
Capítulo 238
O Extra é um Gênio!?
A arena, escavada profundamente no coração da montanha de Tharvaldur, ecoava com passos distantes e vozes murmurantes. Raios suaves de luz artificial—filtrados através de cristais de mana brilhantes embutidos no teto—Banharam as arquibancadas de pedra com um brilho acolhedor. A plateia ainda não estava completamente lotada, deixando espaço para conversas silenciosas.
Noel sentou-se ao lado de Balthor, ambos observando enquanto o piso da arena era limpo e reestruturado pelos funcionários.
Balthor recostou-se com um sorriso de canto. "Ei, garoto, você me rendeu uma graninha boa. Sabia que você não perderia. Continue assim."
Noel cruzou os braços. "Disse que não gosto de perder. Sou competitivo por natureza." Ele lançou um olhar para o campo abaixo. "E se continuar assim, talvez comece a mexer com os planos do Torwan. Se alguém do Instituto de Poder Arcano de Tharvaldur perder uma batalha comigo, pode abalá-lo."
Balthor ergueu uma sobrancelha. "Você acha que aquele bastardo vai vacilar só porque perdeu uma aposta?"
Noel não desviou o olhar. "Ele não é só um apostador. É o diretor da academia e tem o Rei de Tharvaldur por trás dele. Você me falou que o rei mudou há dez anos… e foi nesse período que seu irmão reapareceu."
Balthor Piscou. "Você acha que há uma conexão, rapaz?"
Noel deu de ombros. "Só saberemos se investigarmos mais fundo. O torneio termina em umas três semanas. Precisamos agir antes disso. Não quero que mais estudantes acabem como aquele pobre cara na arena subterrânea."
Balthor bufou e then arquou um sorriso. "Bem, você deu uma surra de verdade naquele grandão. Se eu tivesse ido lá, poderia ter feito o mesmo."
Noel olhou pra ele, sem expressão. "Você tem o tamanho de um barril de cerveja."
Balthor riu alto. "Pequeno mas perigoso, garoto. Pequeno mas perigoso."
De suas posições nas arquibancadas do meio, Noel olhou para cima em direção à galeria mais alta da arena. Elevada, decorada com detalhes em prata, oferecia uma vista grandiosa de todo o coliseu. Quatro figuras estavam sentadas atrás de uma barreira transparente de escudo de mana—cada uma representando uma das principais academias.
Dentre elas, Noel reconheceu imediatamente uma.
Nicolas von Aldros.
Ele parecia não ter mais que quarenta anos, com cabelo curto prateado, linhas faciais afiadas e um olhar calmo, porém penetrante. Sua túnica violeta escura brilhava com bordados arcanos que pulsavam lentamente com mana.
Seus olhos se encontraram à distância.
Nicolas deu um leve aceno de cabeça.
Noel respondeu na mesma medida, com expressão neutra.
"Com quem você tá acenando?" Balthor perguntou, olhando ao redor.
"Com o diretor da minha academia," disse Noel. "Nicolas von Aldros."
Balthor soltou um pequeno grunhido. "Ah, certo. Bom…"
Ele apontou para o campo. "Parece que a luta vai começar."
Noel voltou o olhar para a arena enquanto o locutor avançava com uma voz forte, amplificada por mana.
Um adolescente baixo, mas robusto, entrou no palco da arena, com armadura de escamas vermelhas que refletia a luz das tochas mágicas ao redor. Sua barba trançada mal chegava ao peito, e embora fosse claramente jovem, seus passos carregavam peso treinado. Uma machadinha pesada descansava sobre seu ombro, ainda úmida de suor.
A voz do locutor ecoou de um cristal de mana flutuante:
"Representando o Instituto de Poder Arcano de Tharvaldur—Falkrin Flamebrew!"
A multidão de anões explodiu em aplausos ensurdecedores.
De uma porta oposta, surgiu um rapaz alto—magro e gracioso, com chifres curvos pretos e pele cinza ardósia. Sua túnica sem mangas deixava um pouco de bruma fria escapar, e na mão esquerda ele conjurou um tridente de cristal azul profundo. Sua expressão era indecifrável.
"E representando a Academia de Velmora—Razek von Kaldor!"
Os aplausos de Velmora foram poucos, porém mais intensos—querendo ver fogo sendo apagado pela água.
"Comecem!"
Razek foi o primeiro a atacar—ele fincou o tridente no chão, e um jato de água surgiu, enrolando-se como uma serpente e avançando na direção de Falkrin. O anão rolou de lado, levantando a mão.
"Pulso de Chama!"
Razek foi o primeiro a agir. Ele ergueu seu tridente, e a água girou para cima debaixo dele.
"Nó do Abismo!"
Um chicote de água condensada cortou o campo em alta velocidade, rápido e mortal. Falkrin se abaixou e escorregou de lado, com a manopla cerrada.
"Bola de Fogo!"
Uma esfera de fogo explodiu de sua mão, rasgando o ar em direção a Razek—que girou seu tridente e desviou com uma muralha de água.
"Coroa de Água!"
O impacto gerou uma onda na barreira de água, mas não a quebrou. Em resposta, Razek estendeu uma mão e lançou duas projéteis rápidos, finos como agulhas.
"Fluxo Puncente!"
Falkrin levantou seu machado, bloqueando um—enquanto o outro lhe raspava a perna, causando um rangido de dor.
'Droga... rápido e preciso,' pensou Noel das arquibancadas, com os olhos semicerrados. 'Mas Falkrin não está hesitando.'
O anão avançou, com os pés levemente brilhando com runas ocultas sob as botas.
"Armadilha de Chamas!"
Um sigilo de fogo inflamou-se sob os pés de Razek—mas o demônio recuou na hora, fazendo um giro no ar e retaliando com uma rajada horizontal de água sob pressão.
"Corte de Corrente de Maré!"
A água se curvou como uma lâmina, mas Falkrin respondeu com um golpe brusco de seu machado.
"Arco de Fogo!"
Uma meia-lua de fogo encontrou a onda no ar, colidindo numa explosão de vapor. A multidão se inclinou para frente, espontaneamente.
De um lado a outro, fogo e água se confrontaram—vapor assoviando através da arena. Razek parecia dançar ao redor dos golpes brutos de Falkrin, mas o fogo do anão ia ficando mais quente… mais concentrado.
'Algo está errado,' pensou Noel. 'Aquele fogo... não está apenas melhorando. Está sendo intensificado.'
Razek piscou mais uma vez com seu tridente.
"Isca da Maré!"
O chão sob Falkrin suavizou-se em água, tentando puxá-lo para baixo. Falkrin rugiu e bateu a palma da mão na areia.
"Jorro de Chamas!"
Uma coluna de fogo saiu de sua mão, levantando-o em uma chama giratória. Ele deu uma volta no ar e arremessou seu machado com brutal precisão.
Os olhos de Razek se arregalaram. "Coroa de Água!"
Um muro de água subiu novamente—mas desta vez, não o fez rápido o suficiente.
O machado passou a centímetros de impacto quando—
FWASH!
O escudo protetor ao redor de Razek ativou-se, brilhando em azul claro. O machado parou no ar por um segundo, pairando, antes de cair ao chão sem causar danos.
O público prendeu a respiração.
"Sigilo de proteção ativado!" anunciou o árbitro. "Vença—Falkrin Flamebrew!"
A audiência explodiu em aplausos e assobios. Os anões pisavam ritmicamente, gritando o nome de Falkrin.
Razek levantou-se lentamente, seu tridente desmanchando-se em gotas que evaporaram. Ele deu um pequeno aceno e virou-se de costas.
Falkrin ergueu os dois punhos, triunfante.
Porém, Noel não participou dos aplausos. Seu olhar permaneceu fixo no anão lá embaixo.
'Aquilo não foi normal. A explosão de controle de mana, a forma como seu fogo resistiu à água assim…'
Ele estreitou os olhos.
'Foi sutil,' pensou, mantendo o olhar na arena. 'Mas já vi isso antes. Durante o Banquete Sangrento... Você está enchendo eles de substância, Torwan. Igual ao Caldus, foi você quem deu aquilo a ele?.'
Balthor inclinou a cabeça na direção dele. "Parece que você acabou de engolir uma pedra azeda. O que aconteceu?"
Não respondeu imediatamente. Seus olhos continuaram fixos em Falkrin, que agora deixava a arena com seu machado pendurado no ombro, rindo e acenando para a seção de sua academia.
Noel se endireitou, a voz baixa, porém firme. "Começo a achar que Falkrin não ganhou só pelo talento. Acho que eles estão dopados, essa é a razão de ele sempre saber que vão vencer."
O rosto de Balthor ficou mais sério. Ele coçou a barba, com o olhar mais fechados. "Aquele idiota realmente está apostando com dados viciados."
"Exatamente," disse Noel.
'Precisaremos conversar com o Nicolas em breve,' pensou Noel. 'Se você ainda não descobriu isso depois de tudo, vou te contar eu mesmo.'