
Capítulo 239
O Extra é um Gênio!?
O vento dentro da arena da montanha ainda estava calmo, o ar seco e carregado de uma tênue tensão mágica. No centro do campo de batalha, duas garotas enfrentavam-se—uma vestida com um uniforme roxo fluido, adornado com detalhes prateados, a outra com um uniforme azul marinho profundo, cabelo curto e olhar frio.
Selene von Iskandar mal se mexia.
Seu adversária da Academia Lucéria invocou uma parede de luz roxa e avançou com uma lança longa.
Selene ergueu a varinha na mão esquerda. "Réquiem de Queda de Geada".
Uma onda de frio varreu o campo num instante, formando lanças de gelo irregulares sob seus pés. A temperatura despencou. A plateia prendia a respiração.
A garota de Lucéria nem chegou perto.
Ela se congelou no meio do ataque, seu armor coberto de geada branca. O sigilo de proteção no braço dela brilhou em azul—ativando-se pouco antes que a parede de gelo penetrasse por completo.
"Vitória—Selene von Iskandar!" anunciou o locutor.
Noel recostou-se na cadeira eexalou suavemente.
Balthor resmungou ao lado dele. "Ela manda bem. ganha dos adversários sem esforço… e nem parece gostar de fazer isso."
Noel não sorriu. "Ela não é fria, mesmo parecendo. É só… difícil para ela expressar as coisas. Vamos deixar assim."
Balthor olhou de relance para ele, depois encolheu os ombros. "Se você diz." Levantou-se e alongou os braços. "Vou pegar uma cerveja. Quer alguma coisa?"
Noel balançou a cabeça. "Não. A próxima luta é de alguém do Instituto Tharvaldur. Quero assistir—o Torwan disse que essa deveria perder. Se acontecer, teremos a confirmação."
Balthor coçou a barba. "Certo. Se eu perder, é só me contar como acabou."
Ele virou-se e desceu as escadas em direção à taverna dentro da arena.
Noel inclinou-se para frente, com os olhos fixos na areia abaixo.
'Vamos ver se seus jogos aguentam, Torwan. Se esse cara realmente perder… podemos confirmar de uma vez que você está puxando as cordas e quer fechar aquele negócio com a Estermont.'
Ele franziu a testa levemente.
'O dinheiro das apostas pode ajudar a lidar com ele. Não vou envolver as garotas nisso—principalmente a Elyra. Se der algo errado, o nome dela fica na jogada. Já tô arriscando o bastante.'
Ele olhou fixamente para o anel de ouro no dedo.
'Tenho certeza de que, com o tempo, elas vão ficar bravas comigo. Charlotte, Elena… e a Elyra, sobretudo. Mas acho que me conhecem o suficiente para deixar eu fazer as coisas do meu jeito. Se precisar de ajuda, vou pedir. Por enquanto… Balthor e eu já bastamos. Se Nicolas se juntar a nós, podemos acabar com isso antes que se espalhe.'
A voz do locutor ecoou novamente, vibrante e afiada:
"Próximo duelo! Representando o Instituto de Poder Arcano de Tharvaldur—Gorvan von Stonegrip!"
Viva explodiu na seção dos anões.
"E seu oponente, da Academia de Velmora—Veyar de Duskwretch!"
Noel apoiou os cotovelos nos joelhos, olhos estreitando.
Gorvan entrou na arena com passos firmes e confiantes. Sua estatura era robusta, mais alto que a maioria dos anões que Noel tinha visto, e carregada de músculos. Braçadeiras espiraladas adornavam seus braços, e magia de mana piscava ao longo das botas—sinais sutis de encantamento. Magia de terra grudava nele como poeira na pedra.
Seu adversário, Veyar, deslizou até o palco com um sorriso astuto. Delgado e magricelo, com pele semelhante a cinza molhada e olhos negros afiados, o rapaz-demonho arrastava duas lâminas curvas na areia, como se estivesse saboreando cada passo.
'É agora,' pensou Noel. 'Top 3 de Tharvaldur, especialista em magia física e de terra… Se perder, confirma a influência do Torwan.'
A luta começou.
Gorvan não perdeu tempo. Avançou com um estrondo, pisando forte.
"Rompe-Rochas!"
O chão sob seus pés rachou enquanto uma rajada de rochas irregulares se lançou em direção a Veyar, tentando derrubá-lo. O demônio saltou graciosamente, girando no ar e lançando duas perfurações negras com suas lâminas.
Gorvan ergueu um escudo de pedra com um grunhido, os golpes curvos ricochetearam com faíscas. Ele respondeu imediatamente.
"Punho de Pedra!"
Seu guantelete inchou de mana, revestido de terra, e atingiu uma cratera no chão. Um pilar de pedra comprimida emergiu sob os pés de Veyar, atingindo-o e lançando-o para trás.
A multidão rugiu.
Os olhos de Noel se estreitaram ainda mais. 'Até aqui, nem está sendo uma disputa'
Veyar rolou de volta para os pés, respirando pesado. Afinou-se novamente, usando ilusões—sua forma oscilava, se dividindo em três.
Gorvan não hesitou. Bateu com os punhos no chão.
"Terra Batendo!"
Um tremor local dispersou as imagens falsas, e Veyar, na sua forma verdadeira, vacilou, caindo de um joelho.
O anão avançou, levantando os punhos para terminar.
Depois… parou.
O corpo de Noel ficou tenso.
Gorvan parou no meio do passo, com os punhos tremendo. Seus olhos piscavam brevemente—quase como se tivesse esquecido onde estava. Ficou ali, vulnerável, exposto.
'Não…'
Veyar avançou rapidamente.
"Presas Sombrias!"
As duas lâminas atingiram o lado de Gorvan—não foi forte o suficiente para matar, mas suficiente para ativar o sigilo protetor. Ele brilhou azul. Uma barreira se formou ao redor do corpo do anão, prendendo-o no lugar. Desqualificado.
"Vitória—Veyar de Duskwretch, da Academia de Velmora!"
Vivas de comemoração surgiram, mas eram dispersas—confusas. Até alguns anões ficaram em silêncio.
Noel cerrava a mandíbula.
'Essa hesitação não foi natural. Aquilo bloqueou, como se algum medo tomasse a sua vontade. E foi exatamente no momento em que ele ia vencer.'
Ele olhou para Gorvan, que permanecia inconformado, enquanto o árbitro o conduzia para fora.
'Está enviando uma mensagem, né, Torwan? Que até os mais fortes podem cair. Que o medo persiste após ver o que aconteceu com o primeiro. Eu também lembro… como o Ossos de Marte apertou as costelas daquele cara como se fossem gravetos. Mas isso não foi só medo. Algo o parou.'
Seus punhos se cerraram um pouco mais.
'Você está manipulando isso… e de um jeito tão sutil que parece dúvida ou nervosismo. Seu nojento.'
Balthor voltou alguns minutos depois, empurrando e abrindo caminho pelo tumulto. Na mão, carregava uma caneca grande de cerveja espumante. Na outra, um pequeno saco de pano com amendoins.
"Desculpe—"
"Passando—"
"Cuidado com os pés, garoto!"
Finalmente, ele se acomodou ao lado de Noel com um gemido satisfeito.
"Ahh, valeu a espera." Olhou para ele. "Quer um pouco?" ofereceu os amendoins com um sorriso.
Noel negou com um movimento de cabeça. "Não, obrigado."
Balthor comeu um punhado de amendoim. "E aí? A luta terminou?"
"Sim," respondeu Noel, olhos ainda fixos na arena. "O estudante de Velmora ganhou. O de Tharvaldur perdeu… E dizem que ele é um dos top 3 da academia."
Balthor parou no meio do mastigado. "Ele perdeu? Assim, de repente?"
Noel assentiu. "Não foi óbvio pra todo mundo, mas ele travou quase no final. Só por um segundo. Tempo suficiente pra levar a pancada. Foi tão limpo—tão bem sincronizado."
Balthor recostou-se na cadeira. "Então… meu irmão não tava blefando."
Noel soltou o ar lentamente. "Parece que não. Não é o resultado que desejávamos, mas ajuda. Confirma que o Torwan está manipulando os resultados de algum jeito. Seja por ameaças ou algo mais…"
Balthor tomou mais um gole de cerveja, depois resmungou. "Vamos descobrir. Passo a passo. Ah, e você pediu pra levar seu terno pro Noriel, né?"
"Certo. Você já foi?"
"Claro. Duas moedas de ouro."
Noel levantou uma sobrancelha. "Duas moedas?"
"Quer que as consertem de graça? Seu terno tava marcado, rasgado, e com outras besteiras que você fez nele."
"Já me pagaram o suficiente pelos meus combates," resmungou Noel. "Não devia sair de graça?"
Balthor fez uma cara de quem achou graça. "Duas moedas. Ou então, na próxima leva lá com o Noriel. E acredite, ele vai te cobrar o dobro. Sou o único anão que consegue realmente barganhar com ele."
Noel suspirou. "Tá bom, tá bom."
Balthor sorriu para a caneca de cerveja.
O próximo combate já começava a ser anunciado, mas o foco de Noel se voltou imediatamente ao ouvir o nome:
"Representando a Academia Imperial de Valor—Elena von Lestaria!"
Ele sentou-se ereto.
Do portão esquerdo, Elena entrou na arena com elegância. Seu uniforme da academia—cinza formal com detalhes em vermelho escuro—flutuava com cada movimento. Seus cabelos prateados com nuances de platina brilhavam sob a luz artificial, presos de forma solta na nuca. As orelhas pontudas de elfa se mexiam sutilmente, e seus olhos âmbar percorreram as arquibancadas com quieta determinação.
Ela procurava.
Então—encontrou.
Seu olhar travou com o de Noel por um segundo.
Sem pensar, ela levantou a mão e lhe enviou um beijo.
Assim que fez isso, seu rosto ficou avermelhado, e ela virou rapidamente a cabeça, tentando se recompor.
Noel piscou surpreso, depois deu um leve sorriso, um pequeno gesto de despedida com a mão.
'Coisa fofa.'
De uma fila acima, uma confusão começou.
"Espera, era pra mim?"
"Nos seus sonhos. Ela claramente tava olhando pra mim."
"Mano, ela olhou direto pra mim, tô ali embaixo—"
"Cala a boca, ela virou pra esquerda e eu tô do lado esquerdo!"
A discussão virou uma leve encenação de puxões e empurrões.
Noel nem olhou pra cima. Seu sorriso se alargou um pouco.
Balthor se inclinou, segurando sua meia caneca de cerveja. "O que foi isso tudo?"
"Nada importante," respondeu Noel, ainda observando Elena à distância.
A multidão se acalmou novamente enquanto Elena se posicionava na linha de partida do campo.