
Capítulo 255
O Extra é um Gênio!?
A suíte de luxo estava silenciosa, exceto pelo suave burburinho das lâmpadas de mana que rodeavam o teto. A uma cama king-size descansava próxima ao centro do cômodo, intocada. Cadeiras de couro vermelho profundo formavam uma área de estar ao lado, com uma mesa de vidro polido entre elas. Além das grossas janelas, as luzes da cidade nas montanhas piscavam como estrelas — suaves, distantes e frias.
Uma mulher alta permanecia de pés descalços sobre o tapete macio, com seus longos cabelos violetas caindo em ondas suaves pelas costas. Ela vestia algo leve, diferente de seu traje formal habitual como diretora da Academia Luceria, mas uma túnica de seda sem mangas que sugeria tranquilidade e segurança. Seu olhar estava fixo na porta, embora sua expressão fosse inespressiva.
"Eu sinto sua presença, Nicolas," ela disse calmamente, virando a cabeça levemente.
Um suave zumbido de energia espacial brilhou na sala enquanto Nicolas von Aldros surgia do fluxo de mana, materializando-se perto da entrada.
"Me desculpe, Redna," ele falou, com tom moderado e respeitoso. "Não quis invadir seu espaço... mas isso é importante."
Ela levantou uma sobrancelha, cruzando os braços de forma relaxada.
"Hm? É realmente só por isso que você apareceu, Nicolas? Nada mais?"
Ele a encarou sem hesitar. "Preciso da sua ajuda."
Um sorriso de canto de boca esboçou-se em seus lábios. "Estou ouvindo. Mas primeiro, sente-se. Vamos beber como nos velhos tempos — enquanto você me conta qual tempestade trouxe desta vez."
Nicolas avançou, seu casaco escuro comprido tocando o chão polido. Sentou-se na cadeira de couro vermelho mais próxima, apoiando um braço na borda.
Redna se Moveu com graça treinada até uma das suas malas de viagem, puxando uma garrafa de vinho selada com um movimento de dedos. Sua mana brilhou por um instante, suficiente apenas para abrir a rolha com uma rajada controlada de vento.
"Pelo seu sorriso," ela disse, servindo dois copos, "isso não é coisa pequena. Então, o que diz, Nicolas?"
Redna entregou o copo a Nicolas e sentou-se do outro lado, cruzando uma perna com elegância. Seus olhos violetas estudavam-no com interesse tranquilo enquanto ela tomava um gole lento de vinho.
Nicolas também bebeu, colocou o copo na mesa baixa. Sua expressão estava séria.
"Você provavelmente ouviu falar do incidente na Academia Imperial," ele começou. "Não foi exatamente discreto."
Redna assentiu. "Claro. As notícias correm rápido quando envolvem uma instituição de elite."
Nicolas expirou. "Não foi só uma crise. O grupo responsável agora está manipulando este mesmo torneio. O cabeça por trás disso é Torwan."
Redna piscou, com expressão de diversão. "Torwan? O diretor do Instituto Tharvaldur? Todos percebemos que alguns de seus alunos estão entregando resultados, mas achávamos que era só para manipular os confrontos a seu favor."
"Isso é só a superfície," Nicolas afirmou. "Alguns dele são aprimorados, outros estão escravizados — literalmente. Ele usa um feitiço de ligação na base do pescoço deles. Obediência total, sem livre-arbítrio. Fazem tudo que ele manda, até perder ou ganhar de propósito."
O semblante relaxado de Redna começou a perder a pose. Ela se inclinou para frente, a voz ficando mais afiada. "Você está me dizendo que ele está usando magia de escravidão em um evento entre academias?"
Nicolas assentiu. "E tem mais. As famílias desses alunos também estão sendo usadas. Mantidas numa das instalações que produzem o reforçador. Se um estudante falha, a família sofre."
Os olhos de Redna se estreitaram. "Isso é mais sombrio do que eu imaginava... E você veio até mim porque sabe que tenho experiência com esse tipo de ligação."
Nicolas articulou um sorriso discreto. "Você sempre teve bom gosto por feitiços complexos."
Ela riu baixo. "Você me conhece bem."
"Vinte anos juntos," Nicolas murmurou. "Difícil de esquecer."
Redna recostou-se levemente, girando o vinho no copo.
"Então, qual é seu plano, Nicolas? Duvido que tenha vindo aqui só para desabafar."
Nicolas assentiu. "É uma operação em grande escala, ainda em desenvolvimento. Primeiro, vou falar com o Rei Alveron IV. Nos encontraremos amanhã de manhã na ilha flutuante que usamos para assuntos diplomáticos delicados. Também planejo entrar em contato com o Rei Deyrion de Velmora."
"O demônio?" Redna ergueu uma sobrancelha. "Você? Alinhando-se com um demônio? Você continua me surpreendendo, ano após ano."
Nicolas franziu levemente a testa. "Não interprete mal. Ainda desprezo a raça dele. Mas, neste caso, ele tem interesse próprio. Nos ajudar poderia ajudar a recuperar a imagem pública dos demônios após os escândalos anteriores."
Redna sorriu com uma expressão seca. "O grande Nicolas von Aldros... cooperando por conveniência. Quão pragmático você se tornou."
"Isso é maior do que eu — ou minha aversão," Nicolas disse. "Estamos falando de uma rede de escravidão operando dentro de um torneio acadêmico internacional. Se isso vazasse sem provas firmes e um plano, seria um escândalo de proporções tal que até as academias inocentes sofreriam."
Redna girou o vinho no copo novamente. "E o rei de Tharvaldur... você disse que é uma marioneta."
Nicolas assentiu. "Peça nas mãos de Torwan. Provavelmente sob chantagem ou controle. O verdadeiro poder naquele reino está com aquele filho da mãe."
Redna abaixou o copo e inclinou a cabeça. "Era isso que você deveria ter dito logo de começo, não acha?"
Um sorriso sutil apareceu nos lábios de Nicolas. "Eu queria ver sua reação."
Ela balançou a cabeça, embora uma risada discreta escapasse. "Você não mudou."
"E fico feliz em ver que você também não."
"Eu também," ele confirmou com firmeza. "Não só porque confio em você... mas porque preciso de você. Sua expertise em feitiços de ligação, detecção de marcas e encantamentos de alto nível será crucial. Se conseguirmos desmontar a rede de Torwan e expor a manipulação do rei, preciso de alguém que saiba reconhecer e desativar contratos proibidos."
Redna cruzou os braços. "Você não está errado. A maioria dos conjuradores nem conseguiriam ver essas marcas, a não ser que soubessem o que procurar. Já lidei com construções similares... e piores."
Nicolas levantou-se também. "Sei. É por isso que estou pedindo isso de você."
Uma quietude se instaurou entre eles — confortável, antiga, familiar.
Ela finalmente quebrou o silêncio. "Tudo bem. Eu vou com você. Mas não espere que eu vire uma bajuladora de realeza. Não faço reverência pra ninguém — nem mesmo para um rei."
Nicolas sorriu com um sorriso de canto. "Não gostaria de outro jeito."