O Extra é um Gênio!?

Capítulo 267

O Extra é um Gênio!?

O barulho dentro da arena era um caos envolto em celebração—milhares de vozes se levantavam ao mesmo tempo, algumas gritando com uma excitação selvagem, outras murmurando com preocupação.

No centro do campo, o "anão ferido" gemeu e se ergueu lentamente. A torcida talvez não soubesse que aquilo era Noir, ainda envolta na ilusão dilapidada do lutador que Noel havia acabado de enfrentar. Ela cambaleou em direção à borda do campo, entrando discretamente por um dos túneis laterais sem olhar para trás, cuidando para manter os movimentos firmes até sumir de vista.

A voz do anunciador ecoou pelos amplificadores mágicos.

"Encerramos as lutas de hoje! Onze dos dezesseis semifinalistas já estão definidos! Contudo, devido às… circunstâncias incomuns na final, uma investigação completa será realizada."

Um rastro de reação percorreu as arquibancadas.

"Por essa razão, o torneio ficará suspenso por dois dias antes de iniciar os confrontos entre os dezesseis."

A declaração provocou uma nova onda de murmúrios—alguns desapontados, outros claramente aliviados pelo descanso.

Desde a entrada dos competidores, Noel lentamente se levantou. Seus músculos rangiam e seu corpo parecia estar em chamas, mas sua mente permanecia afiada. 'A luta de hoje não foi normal… algo estava errado desde o começo.'

Ele saiu para o corredor, seguindo o leve aroma e som que somente ele reconheceria. Noir já estava lá, esperando na sua pequena forma de lobo, com a Colar do Tecelão de Véus firmemente entre os dentes. Seus olhos amarelos cruzaram com os dele, firmes e cheios de entendimento.

"Vamos," disse Noel baixinho, se agachando para pegar a jóia. "Direto para o escritório do Mestre Nicolas."

As orelhas de Noir piscaram uma vez em concordância silenciosa antes de ela se juntar a ele, ambos desaparecendo na teia de corredores de pedra sob a arena.

- Ponto de vista das garotas -

De suas cadeiras entre os espectadores, Elyra, Elena e Charlotte tinham assistido a cada segundo da luta. Agora que tinha acabado, o barulho da multidão parecia distante, como um ruído surdo atrás de uma janela de vidro. Todas exibiam a mesma expressão inquieta que refletia na audiência—não era assim que uma luta deveria terminar.

Elena quebrou o silêncio primeiro. "Será que Noel vai ficar bem? Precisamos encontrá-lo agora."

O olhar de Elyra ainda estava fixo no chão da arena, agora vazio. "Algo deu errado. O melhor lugar para procurar é onde o vimos pela última vez—no escritório do Nicolas."

Charlotte se inclinou um pouco, a voz afiada de curiosidade. "Vocês viram alguma coisa através daquela sombra?"

Elyra balançou a cabeça. "Não… ficou claro que foi coisa da Noir. O que significa que algo sério aconteceu lá dentro." Ela olhou para as duas. "Vamos descobrir quando encontrarmos Noel."

Sem mais palavras, as três se levantaram. O clima ao redor delas era tenso—trechos de conversa de espectadores próximos iam desde a admiração pela vitória de Noel até a apreensão sobre a investigação prometida pelo locutor.

As meninas desceram rapidamente os degraus até o andar mais baixo da arena, entrando nos corredores internos geralmente reservados à equipe e aos competidores.

O ar aqui era mais silencioso, mais frio, o som abafado da multidão substituído pelo eco de seus passos. Tochas embutidas nas paredes de pedra tremeluziam, lançando sombras longas enquanto percorriam o trajeto familiar.

Elyra liderava, com passo firme mas controlado. Elena vinha logo atrás, com os olhos atentos em cada cruzamento, enquanto Charlotte acompanhava um passo atrás, com uma expressão de preocupação e cálculo.

O objetivo era claro—chegar ao escritório de Nicolas o mais rápido possível. Seja lá o que tivesse acontecido naquela nuvem de sombras, eles precisavam de respostas, e Noel seria quem as daria.


- Ponto de vista de Torwan -

Da varanda dos diretores, Torwan virou-se para falar com Redna e o diretor da Academia Velmora, seu tom leve, quase conversacional.

"Bem, espero que tenham gostado das lutas de hoje. Pode ficar tranquilo—há pessoas já investigando o que aconteceu na última luta. Meu aluno… bem, ele já teve incidentes antes. Coisas que não deveriam acontecer."

A resposta de Redna foi seca. "Vamos torcer para que ambos estejam bem. Isso pode afetar a reputação da sua academia, Balthor."

Sem mais formalidades, Redna e o diretor da Velmora saíram da varanda, suas vestes acariciando suavemente a pedra enquanto desapareciam pelo corredor.

Torwan permaneceu sentado por um instante, os olhos fixos na arena vazia abaixo. Logo, passos se aproximaram por trás—era seu assistente.

"Acredito que Noel sabe quem eu sou," disse Torwan em voz baixa, sem se virar. "Durante a luta, no momento em que ele percebeu alguma coisa, seus olhos se voltaram direto para mim. Hm… sim. Lembro-me do que o primeiro me disse quando chegou. Parece que eles estavam trabalhando nisso há bastante tempo, souberam quem eu era desde o começo."

O assistente permaneceu em silêncio, aguardando ordens.

Finalmente, Torwan se levantou, ajeitando a manga da roupa. "É hora de eu partir, enquanto ainda posso."

Com um movimento suave, estendeu uma mão ao assistente. Linhas pretas tênues subiram pelo pescoço do homem, enquanto uma marca começava a surgir.

"De agora em diante, você atuará como Torwan."

O corpo do assistente ficou rígido, os olhos vidrados enquanto a ordem se enraizava profundamente.

Uma onda de mana percorreu o corpo de Torwan, e num instante, sua figura mudou—de seu porte alto e imponente para a forma robusta e baixa de um anão comum. A ilusão era perfeita; a olho nu, ele não era ninguém importante.

Sem olhar para a arena, virou-se e saiu da varanda, o eco de suas botas desaparecendo nos corredores enquanto seguia para pegar seus pertences, antes que fosse tarde demais.


- Ponto de vista das garotas -

As três meninas chegaram até uma porta de madeira trancada no interior da arena. Charlotte bateu firmemente. "Noel, você está aí?"

A porta se abriu—não para Noel, mas para o próprio Mestre Nicolas. Seu olhar era afiado, seu tom firme. "Charlotte, envie uma benção nele. Ele está em péssimo estado."

Eles entraram rapidamente. O escritório tinha uma atmosfera pesada, carregada pelo cheiro de ferro e fumaça. Num canto, um cadáver jazia sob um pesado pano—o anão Noel havia enfrentado. Noel mesmo estava sentado, pálido, com a respiração desigual, apoiado numa das quatro cadeiras.

"Entra logo. Precisamos agir agora," insistiu Nicolas.

Após alguns momentos, Noel mexeu-se. Sua visão ainda um pouco turva, mas lentamente ele percebeu uma luz quente e constante envolvendo-o. Movendo a cabeça lentamente, viu Charlotte ao seu lado, com as mãos brilhando suavemente enquanto ela despejava sua benção em cima dele.

Percebendo o que ela fazia, tentou pegar sua muñeca para pará-la—mas Elyra e Elena pressionaram uma mão contra seu ombro, mantendo-o quieto.

"Deixe ela terminar," disse Elyra com firmeza. "Você não está em condições de discutir."

Noel respirou fundo pelo nariz, inclinando-se para trás enquanto o calor ia se espalhando por seu corpo.

'Em que ponto tudo deu errado? Torwan percebeu algo… mas o quê? Acho que não deixei rastros… ou será que deixei?'

Ele olhou para Nicolas. "Precisamos agir agora, Mestre. Ele descobriu tudo."

A expressão de Nicolas não mudou. "Reforços de Valor ainda não chegaram."

"Você não pode teletransportá-los aqui?" perguntou Noel.

"Não posso trazer mais de trêscentas pessoas de uma só vez," respondeu Nicolas.

"Então, como vamos resolver isso?"

"Você deve descansar. Eu irei até a fábrica com Redna, Daemar, Rauk e outros membros do staff. A Academia Velmora se juntará a nós. Somos fortes o suficiente para lidar com isso."

O tom de Noel se tornou mais incisivo. "Na última vez, na Capital Sagrada, metade deles eram infiltrados. O que faz você pensar que não será assim agora? E quanto ao rei?"

"Enviei Balthor ao castelo. Redna vai com ele para lidar com a ilusão primeiro e, depois, ela se juntará a nós. Balthor tem uma carta pessoal dos reis continentais para conferir a autenticidade."

O voz de Noel baixou ainda mais. "Então, o que devo fazer?"

"Descanse, Noel. Você ainda é muito jovem."

Elena olhou para Elyra e Charlotte. "Vamos cuidar dele. Você não precisa mais se preocupar."

Noel abriu os lábios para responder, mas nenhuma palavra saiu. Lentamente, deixou os ombros caírem. Seu papel, por enquanto, tinha acabado—enquanto os demais se preparavam para o seu.

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