
Capítulo 251
O Extra é um Gênio!?
Noel avançou rapidamente pelos corredores estreitos da arena.
“Preciso me apressar. Torwan agirá rápido, é uma corrida contra o tempo agora.”
Ele não sabia exatamente onde Tyria estava, mas Noir já estava em seu rastro. Seu faro era demasiado preciso para falhar agora. Em algum lugar desses corredores, a garota anã que ele acabara de derrotar estava caminhando direto para o perigo — e ele não podia deixar isso acontecer.
“A luta entre Marcus e Anastasia deve estar acontecendo agora... o vencedor dessa luta enfrentará eu na próxima fase.” Ele cerrava a mandíbula. “Mas, neste momento, isso não importa.”
Um movimento rápido chamou sua atenção.
A cauda de Noir escorregou por volta de uma esquina ao longe. Noel acelerou o passo e seguiu. Os corredores aqui estavam, na maior parte, vazios — restritos a participantes e funcionários do evento — o que facilitava as coisas.
Então, ela apareceu.
Tyria estava adiante, com sua postura tensa caminhando desajeitadamente em direção a uma das portas fechadas no final do corredor. Parecia tentar não chamar atenção, mas sua linguagem corporal era tensa, como se estivesse controlada por alguém.
Noel conseguiu alcançar rapidamente.
Ele estendeu a mão e pousou uma força no ombro dela.
"Ei. Você precisa vir comigo. Agora."
Tyria estremeceu e virou-se, com os olhos arregalados. "Ah… você é o que me venceu. Desculpe, eu realmente preciso ir a algum lugar agora—"
Sua voz tremeu. Foi sutil, mas estava lá. Medo.
Noel estreitou os olhos. "Eu sei. Você estava usando um aprimorador de poder, não estava?"
Ela abriu os lábios em choque. "Como sabe…?"
"Vou explicar mais tarde. Agora, você tem que confiar em mim. Posso ajudar você."
"Gostaria que pudesse... mas não posso. Veja meu pescoço."
Noel olhou — apenas visível acima da gola do uniforme dela, havia uma marca irregular, preta. Não era uma tatuagem, mas algo estranho de fato.
"O que é isso?"
"Não sei. Mas, seja o que for, está me fazendo agir. Estou a caminho… do escritório dele."
"Quer dizer, do seu diretor?"
Tyria deu um aceno fraco.
Noel exalou. "Tudo bem. Vamos embora."
"Eu… não estou me movendo por vontade agora."
Ele hesitou. "Sabe se eu poderia carregá-la se estivesse inconsciente?"
"Não… não sei."
Noel puxou a Faca do Espectro de sua cintura. "Bem… acho que vamos descobrir agora. Feche os olhos. Não vai doer. Prometo."
Tyria não resistiu. Ela fechou os olhos.
Pouco impacto.
A empunhadura da Faca do Espectro atingiu a base do seu pescoço com precisão. Tyria desabou instantaneamente, mas não caiu no chão.
Noir já tinha se transformado, elevando-se num instante para sua forma de lobo grande, quase três metros de altura agora. Ela pegou Tyria cuidadosamente pelas costas.
Noel piscou. "Uau. Você só continua crescendo, hein? Acho que é graças ao treino e ao torneio... Provavelmente também fiquei mais forte."
Ele coçou atrás da orelha. "Será que você tem um limite de crescimento? Parece que vai precisar comer mais do que nunca."
Noir bufou levemente, sua forma gigante firme sob a garota anã inconsciente.
Noel assentiu uma vez. "Vamos lá. Vamos para o escritório do Nicolas."
Sem perder tempo, virou-se e correu pelos corredores, seus passos agora ecoando com urgência.
Noel avançou com rapidez pelo interior da arena, cortando os corredores com sua prática habitual. Com Noir atrás dele, agora enorme e silenciosa, evitavam os corredores principais, passando sorrateiramente por cantos e alcovas destinados a funcionários e participantes.
Quem os via, automaticamente, parava. Noel era reconhecido como competidor, e, tecnicamente, tinha direito de estar ali.
Mas passar pelos corredores restritos com uma garota anã inconsciente empacotada às costas de um lobo negro gigante?
Isso era uma outra história.
Cada vez que cruzavam alguém, Noel reduzia o passo, mantinha a cabeça baixa e aguardava até o caminho se liberar.
Por fim, chegaram ao corredor familiar.
Ele agarrou a maçaneta e abriu a porta do escritório do Nicolas sem tocar.
Dentro, o cômodo estava igual de antes, limpo e simples. Quatro cadeiras, uma mesa no centro.
Mas desta vez, ele não estava sozinho.
Charlotte estava lá, e não disfarçada como de costume. Sem o Véu Sancta, seu longo cabelo rosa escorria pelos ombros, moldando suas feições delicadas. Seus olhos âmbar se arregalaram no instante em que o viu.
"Ah! Você me assustou!" ela exclamou. "Considerei que alguém tinha descoberto que eu sou a Santa."
Noel entrou. "Não se preocupe. Sou eu."
Noir entrou logo após, com as patas pesadas no chão de madeira enquanto carregava Tyria inconsciente.
Elyra inclinou a cabeça. "Por que ela está inconsciente?"
"Eu a atingi," disse Noel simplesmente, caminhando em direção ao centro da sala. "Vou explicar tudo em um instante."
Nicolas se levantou da cadeira, olhando com calma. "Deixe Noir colocá-la numa das cadeiras."
Com um aceno de cabeça, Noel deu o sinal, e Noir deslocou-se suavemente até Tyria repousar em uma cadeira, sentada ereta.
Charlotte avançou, a expressão mudando.
"Quer que eu dê a Bênção nela, certo?"
Noel não respondeu imediatamente. Sua mandíbula cerrava. Ele odiava aquilo, sabia o que usar uma Bênção significava para ela. Toda vez que realizava uma, sua vida útil era reduzida, mesmo que pouco.
Porém, não tinham outra alternativa.
Ele a assinalou com um único gesto de cabeça.
Charlotte olhou para ele por um momento, depois foi andando lentamente, já se preparando.
Antes que Charlotte pudesse começar, Noel levantou a mão.
"Espere, antes de começar. Alguma de vocês consegue afrouxar um pouco a blusa dela? Preciso que Nicolas veja uma coisa."
Elyra ergueu uma sobrancelha, com tom seco. "Pedindo para suas namoradas despirem outra menina? Atrevido, hein, Noel."
Elena cruzou os braços. "Não é hora para piadas, Elyra."
Sem mais delongas, Elena deu um passo à frente e puxou delicadamente a gola do uniforme de Tyria. No instante em que a tecido se moveu, uma inspiração aguda encheu a sala.
Estava lá.
Uma marca preta gravada na pele do pescoço dela, grossa, enrolada e inquietantemente imóvel. Nem tatuagem, nem cicatriz. Algo no meio do caminho. Semelhava a uma coleira, envolvendo-se por baixo da pele como um contrato de união.
Nicolas se inclinou levemente, inspecionando com calma experiente.
"Hm. Não é magia de sangue, isso está claro. Nada como a de Kaelith… arte." Ele estreitou os olhos. "Mas isto é algo tão traiçoeiro quanto. Uma feitiçaria de condicionamento. Comandos dados pelo mestre não podem ser resistidos. A vontade é forçadamente suprimida."
Noel cerrava a mão.
'Uma coleira…'
"A questão importante," disse em voz alta, "é se uma Bênção consegue removê-la?"
Nicolas não hesitou. "Com certeza. As Bênçãos são milagres. Dependendo da força do Santo ou do Papa, podem resgatar alguém à beira da morte. Está totalmente dentro dessa faixa."
Noel voltou-se para Charlotte.
Ela já tinha recuado, cruzado os braços à frente do peito. Sua expressão era calma… mas séria.
Sem falar, abaixou a cabeça e assumiu uma postura de oração.
O cômodo ficou em silêncio.
- Ponto de vista de Torwan -
De volta à sacada reservada aos diretores, o clima permanecia tenso, mas concentrado. As multidões ao fundo rugiam, as lutas do torneio continuavam sem pausa.
A cadeira de Nicolas ainda estava vazia, pois ele não tinha voltado do banheiro.
Torwan permanecia imóvel, com os dedos entrelaçados enquanto seu assistente se aproximava por trás, inclinando-se para sussurrar.
"Senhor... ela não está no escritório. Fui pessoalmente, mas Tyria nunca chegou."
Torwan inicialmente não se mexeu. Depois, lentamente, virou a cabeça um pouco, com uma voz baixa, quase um sussurro.
"Como assim…? Ela carrega a marca da escravidão."
O assistente parecia visivelmente desconfortável. "Não sei, senhor."
O olhar de Torwan se intensificou.
"Inicie uma busca. Quero que verifiquem todos os corredores dessa arena. Agora."
O assistente assentiu rapidamente. "Sim, senhor."
Enquanto ele se afastava, uma voz à esquerda de Torwan interrompeu o momento.
Sentada ao seu lado, havia uma mulher alta, com longos cabelos violetas trançados de forma elegante de um lado só. Ela vestia túnicas de seda de tom roxo escuro, e seu olhar, como sempre, era cortante.
Diretora da Grande Academia de Luceria.
"Está tudo bem, Torwan?"
Ele deu um leve encolhimento de ombros, expressão difícil de interpretar.
"Nada grave. Apenas um problema nos banheiros. Já foi resolvido."
"O Nicolas não estava por lá?"