
Capítulo 261
O Extra é um Gênio!?
A câmara do conselho agora estava silenciosa, a tensão da reunião real ainda pairava no ar. Uma a uma, as grandes portas se fechavam atrás dos governantes que iam embora, até sobrarmos apenas três — Nicolas, o rei Alveron IV e Redna.
Deyrion tinha sido o primeiro a sair, sem cerimônia, atravessando um portal místico que se dissipou em nada.
Nicolas quebrou o silêncio. "Vamos voltar para Valor agora, Alveron. Parece que a situação vai ficar crítica logo mais. Redna e eu precisamos estar presentes, só por precaução."
Alveron endireitou-se na cadeira. "Me teleporte lá."
Nicolas levantou uma sobrancelha. "Por quê? Você não precisa mandar seu exército particular primeiro e ir com eles?"
"Isso mesmo," respondeu Alveron, com voz firme. "Mas nosso navio será mais rápido. Uma magia de teletransporte dessas de grande escala, com guerreiros tão poderosos quanto os meus, não é viável. Chegaremos perto do fim do torneio."
Nicolas recostou-se um pouco, pensando. "Se tudo correr bem, esse é o dia em que faremos nossos movimentos. Torwan e o rei fantoche dele estarão presentes, e a fábrica quase não terá segurança... ou pelo menos é o que espero. Imagino que, com seu exército, será rápido."
"Exatamente por isso quero minha filha liderando-os," disse Alveron com firmeza. "E é por isso que quero que você me leve lá — para que eu possa dar as ordens pessoalmente."
Os olhos de Nicolas se estreitaram levemente, com uma curiosidade suave, mas ele não questionou a decisão. "Muito bem. Vamos ao meu gabinete, e eu trarei sua filha até você."
Alveron deu um curto aceno de cabeça. "Vamos."
Com um gesto simples, Nicolas formou o círculo de teletransporte sob eles. Runas douradas acenderam-se, suas luzes distorcendo o ar. Num piscar de olhos, a sala da reunião se dissolveu em uma explosão de cores e calor.
O círculo de teletransporte desapareceu, deixando Nicolas, Alveron e Redna de pé no interior polido de pedra do escritório particular de Nicolas — uma sala aninhada em um dos níveis superiores da grandiosa arena de Tharvaldur.
O espaço permaneceu exatamente como antes: quatro cadeiras altas ao redor de uma mesa de carvalho, estantes recheadas de pergaminhos e documentos lacrados, o som tênue da plateia do torneio ecoando pelas paredes.
Redna olhou ao redor uma vez, depois inclinou a cabeça em direção ao rei. "Com licença."
Ela saiu em silêncio, suas botas fazendo quase nenhum ruído contra o piso de pedra.
Alveron permaneceu junto à mesa, uma mão apoiada na encosto de uma das cadeiras. Nicolas lhe deu um cumprimento cortês. "Espere aqui, Majestade. Eu a encontrarei."
Sem mais delongas, Nicolas saiu do escritório e entrou no corredor que serpenteava ao redor da arena. De lá, o barulho das lutas em andamento era mais intenso — o rugido da multidão subindo e descendo como ondas.
Ele avançou com determinação, vasculhando as arquibancadas por cada arco aberto. Não demorou a avistá-la.
Seraphina estava entre a seção dos dignitários, com postura impecável como sempre. Seu cabelo longo e rosa pálido refletia a luz forte da arena, os fios suaves, soltos ou trançados com as discretas fitas imperiais que ela gostava de usar. Seus olhos claros — que mudavam entre azul gelo e cinza pérola, conforme o ângulo da luz — observavam a luta abaixo sem uma centelha de emoção visível.
Mesmo em silêncio, sua presença era dominante. A tonalidade de marfim de sua pele e as linhas precisas de seu traje militarizado lhe davam uma aura que não precisava de palavras para se afirmar.
Nicolas se aproximou silenciosamente, e, como se sentisse sua presença, ela virou a cabeça ligeiramente. "Diretora."
"Seu pai está aqui," Nicolas falou, com tom formal, porém caloroso. "Ele pede sua presença imediatamente."
Seraphina levantou-se num movimento suave, ajustando a casaca antes de dar um cumprimento educado. "Pode me levar até lá."
Juntos, eles seguiram pelo corredor de volta ao escritório, o som da arena ficando mais distante a cada passo.
A porta se abriu, e Seraphina entrou com a mesma graça composta que carregara pelo corredor. Seu olhar fixo na presença que aguardava junto à mesa. "Pai."
Os olhos carmes sinosos de Alveron suavizaram quase imperceptivelmente. "Seraphina."
Ela atravessou a sala, parando a uma distância medida dele, com as mãos juntas atrás das costas. "Veio pessoalmente a Tharvaldur. Isso… é inesperado."
"Há momentos em que um rei precisa agir direto," respondeu Alveron. Ele apontou para as cadeiras. "Sente-se."
Ela fez isso sem hesitar, mantendo a postura ereta, cada movimento preciso. Nicolas permaneceu ao lado da parede, silencioso, mas atento.
Alveron cruzou as mãos sobre a mesa. "Nosso continente foi atacado. Os responsáveis vieram sem aviso, deixando destruição para trás. Essa afronta não será ignorada."
A expressão de Seraphina não se alterou, mas o clima entre eles ficou mais tenso. "Quais são suas ordens?"
"Você liderará meu exército particular," disse Alveron de forma clara. "Comandará na operação contra esses responsáveis. Garantirá que eles paguem caro pelo que fizeram a Valor."
Seu queixo se levantou um pouco, embora o tom dela permanecesse calmo. "Uma resposta direta da coroa, executada por seus próprios sangue."
"Exatamente." O olhar de Alveron era firme, inabalável. "Sua disciplina, sua liderança das tropas, seu julgamento no campo — tudo será testado. E espero nada menos que vitória total."
Seraphina inclinou a cabeça. "Então, você terá. Farei com que nossos inimigos se lembrem do preço de mexer com Valor."
Por um breve momento, a sala ficou silenciosa, só ouvendo o rugido abafado da arena lá fora. Os olhos de Nicolas faiscaram entre eles, percebendo o peso das palavras de Alveron — aquilo era mais do que uma missão militar.
Alveron levantou-se em toda a sua altura, apoiando a mão no ombro da filha ao passar por ela. "Prepare-se."
"Sim, pai."
Quando terminou de falar, ele se levantou também. "Partimos agora, Nicolas. Leve-me ao castelo real em Valor."
Nicolas assentiu uma vez. "Conforme desejar, Majestade."
Nicolas colocou uma mão no ombro de Alveron, enquanto a outra traçava, rapidamente, sigilos precisos no ar. O círculo de teletransporte floresceu sob seus pés, uma luz dourada girando para cima. Num instante, ambos desapareceram, a luz desaparecendo tão rapidamente quanto surgira.
O silêncio tomou conta do escritório.
Seraphina permaneceu sentada, as mãos descansando levemente sobre a mesa. O significado das palavras do pai agora estava claro. Não se tratava de uma simples missão militar — era uma declaração ao tribunal, à nobreza e a todo o continente. Liderar o exército particular do rei em retaliação a um ataque a Valor seria visto por todos como prova da confiança dele nela… e da escolha de sua sucessora.
A ausência de Dior na conversa falou mais alto do que qualquer declaração. Se ela conseguisse, sua imagem como comandante estaria consolidada na mente aliados e rivais.
Seu olhar ficou fixo no espaço agora vazio where seu pai tinha ficado. 'Mais perto da coroa… talvez mais do que Dior já esteve.'