
Capítulo 253
O Extra é um Gênio!?
A sala permanecia em silêncio.
Ninguém falou até Elyra quebrar o silêncio.
"Então… qual será o próximo passo agora que Tyria está conosco?"
Nicolas, de braços cruzados, olhou ao redor para seus estudantes reunidos. "Por mais que eu preferisse o contrário, o torneio continua. Vocês três, Charlotte, Elyra e Elena, ainda têm partidas hoje. A reputação da nossa academia está em jogo."
Ele fez uma pausa, depois acrescentou, olhando diretamente para Charlotte: "Dito isso… vocês podem desistir se quiserem, Charlotte. Sua segurança como santa é mais importante do que um simples torneio, não sou tão insensível quanto Torwan."
Charlotte sorriu suavemente, com uma voz delicada como sempre. "Obrigado, Diretor Nicolas."
Nicolas assentiu uma vez. Então virou-se para Tyria, que tinha se levantado da cadeira. Agora ela parecia mais firme, a cor voltando ao rosto e um pouco mais de força nos olhos.
"Vou levar Tyria até nosso hotel agora," disse com tom firme. "Vocês estarão sob a proteção de dois de nossos professores, Daemar e Rauk," ele acrescentou, lançando um olhar para ela.
Tyria assentiu sem hesitação.
"Depois, voltarei para a varanda do diretor. Já fiquei tempo demais fora, eles vão se perguntar o que aconteceu naquela 'pausa para o banheiro'."
Um toque de divertimento passou pelo rosto de Charlotte.
Nicolas estendeu a mão para Tyria. "Dê-me sua mão. Não é seguro caminharmos abertamente pela arena. Alguém pode reconhecer você."
Tyria pegou a dele silenciosamente.
Então Nicolas se virou para Noel. "Vou contatar o rei Alveron IV com as informações que reunimos. Espero contar com a cooperação dele. E o rei Deyrion, do continente dos demônios, provavelmente vai ajudar também, é uma chance de melhorar a reputação do povo deles."
Noel assentiu. "Entendido. E enquanto isso, o que devo fazer?"
"Nada arriscado," respondeu Nicolas. "Foque no torneio. Assim que eu conversar com os reis, aviso qual será o próximo passo."
"Certo. Eu farei isso."
"Ótimo." Nicolas olhou para todos mais uma vez. "Cuidem-se, meus queridos estudantes."
Num piscar de olhos, ele e Tyria desapareceram numa luz de teletransporte, sumindo sem deixar rastro.
A sala ficou mais silenciosa agora.
Só permaneceram Noel, Charlotte, Elena e Elyra.
Ela olhou para Noel.
"Elyra nos contou um pouco… mas como você falou com alguém do nosso grupo, imagino que finalmente precise da nossa ajuda."
Noel olhou para as três garotas, depois acenou com a cabeça levemente. Dirigiu-se a uma das cadeiras e se sentou. Os outros o seguiram.
Ele não perdeu tempo.
"Vou ser direto. Torwan faz parte do mesmo grupo que tentou matar Charlotte," disse de forma clara. "Ele usa os alunos como escravos, obrigados a lutar com aprimorados. Todo o torneio está manipulado por apostas, e o rei de Tharvaldur… é só uma marionete."
Charlotte se inclinou um pouco para frente, piscando uma vez. "Caramba. Isso é ainda pior do que da última vez."
Noel a olhou. "Você acha?"
Ela assentiu, com o tom ainda leve, mas com uma pitada de tristeza. "Da última vez… bem, todos sabemos o que aconteceu na casa de orfãos. Mas o alvo deles era eu."
Ela lançou um olhar para baixo por um segundo. "Dessa vez, é só pelo dinheiro. Estão usando qualquer um — estudantes, famílias, só para financiar o que quer que estejam fazendo."
Noel concordou. "Exatamente."
Um silêncio voltou a se instaurar até que Elena, ligeiramente levantando-se na cadeira, falou com um tom mais pessoal.
"Noel?"
Todos voltaram o olhar para ela.
Ela já estava corada.
"Você… decidiu usar o sobrenome da Elyra?"
Noel piscou surpreso. "O quê?"
Ele parecia realmente confuso.
"Não. Só estou usando para me passar por comerciante. Qual nome melhor do que o da família mais poderosa do continente humano, especialmente uma que trabalha com Elarith e metade do mundo?"
Elena hesitou, mas não ficou satisfeita. "Mas há também… outro significado nisso, não é?"
Antes que Noel pudesse responder, Charlotte, que parecia ter recuperado sua energia habitual, inclinou levemente a cabeça.
"É verdade," disse brincando. "Não há algo que você gostaria de nos contar, Noel? Isso, de certa forma, afeta nosso relacionamento, não acha?"
Noel esfregou a testa.
Isto estava ficando complicado.
Noel abriu a boca, mas nada saiu.
Elyra foi a primeira a intervir, tentando aliviar a tensão. "Você também vai ter sua vez, tudo bem? Mas, agora, não temos tempo para esse tipo de conversa, não é?"
Sua voz estava calma, talvez um pouco convencida.
Mas Elena não gostou nada disso.
Ela se levantou levemente da cadeira, de braços cruzados. "Você não acha que está sendo um pouco injusta aqui?"
Elyra virou-se para ela com uma sobrancelha levantada.
"Você foi quem seduziu ele e aproveitou a situação."
Elyra piscou. "...Não, não. Desta vez, foi Noel quem deu o primeiro passo."
Isso fez Elena e Charlotte congelarem por um instante.
Elas encararam Noel.
Até mesmo o sorriso brincalhão de Charlotte vacilou por um segundo. "...Sério mesmo?"
Noel recostou um pouco. "O que vocês duas estão imaginando agora?"
O rosto de Elena ficou instantaneamente vermelho. Charlotte se inclinou um pouco para frente, com um sorriso de volta.
"Aposto que você gostaria de saber o que estamos imaginando."
Elena desviou o olhar, visivelmente sem jeito. Elyra apenas riu de leve.
"Enfim," disse Elyra mudando de assunto, "o que fazemos agora?"
Noel suspirou. "Nada, por enquanto. Seguimos o que o diretor Nicolas disse. Os reis estão vindo. Eles agirão, sobre a fábrica, sobre o rei marionete. Já fizemos nossa parte. Agora, focamos no torneio."
Ele olhou para Charlotte. "E você precisa cancelar oficialmente sua participação. Não está em condição de continuar lutando."
Charlotte assentiu lentamente. "Concordo."
Elyra se levantou. "Vou com a Elena, então. Charlotte, fica aos seus cuidados, Noel."
Ela se dirigiu à porta.
Porém, Elena ainda não saiu.
Elyra já estava na porta, mas Elena permaneceu atrás.
Ela se aproximou de Noel, que ainda estava sentado, parando bem na sua frente. Sua expressão era calma — mas suas orelhas avermelhadas entregaram o nervosismo.
Noel olhou para cima, prestes a dizer algo.
Ela se inclinou e o beijou.
Quando se afastou, encontrou seus olhos e sussurrou: "Por enquanto… fico com isso."
Depois, sem dizer mais uma palavra, virou-se e seguiu Elyra para fora da sala.
A porta se fechou atrás delas.
Agora sobraram apenas Noel e Charlotte.
Ela permaneceu ao seu lado, sem seu Véu Santo — seu longo cabelo rosa fluindo livremente pelos ombros, olhos dourados fixos nele com uma calma acolhedora.