um Gênio!?

Noel permanecia congelado no corredor, com o olhar fixo na placa azul brilhante suspensa no ar.

[Logo você vai descobrir. Não precisava ter ido à biblioteca da sua casa há um tempão?]

'Esse filho da mãe… vai mesmo me fazer esperar?!' Sua mandíbula se apertou enquanto as palavras queimavam em sua mente. 'Tudo bem, acho que a missão vem em primeiro lugar. Não tenho o que fazer agora. Só tenho que completar. Espero que eu ganhe alguma coisa que valha a pena como recompensa.'

Ele começou a se mover novamente, o eco de seus passos preenchendo o corredor silencioso enquanto Noir trotava ao seu lado, sua pequena figura mantendo o compasso perfeito.

'Talvez eu esteja mais em vantagem desta vez,' pensou, olhando para baixo para ela. 'Estou usando todos os recursos que tenho, contando com mais pessoas do que antes. Mesmo que signifique não ter controle completo, acho que vou ter que confiar nelas.'

O rabo de Noir balançou uma vez, como se concordasse, embora ela não dissesse nada.

Noel expirou pelo nariz. 'Já sabia que o Sistema parecia ter algum tipo de consciência… sempre me observando. Ele sabe o que estou fazendo em cada momento. Como quando tentei contar tudo para Elyra e Elena — ele não deixou. Me cortou completamente.'

A memória ainda estava nítida. Ele queria ser honesto com elas, mas a barreira invisível entre a verdade e a censura caiu de repente, sem aviso.

'Pelo menos consegui contar para a Noir,' pensou, olhando para ela novamente. 'Isso, por si só, aliviou um pouco o peso no meu peito. Algo é melhor do que nada.'

Chegaram à área de preparação, o leve murmúrio da multidão escapando pelas grossas paredes de pedra. Noel encontrou seu assento e se entregou a ele, a fria arquibancada o conectando ao momento. Sua luta ainda não era por agora.

Ele se inclinou para frente, apoiando os antebraços sobre os joelhos. A mensagem do Sistema ainda ecoava na sua cabeça, a menção à biblioteca de sua casa lhe corroía os pensamentos.

Mas não adianta ficar remoendo agora. Não até a missão ser concluída.

Noir se acomodou ao seu lado, colocando a cabeça contra sua perna. Noel estendeu a mão, fazendo uma leve garra entre as orelhas dela antes de virar seu olhar para a arena.

Noel se recostou um pouco, com os braços cruzados, os olhos na arena. Não tinha motivo para ter pressa; sua própria luta ainda levaria um tempo, e as batalhas restantes valiam a pena serem assistidas. Nesse momento, todos os concorrentes ainda em pé eram fortes — nada de vitórias fáceis, nada de golpes de sorte.

No chão, Roberto estavam em um troco apertado com seu adversário, uma jovem da Academia Luceria Grande. Seus movimentos eram rápidos, precisos, cada passo calculado para combinar com o estilo agressivo de Roberto. Ele pressionava forte, mas ela resistia, o choque de magia e aço ecoando pelas arquibancadas.

Noir sentada aos pés de Noel observava os lutadores com interesse moderado.

'Roberto é forte,' pensou Noel, assistindo aos dois trocarem mais uma troca rápida de golpes. 'Nunca pensei em fazer amigos aqui, sinceramente. Talvez minha personalidade ao chegar neste mundo não fosse das melhores…'

Roberto conseguiu penetrar a guarda dela por um momento, acertando um golpe limpo, mas a garota se recuperou instantaneamente, contra-atacando com uma rajada de magia aquática que o obrigou a recuar. A plateia vibrou com a reversão.

Noel sorriu de leve. 'Ele está indo bem. Melhor do que eu esperava, na verdade.'

A voz do locutor cortou o barulho:

"A vitória vai para Amelia, da Academia Luceria Grande!!!"

A multidão explodiu em aplausos enquanto Roberto abaixava a arma, dando um aceno cortês para a adversária antes de virar de costas. Foi uma disputa apertada — uma daquelas em que qualquer um poderia sair com a vitória.

Os olhos de Noel o seguiram por um momento. 'Para um personagem que nem sequer existia no romance original, ele evoluiu bastante… embora acho que não possa reclamar. O Noel Thorne original era só um ninguém.'

Noir escorregou rapidamente na sombra dele quando Roberto saiu da arena, desaparecendo de vista. As arquibancadas já discutiam o próximo competidor.

E quando a voz do locutor voltou a soar, a energia disparou: o próximo combate tinha Dior, irmão de Seraphina e príncipe de Valor.

O olhar de Noel se tornou mais afiado. 'Na história original, Dior já estaria eleito para o trono há um tempo… e depois manipulado posteriormente.'

Ele inclinou-se um pouco à frente, curioso. O adversário de Dior — um demônio do Instituto Velmora — parecia insignificante.

Noel manteve o foco na arena enquanto Dior e seu oponente trocavam os primeiros golpes, mas o som de passos se aproximando chamou sua atenção para o lado.

Roberto deitou-se pesadamente na cadeira ao lado dele, com o uniforme amassado e a respiração ainda ofegante. Mesmo assim, o sorriso no rosto era impossível de esconder.

"Ah! Você está aqui," disse Roberto, inclinando-se como se fosse dono do banco. "Você viu isso, né? Fui sensacional lá fora. Aposto que muitas moças bonitas estavam me assistindo."

Noel não desviou o olhar da luta. "Pois é, pois é, o que você quiser. Se pensar que isso te faz se sentir melhor por ter perdido, fique à vontade."

Roberto fez um som de protesto. "E o que você espera que eu faça? Não posso ir com tudo contra uma garota dessas."

"Você sabe que temos os dispositivos de proteção, né? Esqueceu disso?" O tom de Noel era seco. "Você não machucou ela de verdade, o suficiente para tirar ela do torneio de verdade."

Roberto balançou a cabeça, feio, com uma expressão séria. "Princípios, meu amigo. Um homem tem que ter princípios."

Noel deu uma risadinha. "Bom, você foi melhor do que eu esperava. Não achava que chegaria tão longe."

Roberto sorriu de canto e se endireitou um pouco. "Talvez eu seja mais surpreendente do que parece."

"Ou talvez você só tenha tido sorte no chaveamento," retrucou Noel, sem maldade na voz.

Roberto ignorou a provocação. "Aliás, quando vai visitar sua família?"

Os olhos de Noel se estreitaram um pouco. "Por quê?"

"Fui ver a minha ontem," disse Roberto de maneira casual. "Tive um tempo livre. Então, não precisa vir comigo ou algo assim."

Noel fez um pequeno gesto de cabeça. "Legal que você está em bom relacionamento com eles." Sua atenção voltou para a arena. "Você já sabe como minha família é…"

Roberto falou com tom mais suave. "Pois é. Não consigo imaginar ser um nobre com uma família dessas. Se fossem como os pais da Clara, seria diferente."

Noel concordou com um suspiro. "Você não está errado."

No chão, Dior apertava a vantagem. Noel se inclinou um pouco, pronto para ver como terminaria a luta.

O confronto de aço e magia lá embaixo chamou a atenção de ambos de volta para a arena. Dior se movia com precisão afiada, cada golpe fluindo para o próximo. Seu oponente, um demônio do Instituto Velmora, era rápido e ágil, mas cada tentativa de contra-ataca era bloqueada com firmeza, quase com desprezo.

Noel observava atento. 'Nada mal… ele está mais afiado do que na história original. Naquela época, por essa fase, ele já teria sido coroado herdeiro e manipulado. Agora… isso é diferente.'

O demônio lançou uma saraivada de golpes, tentando empurrar Dior até o limite, mas a postura do príncipe nunca se quebrou. Com um golpe de velocidade, Dior desviou, deixando o ataque passar por ele antes de fazer um movimento limpo e decisivo com sua arma. O demônio vacilou, a arma foi derrubada de suas mãos, e a proteção mágica brilhou fracamente para absorver o impacto final.

A voz do locutor ecoou pelo público:

"A vitória vai para Dior de Valor, da Academia Imperial de Valor!!!"

As arquibancadas explodiram em comemoração. Os aplausos percorreram a arena como uma onda física, o rugido de milhares de vozes reverberando na pedra. Não era todo dia que o público assistia a uma luta real de um membro da realeza, e a performance confiante e calculada de Dior só aumentava a emoção.

Roberto deixou escapar um leve assobio ao lado de Noel. "Afinal, realeza não é só aparência."

Noel manteve o olhar fixo na areia. "Ele sempre foi talentoso. A diferença agora é… que o caminho dele não é mais o mesmo."

A torcida aumentou novamente enquanto Dior fazia uma saudação controlada ao adversário e depois ao público, antes de deixar o chão da arena.

A próxima rodada era a dele.

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