O Extra é um Gênio!?

Capítulo 254

O Extra é um Gênio!?

A sala estava vazia. Restavam apenas Noel e Charlotte.

Ela ainda não tinha ativado seu Véu Santo, seus longos cabelos cor-de-rosa fluíam livremente, seus olhos âmbar suaves sob a luz ambiente.

Noel a olhou. "Como você está se sentindo?"

Ela se aproximou, falando mais baixo agora. "Desde que Orthran me deixou passar neste ano, não precisei fazer muitos. Ele é quem cuida da maioria das bênçãos agora… especialmente a mensal para toda a Capital Sagrada."

Ela parecia preocupada. "Tenho medo de que ele esteja se sobrecarregando. Esse tipo de pressão… não deve fazer bem."

Antes que Noel pudesse responder, Charlotte deu um passo à frente e sentou-se no colo dele, encolhendo-se um pouco para se ajustar ao corpo dele.

Noel deixou.

"Precisamos avisar que você vai se retirar do torneio," disse ele.

"Eu sei," respondeu ela suavemente. "Mas deixe-me ficar assim por mais um pouquinho."

Por um breve momento de pausa. Depois, ela acrescentou, com tom sincero: "Noel… se precisar abençoar alguém de novo, eu vou. Você não vai conseguir me impedir."

Ela fitou seus olhos.

"Entendo que isso te preocupe. Mas ajudar as pessoas, é algo que quero fazer. Faz parte de quem eu sou."

Noel não argumentou. "Eu entendo totalmente. Mas se houver outra forma… prefiro optar por ela."

Ele olhou um pouco para baixo.

"Algo como o caso da Tyria talvez não te prejudique muito, só alguns minutos de fraqueza, como hoje. Mas se todos os estudantes marcados e cada trabalhador de fábrica precisarem de uma Bênção… isso pode ser perigoso."

"Por isso você não deve se preocupar tanto comigo," ela sussurrou. "Eu sei cuidar de mim mesma. E os outros também."

Noel não respondeu.

Ficaram ali sentados em silêncio por um tempo.

Até Charlotte, de repente, inclinou a cabeça, com um sorriso travesso nos lábios, pois algo estava por baixo dela, cutucando.

"Ei, Noel?" ela disse, de modo brincalhão. "O que estou sentindo aí embaixo?"

Noel suspirou. "É uma reação completamente normal. Você está sentada no meu colo. Você é minha namorada. O que você esperava?"

Charlotte deu uma risadinha. "Não se preocupe. Mas, por enquanto—"

Ela levantou-se, ajustando o vestido. "Temos coisas a fazer, certo?"

Noel se levantou com ela. "Exato. Vamos avisar que você vai se retirar."

A noite tinha caído.

Não conseguiam ver as estrelas lá de dentro da montanha, mas o horário era claro — as batalhas tinham acabado, as multidões tinham dispersado, e o torneio atingia seu momento final.

A maioria dos combatentes já havia sido eliminada.

Das dezenas que começaram, sobraram cerca de quarenta estudantes de todas as academias.

Hoje, tanto Elyra quanto Elena tinham competido.

Elyra optou por desistir de sua luta.

Seu adversário, um estudante de Tharvaldur, apresentava sinais de estar aprimorado, o mesmo padrão que já tinham visto anteriormente. Ela tomou a decisão antes que a luta escalasse, recuou e saiu do palco. Nem olhou para trás.

Já Elena enfrentou uma garota de Luceria.

A batalha foi apertada, mas o controle de Elena sobre magia de cura e de enredar superou as explosões de agressividade da adversária. Ela venceu com tranquilidade e precisão — uma vitória limpa.

E agora, no salão superior do refeitório na hospedagem da Academia Valor, Noel estava sentado com o restante dos rapazes da Turma S.

A mesa era longa, mas apenas cinco cadeiras estavam ocupadas: Noel, Roberto, Marcus, Garron e Laziel. A maioria dos outros descansava — ou havia sido eliminada.

E aqui, longe do campo de batalha e da política, havia finalmente espaço para respirar.

Garron soltou um suspiro profundo enquanto se recostava na cadeira, com as mãos atrás da cabeça.

"Tenho saudade da minha namorada…" ele murmurou dramaticamente.

Laziel rolou os olhos. "Você não pode parecer mais modesto na nossa frente? Alguns de nós, ou seja, Roberto e eu, ainda somos solteiros, muito obrigado."

Ele apontou com o polegar para Noel. "Seja mais como ele. Pelo menos, ele não fica se gabando da sorte."

Garron tossiu rindo. "Não é tão difícil, sabe? É só arrumar uma namorada."

Laziel olhou para ele como se tivesse crescido uma segunda cabeça. "Pois é. Vou fazer isso agora mesmo, senhor 'Dedura-Que-Bate-Rochas-Por-Diversão'. Deve ser bom ter músculos em vez de cérebro."

Roberto riu, então se inclinou para frente.

"Enfim, parece que só eu e Noel estamos na competição, né?"

Noel piscou. "Ah, é mesmo?"

Marcus concordou. "É verdade. Hoje perdi para Anastasia, aquela garota de cabelos vermelhos de Luceria. Se eu não tivesse… provavelmente teríamos nos enfrentado amanhã."

Laziel sorriu. "Agora isso ia ser divertido. Depois de todas essas sessões de treinamento, ver vocês dois se soltando com equipamentos de proteção total? Ia ser algo de outro mundo."

Marcus deu uma risadinha. "Pois é… seria legal. Quem sabe na próxima."

Noel olhou para ele, calmo como sempre. "Você foi bem. Pelo menos, durou mais do que Garron."

Garron bateu com a mão na mesa. "Ei! Não foi minha culpa o torneio decidiu que eu não servia para carregar o troféu! O que eu tinha que fazer contra o próprio destino?"

Noel inclinou um pouco a cabeça, com um olhar pensativo. 'Destino, hein.'

Marcus se recostou, apoiando os cotovelos na mesa.

"Bom, acho que vocês dois são nossas últimas esperanças. Roberto vai enfrentar alguém de Tharvaldur… e Noel, você tem a Anastasia."

Ele olhou de forma incisiva para Noel. "Esperamos que você traga a revanche em nome da gente."

Noel sorriu de leve. "Ah, não se preocupe. Não planejo perder. Vou ganhar este torneio."

De repente, a mesa ficou silenciosa por um instante.

Depois, Laziel e Garron ambos o olharam com descrença.

"…O quê?" perguntou Noel.

Laziel se recostou. "Sabe, eu gostava mais de você quando era o cara misterioso, introspectivo, que ficava esquecido de tudo."

Garron cruzou os braços. "Pois é. Essa história de 'personagem confiante' está nos deixando confusos."

Noel deu de ombros. "Posso voltar a ser aquele cara sempre que vocês quiserem."

Laziel riu. "Não, fica tranquilo. É só brincadeira."

Noel sorriu de leve, mas então se voltou para Roberto.

Ele tinha notado que Noir tinha começado a agir estranho perto dele — o suficiente para deixá-la na sua sala naquela noite. Ela estava nervosa sempre que Roberto estava por perto.

"Ei. Você já visitou sua família?"

Roberto piscou, surpreso. "Hã? Ainda não. Ia fazer isso quando tivesse tempo. Mas ainda estou no torneio, então não tive chance."

Noel assentiu. "Se quiser, podemos ir com você."

Roberto sorriu. "Claro… aviso vocês quando for."

Marcus se espreguiçou na cadeira. "Aliás, Noel — você sabe que o Festival da Caçada vai acontecer logo após o torneio, né?"

Noel concordou. "Sim. Meu pai me enviou uma carta. Vai ser realizado em Nivária este ano."

Marcus sorriu de canto. "Ótimo. Eu planejo ganhar desta vez."

Noel soltou um risinho. "Só espero não ser desqualificado de novo."

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