
Capítulo 240
O Extra é um Gênio!?
O impacto dos feitiços diminuiu à medida que o sigilo de proteção brilhou intensamente sobre aArena.
"A vitória é de Elena von Lestaria da Academia Imperial de Valor!"
Aplaudiu-se com força e orgulho na seção de sua academia, embora não fosse tão ensurdecedor quanto alguns dos aplausos anteriores. Elena fez uma pequena reverência, sempre composta, antes de sair calmamente do campo.
Noel recostou-se na cadeira. "Mais uma vitória limpa."
Balthor colocou uma castanha de amendoim na boca. "Ela nem mesmo suou. Quando a trouxe na primeira vez, parecia uma garotinha assustadinha, mas acho que estava enganado — aparência não é tudo que parece."* [1]
"Ao menos foi uma luta divertida. A oponente dela era boa — mas Elena é melhor. E sim, você não deveria julgar alguém só pela aparência, porque provavelmente ficaria surpreso com as coisas que poderia descobrir."
As lutas continuaram. Mais combatentes apareceram e desapareceram, mas o padrão não mudou. Cada batalha do Instituto Tharvaldur de Poder Arcano terminou exatamente como Torwan previu: alguns venceram com confiança, outros perderam de uma forma que parecia… orquestrada.
Noel não disse nada, mas seus pensamentos ficavam cada vez mais pesados.
'Cada resultado está alinhado perfeitamente. Ninguém está quebrando o roteiro. Ou estão com medo, ou Torwan de alguma forma fez com que não pudessem desafiar o que ele decidiu.'
Ao lado dele, Balthor levantou sua caneca novamente. "Bem, se nada mais, vamos fazer um bom dinheiro com isso. Com esse dinheiro, dá pra fingir que somos os Estermont e tentar fazer ele contar mais sobre tudo… seu irmãozinho boboca."
Noel assentiu levemente.
Cravou os braços, fixando o olhar na arena.
Então, algo inesperado aconteceu.
Enquanto a próxima dupla de estudantes subia ao palco, uma leve pulsação de mana agitou o ar ao redor de Noel.
Uma brisa — antinatural e suave — passou por sua bochecha.
Depois, uma carta apareceu.
Ela não caiu. Não veio voando de cima. Simplesmente pairou, materializando a poucos centímetros do seu rosto, suspensa no ar com um brilho tênue.
Noel piscou.
Balthor franziu a testa e se inclinou. "O que diabos é isso?"
"Uma carta", respondeu Noel, puxando lentamente.
"Sem brincadeira, gênio. A questão é — de quem?"
Noel quebrou o selo. Cera preta elegante, marcada com um sigilo que ele reconheceu instantaneamente.
Desfez o pergaminho e leu silenciosamente:
"Noel Thorne. Encontre-me nas câmaras privadas. É hora de conversar. – Nicolas von Aldros."
"É do diretor", comentou Noel em voz alta.
Balthor levantou uma sobrancelha. "Ah, é? O que ele quer?"
"Ele disse… que chegou a hora de conversarmos. Agora."
Balthor respirou fundo. "Então vai lá. Você não faz o diretor esperar — especialmente um assim."
Noel levantou-se. "Você vai comigo."
Balthor piscou. "Eu? O que tenho a ver com esse papo de imperial?"
"Você faz parte disso desde o começo", disse Noel, já descendo as escadas. "Agora, se mexe, anão bêbado."
Balthor murmurou um comentário — "Puxa esse moleque até demais…" — e seguiu-o.
O ruído da multidão virou um zumbido distante enquanto Noel e Balthor desciam para os corredores internos daarena.
O clima mudou imediatamente.
O corredor se estendia longo e estreito, suas paredes esculpidas em blocos de granito escuro, cada um gravado com runas que brilhavam levemente. Lanternas flutuantes pairavam ao longo das bordas, suas chamas azuis projetando sombras longas sobre insígnias gravadas na pedra — brasões de campeões anteriores, banners da academia e antigos registros de torneios.
Um aroma de incenso perdurava no ar, misturado com cheiros mais familiares de suor, poeira e metal. Em algum lugar mais fundo nos corredores, o eco de passos pesados e vozes sussurrantes indicava uma equipe se preparando para as próximas lutas.
Balthor seguia atrás, os olhos vasculhando tudo. "Este lugar tá limpo demais… pra um lugar onde as pessoas quebram costelas todo dia."
Noel não desacelerou. Virou à esquerda, depois à direita, passando por dois guarda-costas que não questionaram.
Balthor franziu a testa. "Como você sabe pra onde estamos indo?"
"Entrei às escondidas na última vez", respondeu Noel sem parar de caminhar.
Balthor bufou. "Não me surpreende."*
Passaram por uma fila de portas pesadas, cada uma trancada com fechos de metal e sigilos mágicos. No fundo do complexo, os corredores se tornaram mais silenciosos, mais vigiados, mais oficiais.
Alguns professores cruzaram o caminho, acenando rapidamente, mas sem dizer uma palavra. Funcionários do torneio carregavam caixas de suprimentos ou verificavam listas em pergaminhos que brilhavam.
No final de um corredor, uma porta alta e negra permanecia aberta.
Bem na porta, esperando com os braços cruzados atrás das costas, estava Nicolas von Aldros.
Ao se aproximarem, Nicolas fez um leve aceno de cabeça.
"Faz tempo que não te vejo", disse calmamente. Depois, seu olhar se voltou para Balthor. "E quem é esse aí?"
O anão deu um passo à frente e bateu no peito. "Balthor. Proprietário do Martelo Embriagado, lá no bairro mais baixo de Valon."
Nicolas levantou uma sobrancelha. "Interessante. E por que trouxe ele, Noel?"
A voz de Noel permaneceu firme. "Porque ele faz parte disso. Tem me ajudado desde o começo — e sabe o com que estamos lidando."
Nicolas observou Balthor por um segundo, depois olhou de volta para Noel. "Entendi. Você tem algo pra mim?"
"Descobri quem é o Quinto Pilar", disse Noel sem vacilar.
Isso fez Nicolas dar uma pausa.
Sua postura mudou um pouco — mais atento, mais interessado. "Então, parece que essa conversa vale a pena. Nós mesmos descobrimos várias coisas nesses últimos meses também."
Ele se virou e indicou a porta. "Vamos conversar lá dentro. Vai ser mais reservado."
Balthor deu um pequeno aceno. "Com prazer, Diretor Nicolas von Aldros."
"E o prazer é todo meu, Sr. Balthor", respondeu Nicolas com um tom ligeiramente respeitoso.
A porta se abriu.
Quando a pesada porta se fechou atrás deles, Noel aproveitou para dar uma olhada ao redor.
A sala estava silenciosa, iluminada suavemente por luminárias de mana flutuantes fixadas perto dos cantos do teto. As paredes de pedra —sem adornos, mas perfeitamente polidas— davam ao espaço uma sensação de peso e autoridade. No centro, uma mesa retangular de madeira escura, elegante na aparência, mas claramente feita para negócios, não decoração.
Quatro cadeiras a cercavam.
Nicolas moveu-se sem hesitação, puxou uma e sentou-se. Indicou aos outros que fizessem o mesmo.
Balthor ficou em pé por mais um momento, inspecionando o teto em busca de armadilhas — meio a sério — até finalmente se acomodar na cadeira com um grunhido.
Nicolas entrelaçou os dedos. "Pois bem. Vamos começar."
[1] - Expressão idiomática brasileira equivalente a "appearances are not what they seem": "a aparência não é tudo" ou "não se deixe enganar pelos olhos".