O Extra é um Gênio!?

Capítulo 241

O Extra é um Gênio!?

Noel ocupou seu assento sem dizer uma palavra, acomodando-se na cadeira de madeira com um leve rangido. A mesa entre eles era simples, retangular e resistente—mais feita para estratégia do que para conforto. Balthor caiu na cadeira ao lado, exalando enquanto ajustava a postura.

Do lado oposto, Nicolas von Aldros assumiu a posição em frente a Noel. Seus movimentos eram precisos, quase rituais. Uma cadeira permanecia vazia no final da mesa—silenciosa e aguardando.

O silêncio persistiu por alguns segundos.

Então, Nicolas falou primeiro.

"Deixe-me começar," disse, com tom calmo, porém direto. "É importante que nosso novo… investigador, Balthor, esteja completamente a par da situação."

Balthor confirmou com um curto aceno. "Obrigado por pensar em mim."

Nicolas continuou, entrelaçando os dedos sobre a mesa. "Os ataques recentes na Capital Santa e na Academia Imperial de Valor estão mais ligados do que imaginávamos inicialmente. Muito mais."

Ele fez uma pausa, escaneando os dois rostos.

"Há um grupo envolvido. Ainda não sabemos quem são—sem nomes, sem raça, sem propósito confirmado. Nada. Mas sabemos que o objetivo deles não é nobre. Eles atacam pessoas específicas ou objetos que parecem essenciais para o que quer que estejam planejando."

Ele levantou um dedo. "O primeiro incidente foi o Banquete Sangrento. Uma emboscada coordenada dentro dos muros da nossa academia."

"Depois," continuou, "foi a exposição de um professor—Kaelith. Um demônio que se infiltrou na Academia Imperial sob o pseudônimo 'Lereus'. Ele ensinou por quase uma década sem levantar suspeitas."

"E, por último… a tentativa de assassinato do Santo na Capital Santa. Essa tentativa quase destruiu toda a cidade. Foi interceptada na calada da noite."

Balthor coçou a barba, com o rosto mais sério do que de costume. "Ouvi falar dos ataques, claro. A notícia chega aos bairros mais baixos eventualmente. Mas não assim. Vocês fizeram um excelente trabalho mantendo tudo em sigilo."

Nicolas assentiu levemente. "Esse era o objetivo."

Ele recuou um pouco.

"E agora que o contexto está claro… vamos avançar."

Nicolas ajustou levemente as mangas e olhou para Noel. "O que vou compartilhar agora é o que aconteceu durante os meses em que investi na investigação—juntamente com o Rei Alveron IV de Valor e o Rei Deyrion Neral de Velmora."

Balthor piscou. "Espera… ambos os reis? Trabalhando juntos?"

Noel virou lentamente a cabeça. "Você não consegue ficar quieto, anão bêbado?"

Balthor levantou as mãos. "Tudo bem, tudo bem, vou ficar de boca fechada e ouvir."

Nicolas esclareceu a garganta. "Começamos por Velmora. Cidades capitais, portos comerciais, centros de crime conhecidos… passamos por tudo. E, para nossa frustração, nada ligava diretamente aos ataques."

Sua voz diminuiu um pouco. "Se é que algo, o Rei Deyrion parecia tirar maior proveito. Seu território está mais limpo do que há décadas. Redes criminosas desfeitas. Mercado negro limpo."

Noel ergueu uma sobrancelha. "Não é uma coisa boa? Mesmo que sejam demônios, um continente mais seguro beneficia a todos, não é?"

Nicolas sorriu de forma contida. "Verdade. Mas o timing é suspeito. Parece mais caos controlado que uma reforma honesta."

Ele fez uma pausa, batendo levemente o dedo na mesa. "Foi aí que surgiram a pergunta importante—uma que imagino que você já tenha pensado."

Noel assentiu. "Como Kaelith… e talvez outros como ele… conseguiram atravessar de Velmora até Elarith?"

"Exatamente," disse Nicolas. "Não é fácil contrabandear um operante de alto nível para o coração de um continente rival—não por um ano, quanto mais por dez."

Ele aparentou seriedade agora.

Noel inclinou-se para frente, com a testa levemente franzida. "Existem apenas duas maneiras reais de atravessar entre Velmora e Elarith, certo? Ou pelos montes… ou de navio."

Nicolas concordou. "Correto. E a rota pelas montanhas é basicamente suicídio. Mesmo para alguém como eu."

Balthor ergueu uma sobrancelha. "Tão ruim assim?"

"Pior," respondeu Nicolas. "Existem regiões até lá que nem são mapeadas. Tempestades de mana, monstros… Você precisaria de um guia local, alguém com anos de experiência. E mesmo assim, levaria meses—evitando ameaças o tempo todo."

"Então isso deixa o navio," disse Noel.

"Exatamente," confirmou Nicolas. "Nos concentramos nas rotas marítimas. Quem navegava? Quem possuía os navios? Quem aprovava os documentos de viagem?"

Ele fez uma pausa, olhando para ambos. "Esse foi o ponto em que a aliança com o Rei Deyrion ajudou. Existe um acordo antigo entre Velmora e Tharvaldur—feito há mais de vinte anos. Permite uma única rota de comércio bem monitorada. Um grande navio faz esse trajeto constantemente. É a mesma rota que os estudantes de Velmora usavam para vir a este torneio."

Balthor soltou um assobio baixo. "Então eles não entraram escondidos. Simplesmente… entraram pela porta da frente."

"Disfarçados, documentados e sem serem percebidos," confirmou Nicolas.

Ele recostou-se um pouco, esfregando a testa. "A próxima parte é mais longa. Querem algo para beber?"

Noel não hesitou. "Café com suco."

Balthor olhou para ele surpreso. "…Juntos?"

"É. Misturado."

Nicolas piscou lentamente.

Balthor virou-se para o diretor. "Devemos… dizer algo?"

Nicolas balançou a cabeça. "Não. Só deixar acontecer."

"Vou querer uma cerveja," murmurou Balthor.

Sem mais palavras, Nicolas bateu na mesa—uma magia silenciosa já convocando os pedidos deles.

"Depois disso, os reis tiveram que retornar às suas tarefas," continuou Nicolas, juntando as mãos novamente. "Deixando que eu investigasse os detalhes sozinho."

Ele respirou fundo. "Foquei nos registros de portos—particularmente os logs de uma década atrás. Procurei por inconsistências, troca de nomes, trocas de tripulação. Qualquer coisa."

Noel permaneceu em silêncio, observando atentamente.

"Foi aí que eu encontrei," disse Nicolas. "O nome 'Lereus' apareceu em um dos registros mais antigos. Era a identidade que Kaelith usou quando embarcou pela primeira vez no navio que atravessou de Velmora para Elarith."

Balthor fez uma careta. "Então o bastardo usou aquele pseudônimo desde o começo?"

"Sim," respondeu Nicolas. "E mais: a propriedade daquele navio mudou exatamente há dez anos. O proprietário original desapareceu de todos os registros, e um novo assumiu o controle."

Noel estreitou os olhos. "Isso também aconteceu na época em que Tharvaldur trocou de rei, não foi?"

"Justamente."

Balthor bufou. "Então o timing também combina perfeitamente. O movimento de Kaelith, a troca de mãos do navio, e um novo rei tudo no mesmo ano?"

Nicolas assentiu lentamente. "Acreditamos que a mudança na coroa permitiu mais do que uma simples troca política. Ela abriu uma via de passagem silenciosa, limpa, legítima."

"E vocês têm certeza de que não é mera coincidência?" Noel perguntou.

"Tenho certeza," respondeu Nicolas. "Assim que encontrei aquele registro, soube que estávamos de frente para uma passagem que ficou aberta por dez anos."

Noel ficou pensativo, processando.

'É assim que eles entraram. Ok, finalmente uma dúvida foi esclarecida.'

Nicolas endireitou-se. "O proprietário atual daquele navio—aquele que controla toda essa rota marítima—está envolvido. Não sei até que ponto, mas não é um simples comerciante. Faz parte disso."

Ele olhou para Noel. "Agora... você disse que tinha algo tão importante para compartilhar. Que descobriu a identidade do Quinto Pilar."

Noel manteve o olhar firme. "Tenho."

Uma batida na porta.

Entrou silenciosamente uma jovem garçonete, equilibrando uma bandeja com três bebidas. Ela se moveu com graça profissional, colocando uma xícara de porcelana branca com chá quente na frente de Nicolas, e uma caneca enorme de cerveja com espuma na frente de Balthor—que sorriu como se tivesse acabado de ver um velho amigo.

Então ela hesitou.

Ficou encarando a terceira bebida.

Um copo de vidro cheio de uma mistura estranha de café preto bem escuro… e suco de citrus espesso.

Ela olhou para Noel. Depois olhou de volta para a bebida. E depois olhou novamente para Noel.

A expressão dela era difícil de interpretar.

Colocou-a suavemente na mesa, como se estivesse deixando uma carga explosiva.

Depois saiu sem dizer uma palavra.

A porta se fechou com um clique atrás dela.

Nicolas olhou para o copo. Depois para Noel.

Balthor nem tentou esconder sua expressão. "Rapaz… que diabo está errado com você?"

Noel deu um gole. Completamente indiferente.

"...É refrescante."

Os outros dois ficaram em silêncio.

O silêncio permaneceu por mais um momento—até Nicolas esclarecer a garganta.

"Vamos continuar."

Comentários