O Extra é um Gênio!?

Capítulo 257

O Extra é um Gênio!?

Os três ainda estavam sentados, canecas de cerveja na mão. Balthor parecia estar lutando consigo mesmo, indeciso se devia aparecer e assumir o papel de novo rei de Tharvaldur.

"Ei, anão bêbado," disse Noel, apoiando-se na cadeira. "Você lidera um negócio assim há cinquenta anos. Depois de tudo que passou, não acha que cuidar de um lugar com alguns milhares de habitantes também seria mais fácil?"

Balthor e Noriel olhavam para ele como se estivessem zombando.

"Sabe, segurar a vida de milhares nas mãos não é a mesma coisa que cuidar de três ou quatro, né?" disse Noriel.

"Nem ideia," respondeu Noel com um encolher de ombros. "Sou só um cara que nunca teve essa responsabilidade, espero que nunca tenha. Mas, com ajuda, tenho certeza de que vocês conseguiriam dar conta. O rei Alveron IV virá, Balthor… e seu irmão Torwan provavelmente cairá. O que eles fizerem com ele depois não vai ser bonito. Vão querer respostas."

"Eu sei," disse Balthor baixinho. "Meu irmão não fez coisas boas."

"Não… não se o rei atual for uma marionete de Torwan," acrescentou Noriel. "Quando você desapareceu por cinquenta anos depois da morte do seu pai, não falei com você. Mas ele está aqui há uma década, e só agora descobrimos o que ele andou fazendo. Pode imaginar o resto."

Balthor olhou fixamente para a mesa por um longo momento. Então, pegou sua caneca, a esvaziou de um só gole, e a colocou com força na mesa. "Tudo bem… se é algo que tenho que fazer, farei. Mas um dia, rapaz, você vai ter que me contar como soube. Só Noriel sabia que eu era príncipe, porque era o braço direito do meu pai."

"Um dia, se eu puder, vou te contar," disse Noel. "Aliás, de curiosidade, quantos anos você tem? Você vive tanto quanto elfos?"

"Não, gostaria que pudéssemos viver um milênio," respondeu Noriel com um sorriso suave. "Mas não chegamos nem perto disso. Chegamos a cerca de trezentos anos, então, em termos humanos… Balthor tem praticamente sua idade."

Noel olhou pra ele com um olhar estranho.

"O quê, você achava que eu era só um velhinho fofinho?" Balthor riu. "Ahahaha!"

"Mais ou menos isso," admitiu Noel. "Sinceramente, não esperava que você fosse exatamente da minha idade."

"Bem, agora você sabe," disse Balthor, ainda rindo, fazendo uma pausa e acrescentando. "Então, vamos voltar naquele restaurante algum dia?"

"Não," respondeu Noel balançando a cabeça. "O diretor Nicolas me pediu para não fazer nada arriscado. Disse que iria bolar um plano, então por enquanto, é só esperar."

"Hmm… bem, então, vou continuar apostando contra você no torneio. Você me faz ficar rico."

Noel levantou uma sobrancelha. "Você não acha que um futuro rei não deveria fazer essas coisas?"

Balthor sorriu de lado. "Tenho que me divertir enquanto posso. Uma brincadeira de vez em quando nunca fez mal a ninguém, né? Então—quem será seu próximo oponente?"

"Anastasia de Ravienne. Academia Lucéria."

"Ah?" Balthor sorriu ainda mais. "Uma campeã de verdade, finalmente?"

"Provavelmente minha adversária mais difícil até agora," admitiu Noel. "Sim… vai ser uma luta difícil."

Noriel não entrou na conversa, apenas observando a troca em silêncio. Ver Balthor rir novamente, ver uma fagulha de orgulho nos olhos dele… lembrou Noriel do pai do homem. Pela primeira vez em décadas, viu traços de um verdadeiro rei nele.

Depois daquela noite, Noel voltou ao seu quarto no hotel, pronto para descansar antes do dia seguinte.

Um barulho repentino na porta o fez fazer cara feia. Charlotte, Elena e Elyra tinham chaves — se fosse uma delas, não se dariam ao trabalho de bater. Isso significava que era alguém completamente diferente.

Ele se levantou, cruzando o quarto em poucos passos rápidos, e abriu a porta.

Estava lá o Professor Daemar.

"Posso entrar, Noel?" perguntou Daemar.

"Claro, entre," respondeu Noel, dando passagem.

Daemar entrou e se sentou na cadeira perto da escrivaninha. Noir, que estava encolhido ali, pulou com um pequeno resmungo para fazer espaço.

Noel sentou-se do outro lado, curioso. "O que o traz aqui, Professor?"

Daemar descansou os antebraços nos joelhos, com postura ereta, como sempre. "Vim te dar um incentivo para a luta de amanhã," disse, com uma voz calma porém carregada de peso. "Ainda não foi divulgado oficialmente, mas os dez melhores competidores deste torneio vão receber uma recompensa."

Noel já sabia disso pelo enredo da novela, mas manteve a expressão neutra. "Eu não sabia disso."

Um suave sorriso apareceu nos lábios do professor. "Você não parece muito surpreso… mas, de qualquer forma, quero que vise o topo, Noel. O prêmio pelo primeiro lugar vale a pena lutar."

Noel assentiu. "Pode deixar, Professor. Vou dar tudo de mim."

"Sei que sim." Daemar deixou o olhar ficar mais suavemente, embora seu tom permanecesse formal. "Você evoluiu muito desde que chegou aqui — não só na força, mas na disciplina e na calma. Vi muitos estudantes talentosos, mas poucos que usam essa habilidade com tão foco. Por isso, considero você não apenas meu aluno, mas… alguém de quem tenho orgulho em orientar."

Por um momento, Noel não respondeu. Ouvir isso de alguém como Daemar significava mais do que ele esperava. "Obrigado… isso significa muito, vindo de você."

Daemar assentiu levemente, recostando-se um pouco. "Mais uma coisa. O diretor Nicolas mencionou que Tyria está sob meus cuidados e do Instrutor Rauk. Você se preocupou com ela?"

"Sim," respondeu Noel. "Como ela está?"

"Ela está bem fisicamente," respondeu Daemar. "Mas se preocupa com os colegas de turma. Temer que prejudiquem suas famílias ou amigos para forçá-la a desistir. É possível, mas duvido que arrisquem uma jogada tão aberta em público."

"Entendi," murmurou Noel.

O professor se levantou. "Descanse bem nesta noite, Noel. Todos estaremos de olho amanhã — e espero ver uma luta à altura do seu potencial."

"Pode deixar," respondeu Noel, também se levantando.

Daemar colocou a mão brevemente no ombro dele, um gesto raro vindo daquele homem normalmente tão compenetrado. "Ótimo. Agora, vou me retirar. Lembre-se… lute não só para vencer, mas para provar a si mesmo o quanto evoluiu."

Com isso, saiu do quarto, a porta se fechando com um clique que deixou Noel sozinho mais uma vez.

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