
Capítulo 256
O Extra é um Gênio!?
A câmara era vasta, embora pouco iluminada, e o ar carregava um leve aroma de ferro polido e madeira antiga. No centro, havia uma pesada mesa redonda de carvalho escurecido. Sobre ela, quatro espadas ornamentadas estavam cruzadas, seus cabos adornados com joias, refletindo a luz das lanternas acima — um símbolo tradicional de paz em encontros diplomáticos.
Sentado de um lado, estava o rei Alveron IV de Valor. Seus longos cabelos loiros, presos com um elegante laço carmesim, caíam rente às costas sem uma única mecha fora do lugar. Seus olhos — de um vermelho profundo e levemente brilhantes — repousavam sobre Nicolas com uma calma firme.
Do lado oposto, estava o rei Deyrion Neral de Velmora. Sua pele reluzia como obsidiana polida, a superfície iluminada por um vermelho pálido e oscilante que pulsava por dois grandes chifres arqueados que surgiam de seu crânio. Seus olhos eram de um crimsom puro, antigos e penetrantes, carregando o peso de séculos.
De pé a um lado, Nicolas von Aldros, com postura ereta, mãos relaxadamente unidas atrás das costas. Ao seu lado, estava Redna von Arcelia — alta, com seu longo cabelo violeta caindo em ondas suaves pelas costas, usando um vestido formal de cor roxa escura, diferente de sua roupa habitual da academia. Seu olhar era algo indecifrável, mas sua presença preenchia o ambiente com uma dignidade silenciosa.
Os dois reis já haviam ajudado na investigação antes, mas suas obrigações os haviam feito retornar aos seus continentes, deixando Nicolas para descobrir o restante sozinho. Agora, com as evidências em mãos, estava ali para relatar tudo.
Nicolas deu um passo à frente, seu tom carregando o peso de semanas de investigação.
"Vou ser direto. A interferência no torneio vem de Torwan, do Instituto Tharvaldur. Seus estudantes, vencedores e perdedores, estão aprimorados. Mas o verdadeiro problema é este —" ele levantou uma mão, simulando uma marca no lado do pescoço, "— um selo de escravidão. Eles obedecem a ele completamente, sem capacidade de resistência. E suas famílias… estão sendo forçadas a trabalhar na instalação que produz esses aprimoradores."
Os olhos de Alveron estreitaram-se. "Um selo de escravidão, em Tharvaldur? Você entende o peso do que está dizendo, Nicolas?"
"Eu entendo. Vi com meus próprios olhos."
Deyrion recostou-se na cadeira, sua voz profunda e calma, mas contundente. "E onde fica essa instalação de que você fala?"
"Escondida nos níveis inferiores de um restaurante em Tharvaldur."
Deyrion assentiu lentamente, depois olhou para Alveron. "Então, ficou claro — os demônios não estão envolvidos nesses negócios, como já havia dito na última vez." Ele cruzou os braços. "Assim sendo, abster-me-ei de interferir. Essa questão é sua, Alveron."
Alveron expirou suavemente pelo nariz, quase como um dragão que sente o cheiro do ar. "Que assim seja. Irei mobilizar meu exército privado. Não há motivo para mover toda a força de Valor por um reino menor… isso será rápido e preciso."
Uma voz feminina calma interrompeu. "Posso remover os selos de escravidão."
Todos os olhares se voltaram para Redna. Ela permaneceu ereta, com seus cabelos violetas refletindo a luz enquanto cruzava os braços. "Estudei e desmontei amarras como essas por anos. Se vocês querem libertar esses estudantes, sou a melhor opção."
O olhar de Alveron permaneceu nela por um momento. "Você fala com confiança. Muito bem. Quando chegar a hora, trabalhará com minhas forças."
Deyrion sorriu levemente, apoiando o queixo na mão. "Seu gosto por aliados não mudou muito, Nicolas. Sempre encontra os problemáticos que sabem o que fazem."
"Pode zombar de mim depois," Nicolas respondeu com um sorriso suave. "Por ora, precisamos de coordenação e auxílio."
'Uh, quem esse demônio pensa que é?' Nicolas pensou com nojo, observando o rei de Velmora.
Alveron inclinou-se para frente, apoiando as mãos na mesa. "A liderança desta operação ficará com minha filha, Seraphine. Ela já está em Tharvaldur, competindo ao lado de Dior."
"Seraphine?" Deyrion sorriu mais fundo. "Então, você está enviando uma mensagem."
Alveron não demonstrou reação. "Exatamente. Por ora, ela está mais próxima da coroa do que seu irmão."
Nicolas lançou um olhar para Redna, percebendo um leve brilho de surpresa em seu semblante. 'Interessante... parece que, por ela ser presidente do conselho da minha academia, ela está um passo à frente para a coroa.'
- Ponto de vista de Noel -
O escritório nos fundos da loja de Noriel era acolhedor, com o aroma suave de couro e madeira polida permeando o ambiente. Os três já estavam sentados ao redor de uma robusta mesa de carvalho.
Noel inclinou-se levemente para frente, olhos fixos no anão à sua frente. "Balthor de Tharvaldur… não acha que está na hora de voltar ao seu posto?"
As sobrancelhas de Balthor franziram. "...Do que você está falando, garoto?" Cruzou os braços. "E por que você acha que Tharvaldur é meu sobrenome, garoto?"
"Porque você é o príncipe de Tharvaldur," disse Noel de forma aberta. "Seu pai, o antigo rei, tinha herdeiros, você e Torwan. Ele só nunca quis que o público soubesse. Manteve vocês escondidos."
A expressão de Balthor endureceu. "E como você sabe disso?"
Noel balançou a cabeça. "Não posso te contar tudo. Mas eu soube desde a primeira vez que entrei no Martelo Embriagado."
Balthor o Olhou fixamente, sua voz ficando mais baixa. "Então, esse ano todo que nos conhecemos… você sabia, e não disse uma palavra?"
"Estou dizendo agora," respondeu Noel com firmeza. "E, depois que removerem o rei atual, você terá que assumir sua responsabilidade."
O olhar de Balthor virou para Noriel. "Você lhe contou?"
Noriel deu um leve sobressalto nos olhos. "Não. Jamais traí o príncipe herdeiro. Não fui eu."
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Noel. "Isso confirma, não é?"
Balthor recostou na cadeira, exalando profundamente. "E como você acha que vão acreditar em mim? Para eles, sou apenas um nome num velho registro real, se é que já ouviram falar."
Noel encarou-o sem pestanejar. "Então, terá que convencê-los você mesmo."
Os olhos de Balthor se estreitaram, uma risada sem humor roncando no peito. "Não sou rei. Sou um ferreiro que passou mais tempo bebendo do que dormindo nesses cinquenta anos."
"Talvez," admitiu Noel em tom firme. "Mas você é o único capaz de assumir o trono e mantê-lo longe das mãos erradas."
Noriel cruzou os braços, encostado na parede. "Ele tem razão, garoto. Você acha que Torwan pararia na hora de controlar alguns estudantes se tivesse a coroa? Bem, ele já a tem, e o rei é uma marionete."
Balthor coçou a barba, com a mandíbula tensa. "Mesmo que eu quisesse, governar um reino não é bater aço. É política, aliados, inimigos… e aqueles que, antes de eu sentar no trono, me despedaçariam."
"Por isso você não estará sozinho," afirmou Noel com firmeza. "Vamos ajudar você, Noriel estará ao seu lado, e o povo também, assim que conhecer a verdade."
O olhar de Balthor se perdeu na mesa, os dedos batendo contra a madeira. "...Você quer que eu entre numa forja mais quente do que qualquer uma que já conheci."
Noel sorriu levemente. "Exatamente."