
Capítulo 252
O Extra é um Gênio!?
- Ponto de vista de Noel -
O ambiente estava em silêncio.
Charlotte permaneceu imóvel, mãos suavemente juntas, olhos baixos. Seu longo cabelo rosa brilhava delicadamente sob o brilho que começava a surgir ao redor de seu corpo.
Noel, Nicolas, Noir, Elena e Elyra observavam atentamente.
Para Elena e Elyra, era a primeira vez vendo Charlotte assim — não como a garota alegre que carregava adagas duplas e sorria de tudo, mas como a Santa do Valor.
Gradualmente, uma luz começou a irradia dela.
Charlotte sussurrou uma oração, suave e firme.
A luz se expandiu suavemente, deixando rastros como fios de ouro e branco, até alcançar a menina anã inconsciente que estava diante dela.
A Bênção envolveu Tyria como uma corrente gentil, penetrando em sua pele. Seu corpo relaxou imediatamente. A tensão nos ombros, o leve tremor nas mãos — tudo desapareceu.
Então, a marca no pescoço dela começou a se dissolver.
Asigilagem negra torceu uma vez, resistindo, mas o poder da Bênção pressionou mais fundo. Pouco a pouco, a escuridão desapareceu, sobrando apenas a pele limpa e desprovida de marcas.
Era o fim.
Charlotte exalou lentamente — e vacilou.
Seus joelhos fraquejaram levemente.
Noel se moveu num instante, segurando-a antes que ela despencasse.
"Obrigada," ela sussurrou, olhando para ele com seu sorriso suave de sempre.
Mas aquele sorriso não o enganou.
Ele podia ver o que tinha na expressão dela — o peso que aquilo havia causado. A dor. O cansaço. A vida que ela tinha drenado.
Aquela única Bênção tinha roubado tempo dela. Talvez minutos, talvez mais. Mas tempo… era algo inestimável.
"Você está bem?" perguntou suavemente.
"Estou bem," Charlotte respondeu, ainda sorrindo. "Só preciso descansar um pouco."
Elena e Elyra imediatamente avançaram. Ajudaram-na a sentar em uma das cadeiras vazias e gentilmente a deitaram.
Noel ficou ali em silêncio.
'Se eu pensar agora… ainda há pelo menos trinta e oito alunos marcados. E metade já perdeu, mas ainda carregam a marca.' Sua mandíbula se cerrava. 'Se dependermos apenas das Bênçãos de Charlotte… ela vai sofrer. Pode perder muita expectativa de vida se isso continuar por muito tempo.' Seus pensamentos se aprofundaram. 'E os trabalhadores na fábrica… eram centenas. Podem carregar a mesma marca. Se for isso—'
"Noel."
A voz cortou sua mente.
Ele não reagiu.
"Noel," Nicolas repetiu, mais alto.
Noel piscou, trazendo-se de volta ao presente.
Tyria mexeu-se.
Seus olhos se abriram vagarosamente, pisando contra a luz suave do ambiente. Parecia confusa, sua cabeça se virou lentamente enquanto escaneava o local.
"Onde… estou?" ela murmurou.
"Você está segura," Noel disse suavemente.
Ela virou-se na direção da voz dele, olhos ainda nublados por desorientação.
Nicolas avançou, calmo e sério. "Bem-vinda de volta, Tyria. Vi seu combate — você lutou bem, mesmo tendo que usar um reforço de poder. Torwan está jogando sujo, mas agora você não precisa mais se preocupar."
Ele fez uma pausa rápida e acrescentou: "Gostaria de te fazer algumas perguntas, se estiver disposta. Sem pressão. Você está segura aqui."
Tyria ficou por um momento, respirando lentamente. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela assentiu.
"Eu… entendo. Você é o Diretor da Academia Imperial do Valor. Certo… Vou contar tudo que sei."
Nicolas deu um leve gesto de cabeça. "Primeiro, como você se sente?"
Tyria ajustou a postura, colocando uma mão no peito. "Melhor… Parece que consigo respirar novamente. Como se… eu tivesse meus próprios pensamentos. Meu próprio desejo. O que vocês fizeram comigo?"
Noel sorriu levemente. "Bem… mantenha entre nós, mas a Santa te concedeu uma Bênção."
Tyria piscou surpresa. "A Santa? Você quer dizer… Charlotte, a Santa do Valor?"
Com isso, Elyra e Elena se moveram para o lado.
Charlotte sentou-se em sua cadeira, ainda pálida, com o cabelo rosa caindo sobre os ombros, seus olhos dourados calorosos encontrando os de Tyria.
Ela sorriu suavemente.
Os lábios de Tyria tremeram. "Obrigada…"
Charlotte balançou a cabeça, com uma voz tão gentil quanto sempre. "Não foi nada. Fico feliz que esteja bem."
Nicolas deu um passo à frente, mudando o tom. "Ótimo. Agora vamos continuar. Ainda há algumas coisas que precisamos entender."
Tyria assentiu, se preparando.
Nicolas manteve os olhos nela. "Tyria… como tudo começou? Quando você recebeu a marca?"
Ela hesitou por um momento, depois expirou lentamente.
"Tudo começou quando anunciaram o Torneio da Academia," ela disse. "Nosso diretor escolheu os quarenta melhores estudantes de Tharvaldur. Ficamos empolgados, achávamos que era uma honra, uma prova de que éramos a elite."
Suas mãos se fecharam levemente no colo.
"Mas estávamos enganados. Ele disse que nos daria algo para nos tornar mais fortes. Nenhum de nós suspeitava de nada… até acordarmos com a marca."
Ela tocou seu pescoço sem pensar, a pele agora limpa, mas a memória ainda evidente.
"Depois disso… ficamos sem poder dizer não a nenhuma ordem. As ordens pareciam leis gravadas em nossos ossos."
Noel franziu a testa. "O primeiro cara. Aquele que abriu o evento no primeiro dia — ele não seguiu o roteiro de Torwan, mesmo devendo também ter a marca."
Tyria assentiu. Sua expressão escureceu.
"Sim… achamos que Torwan o deixou agir livremente de propósito. Queria assustar o restante de nós. A mensagem foi clara: desobedecer e sofrer as consequências."
Sua voz tremeu um pouco.
"Não vimos o que aconteceu com ele. Mas na manhã seguinte… acharam-no quase morto. A coluna vertebral dele foi destruída. Agora ele está na cama."
A mão de Noel se fechou em punho.
'Eu vi o que fizeram com aquele pobre garoto… eu estive bem ali.'
Ele olhou para cima, com expressão séria. "Entendo. Obrigado por compartilhar isso. Sei que não foi fácil."
Tyria fez um leve gesto de cabeça, segurando a emoção.
Nicolas cruzou os braços. "Há mais alguma coisa que saiba que possa nos ajudar? Planejamos derrubar seu diretor, Tyria. Mas precisaremos de informações… e aliados."
Tyria hesitou, olhando para Noel.
"… Ele provavelmente está procurando por mim agora. Eu devia ter vencido. Como perdi… você, Noel, certamente chamou atenção dele."
Noel cruzou os braços. "Era o que eu suspeitava."
Tyria olhou para baixo. "Tem mais uma coisa que quero te contar… nossas famílias — estão sendo usadas."
Noel estreitou os olhos. "Numa fábrica? Fazendo o reforço?"
Tyria assentiu. "Sim… estão lá. Trabalhando. Todas."
"Não se preocupe. Eu sei onde fica. Já estive lá dentro," Noel disse calmamente. "Havia centenas de trabalhadores… já desconfiava que algo estava errado. E agora, sabendo a verdade, estamos mais perto de agir do que parece."
Ele fez uma pausa, os olhos escurecendo um pouco. 'Tudo que falta é lidar com o rei. E, se eu estiver certo… ele também pode estar marcado.'
Nicolas pareceu pensativo. "Isso é possível. Se Torwan foi tão longe, controlar o rei não seria algo fora de alcance."
Noel virou o olhar para Nicolas. "Você não disse que sua ex poderia lidar com isso?"
Nicolas deixou escapar um suspiro baixo. "...Ela poderia."
Silêncio por um instante.
Depois, Nicolas voltou seu olhar a Tyria. "Parece que não há muito mais que você possa oferecer. Mas não se preocupe — ninguém vai saber para onde você foi. Vou te teletransportar comigo ao nosso hotel. Você ficará segura lá. Temos dois professores na estrutura que vão protegê-la."
Voz de Tyria suave. "E meus amigos? Minha família?"
"Vai precisar esperar um pouco mais," Nicolas respondeu gentilmente. "Não podemos correr riscos. Temos que garantir tudo antes de agir."
"…Entendo." Ela olhou novamente para Charlotte. "Obrigada… mais uma vez."
Charlotte sorriu. "De verdade, não foi nada. Fico feliz que esteja bem."