
Capítulo 266
O Extra é um Gênio!?
O estalo de aço e o rugido da multidão se misturaram ao ruído de fundo enquanto Noel apertava ainda mais a empunhadura de Dentedevencedor. Sua respiração era firme, porém controlada, e todos os seus sentidos grudados nos movimentos descontrolados do anão. A mancha negra no pescoço do adversário pulsava mais rápido, suas veias escuras espalhando-se como tinta sob a pele.
Noel deslocou-se para a direita, pronto para interceptar a próxima investida—quando, por uma razão que não conseguiu explicar, seu olhar se ergueu para cima.
Lá no alto, na varanda dos diretores, Torwan o observava. O homem sentado com uma perna cruzada, postura relaxada, sorria tranquilamente, com um sorriso preguiçoso no rosto. Não era a arrogância de quem aprecia uma boa luta—era a certeza de alguém que já conhecia o desfecho.
Esse instante de distração foi tudo o que precisou.
O anão avançou com uma velocidade que rasgou o ar. Noel virou tarde demais—
BANG!
A machadada atingiu a lateral de sua cabeça. A dor explodiu como fogo branco, antes que o mundo simplesmente… parasse. O barulho da arena desapareceu. Seu corpo parecia leve, suspenso em um vazio infinito.
Em meio ao silêncio, uma pulsação fria pulsava contra seu dedo.
[Sinal de Sigilo – Protocolo Reverso ativado]
O tempo recuou. O mundo voltou no tempo em um borrão—seis segundos ao contrário—até que Noel estivesse exatamente no lugar onde tinha estado antes, olhando para Torwan.
O anão ainda estava no meio da investida, congelado naquele instante antes do impacto. Mas agora, outra pulsação respondeu da arma na mão de Noel.
A presença de Dentedevencedor inundou sua mente.
[Foco Angustiado]
O mundo desacelerou até parecer uma cena parada no tempo. Cada gota de suor na testa do anão parecia flutuar como vidro derretido. Cada movimento ficou exagerado, todos os sons abafados, exceto pelo batimento profundo e constante do próprio coração de Noel.
A respiração dele diminuiu, o controle total.
'Um mês antes de poder usar esse anel novamente… e não vou desperdiçar isso.'
A postura de Noel mudou instantaneamente, os joelhos dobrando-se, a lâmina na posição para interceptar. Raios de energia começaram a rastejar pela lâmina de Dentedevencedor.
Ele se moveu antes mesmo do anão piscar.
A machadada do anão rasgou o ar onde a cabeça de Noel estivera um instante atrás. Noel já havia desviado para o lado, seus movimentos surpreendentemente suaves sob a consciência aguçada de Foco Angustiado. O mundo ainda se movia lentamente aos seus olhos—cada tremor, cada respiração, cada mudança de equilíbrio do adversário exposto diante dele.
[Sinal de Sigilo – Recarregando: 30 dias]
Um mês até poder usá-lo novamente. Um mês sem segunda chance.
A cabeça do anão se virou em direção a ele, veias escurecendo, a marca negra no pescoço brilhando suavemente. Seus lábios tremiam, palavras escapando de respirações ofegantes.
"R-cur… por favor… Eu… não consigo parar…"
A mandíbula de Noel se apertou. 'Isso não é bom…' Seu olhar freneticamente se desviou por meia fração de segundo para Torwan na varanda—ainda sorrindo, ainda observando.
O anão avançou novamente. Noel levantou a mão esquerda. "Glacialis!"
Um pedaço de gelo puro rasgou o ar, atingindo a coxa do anão e congelando instantaneamente a placa de armadura. Ele desacelerou por meio passo—suficiente para Noel girar de lado, sua mão direita firmemente segurando Dentedevencedor.
"Surto de Ignição!"
Chamas rugiram ao longo da lâmina, aquecendo e iluminando a espada. Noel atacou uma vez, forçando a arma do anão para cima, seguido por um golpe curto e brutal nas costelas. Faíscas e brasas explodiram ao se encontrarem no aço com aço.
O anão rangeu e tentou contra-atacar, mas Noel já se movia. "Agulha de Tensão!"
Uma lança fina de relâmpago saiu da mão livre dele, atingindo o anão exatamente no ombro. O choque fez ele soltar a arma por um instante, o cheiro de ozônio enchendo o ar.
'Ele é forte demais para desgastar lentamente… preciso de algo que atravesse de uma vez.'
Raios de relâmpago começaram a subir mais rapidamente pelos braços de Noel, arcs pulando entre as placas de armadura e a borda de Dentedevencedor. A lentidão do mundo começou a desaparecer conforme seu foco se concentrava numa linha de matar definitiva.
Ele agachou-se, o peso mudando para frente. "Stormpiercer."
O mundo brilhou branco enquanto Noel avançava, Dentedevencedor cortando uma linha ardente pelo ar. O impacto fez o anão recuar, a armadura estalando e afundando sob o golpe. Mas, quando o pó se dissipou, ele ainda se movia—desajeitado, artificial, a marca no pescoço pulsando como um batimento cardíaco.
Ele voltou, mais rápido do que antes. Noel apertou ainda mais a empunhadura. 'Se eu continuar trocando golpes com ele, vou perder espaço…'
"Noir."
De sua sombra, a grande loba emergiu—pelagem preta com detalhes roxos, olhos como estrelas gêmeas da noite. Sem hesitar, Noir abriu as mandíbulas, e uma escuridão espessa jorrou em ondas densas.
Em segundos, toda a arena foi mergulhada em sombras. Do público, ninguém via nada—apenas uma massa giratória de preto que nem magias de luz conseguiam penetrar. A barreira de proteção brilhou levemente, contendo a escuridão interna.
Dentro da sombra, o ar era frio, o som abafado. O anão cambaleou, atacando às cegas, sua machadada cortando apenas o vazio. A respiração dele ficou mais pesada, o pânico começando a tomar conta.
Noel deu três passos para trás, firmando os pés. Sua mão direita apertou Dentedevencedor, enquanto a esquerda se manteve aberta, com a palma voltada para frente. Mana se acumulava ali—densa, pesada, ardente.
"Sol Escuro."
O ar ao redor dele se deformou enquanto uma esfera de fogo negro ultra-comprimido começava a se formar, sugando calor e luz. Faíscas vermelhas e douradas se enroscavam no interior da escuridão, a densidade de mana tão intensa que a pedra sob seus pés começou a rachar.
A cabeça do anão se virou como se percebesse algo, mas ele não conseguiu encontrar Noel na escuridão total.
O batimento de Noel desacelerou. Trinta segundos pareciam uma eternidade sob o Véu de Noir, e cada um deles era dele.
Quando a esfera atingiu seu limite, Noel a ergueu alto, a voz baixa, mas definitiva.
As próprias sombras pareciam puxar-se em direção à esfera em sua mão.
Sol Escuro rasgou o céu negro da sombra de Noir como uma estrela cadente. O anão mal teve tempo de se virar antes que a esfera atingisse seu peito.
Não houve explosão—apenas uma súbita implosão esmagadora. O ar foi sugado para dentro, calor e força devorando tudo em um raio estreito. Um estrondo abafado ecoou na arena, seguido do silêncio.
Quando as sombras ao redor começaram a se dissipar, Noel permaneceu em cima do corpo do anão caído. A armadura estava deformada, a marca no pescoço queimada até desaparecer, e seu peito exibindo um buraco carbonizado onde Sol Escuro o consumira. O leve cheiro de metal e carne queimados pairava no ar.
Noel respirou fundo lentamente, sentindo o peso do que havia feito pressionar seu peito. 'Ele não era meu inimigo… Droga!!! Ele era inocente…'
Ele alcançou seu saco dimensional e puxou um disco de prata gravado com símbolos intricados—o Sigilo de Retorno.
Uma pulsação de luz azul brilhou, e Nicolas von Aldros apareceu na arena. Seus olhos afiados varreram Noel e o corpo do anão, e seu rosto escureceu. Sem uma palavra, Nicolas entendeu a gravidade da situação. Colocou uma mão sobre o anão caído, e os dois desapareceram num redemoinho de luz azul.
As pernas de Noel fraquejaram no instante seguinte. Ele caiu no chão, respirando com dificuldade, a visão ficando turva.
Da beira de sua consciência, ele tirou por fim um item escondido na bolsa dimensional—o Charme do Tecelão de Véus—e pressionou contra o focinho de Noir. Os olhos da loba brilhavam com compreensão.
Finalmente, Noir se mexeu, seu corpo ondulou e se retorceu até assumir exatamente a mesma forma do anão momentos antes de sua morte, sua pelagem agora imitando um anão derrotado. Ela cambaleou uma última vez e deixou-se cair sobre a pedra, fingindo estar inconsciente.
As sombras recuaram completamente, revelando a arena ao público em fúria uma última vez.
Do alto, a voz do apresentador ecoou com confiança e clareza:
"A vitória é de Noel Thorne, da Academia Imperial de Valor!"
O público explodiu em comemoração, embora estivesse alheio à verdade.
Acima, Torwan encostou-se na cadeira, ainda sorrindo—mas seus olhos, afiados e cintilantes, nunca deixaram a figura imóvel de Noel no chão.