O Extra é um Gênio!?

Capítulo 242

O Extra é um Gênio!?

Noel se movimentou levemente na cadeira, endireitando as costas. A sala permanecia silenciosa, a mesa entre eles sólida e bem fixa—exatamente como o peso da verdade prestes a ser revelada.

"Bom… acho que chegou a minha vez," disse Noel, num tom equilibrado. "Vou começar pelo começo. Igual você fez."

Balthor lançou um olhar de soslaio enquanto Noel tossia ligeiramente.

"Tudo isso remonta ao Valon. Um dia, eu disse ao Balthor que o irmão dele ainda estava vivo. Que eu tinha provas—ou pelo menos, fortes razões para acreditar nisso."

Nicolas levantou uma sobrancelha, interrompendo imediatamente. "Quem te passou essa informação, Noel?"

Noel hesitou.

Ele não podia dizer a verdade. Que ele simplesmente sabia, porque o Sistema lhe dizia.

Então, mentiu.

"Tem uma rede de vagabundos," disse simplesmente.

Nicolas se inclinou levemente para trás. "E o que vagabundos sabem sobre algo tão sensível?"

Antes que Noel pudesse responder, Balthor interveio.

"Você ficaria surpreso," disse, cruzando os braços. "Os vagabundos são capazes de tudo. Estão por toda parte—nos becos, nos telhados, nas tavernas, nos estábulos. Ouçam coisas que ninguém mais ouve. E, se você pagar o preço certo, eles te dão o que precisa. É uma das poucas coisas em que sempre podemos confiar neste mundo."

Noel conteve um suspiro de alívio.

'Parece que deu certo. Boa.'

Ele tossiu de novo e prosseguiu. "De qualquer forma, o Balthor ia comigo para Tharvaldur… mas o anão idiota se adiantou e chegou duas semanas antes."

"Ei," resmungou Balthor.

Noel ignorou-o. "Disse que não encontrou nada útil. Mas encontrou—só não percebeu na hora."

Ele se inclinou um pouco, com a voz calma, porém firme.

"Você conhece a cena de apostas aqui, certo?"

Nicolas deu um pequeno aceno. "Sim. O sistema de apostas não é exatamente escondido. É tolerado… até certo ponto."

"Pois bem," disse Noel, "há mais do que aparece na superfície. Existe uma segunda camada—não oficial. Apostas clandestinas. E não é só por diversão. As partidas estão sendo manipuladas."

O rosto de Nicolas permaneceu impassível, mas seus olhos se aguçaram.

"Imagino que esteja se referindo às disputas entre estudantes no Instituto Tharvaldur de Poder Arcano?"

"Exatamente," respondeu Noel. "Nem todas são falsificadas. Mas algumas vitórias e derrotas estão claramente sendo influenciadas. E, pelo quão precisas foram as previsões do Torwan, eu diria que ele é quem está por trás dos bastidores."

Balthor resmungou em concordância. "Não demorou para perceber que alguma coisa estava errada. Cheio de lutas que mudavam o rumo de forma que não faz sentido."

Nicolas expirou lentamente. "Percebemos também. E os outros diretores notaram. Chegamos a falar com o diretor Torwan."

Noel levantou uma sobrancelha. "E ele?"

"Fingiu que não sabia de nada. Disse que não tinha conhecimento. Como a manipulação só prejudicava a reputação da própria academia dele e a nossa ganhava prestígio… deixamos pra lá."

O olhar de Noel se tornou mais agudo. "Faz sentido—se oTorwan não estivesse por trás de tudo."

Nicolas se inclinou um pouco para frente. "Você tem certeza?"

"Tenho."

Houve uma pausa.

"Então… isso confirma minhas suspeitas."

"Você já suspeitava dele?" perguntou Noel, estreitando um pouco os olhos.

Nicolas assentiu lentamente. "Sim. Mas é… complicado. Não podemos agir diretamente."

"Por quê?" perguntou Balthor, inclinando-se com uma expressão de desagrado. "Se meu irmão é corrupto, expulse-o."

Noel balançou a cabeça. "Você esquece com quem ele se associa."

Nicolas respondeu calmamente. "Torwan está protegido pelo próprio rei Tharvaldur… e por várias das mais ricas famílias nobres da região. Agir contra ele sem provas, sem preparação—não seria apenas um suicídio político. Poderia desencadear um conflito."

"Uma guerra," resmungou Noel.

Nicolas não negou.

"Por isso, mantivemos silêncio. Mas estamos de olho. O rei Alveron colocou ele numa lista de suspeitos silenciosamente."

Noel concordou. "Então estamos alinhados."

Noel se inclinou para frente. "Precisamos descobrir algo—porque tudo isso está afetando os estudantes."

Ele fez uma pausa, depois olhou diretamente para Nicolas.

"Veja, diretor Nicolas, antes que começassem a manipular as lutas com aprimoradores para vencer e… qualquer outro método que use para fazer os outros perderem, aquele estudante que abriu o torneio foi literalmente esmagado por um capanga do Torwan."

"Então, por nossa parte, já começamos a agir," disse Noel. "E já fizemos algum progresso por dentro."

Ele trocou olhares com Balthor e prosseguiu. "Graças ao Balthor, conseguimos acesso ao cenário clandestino de apostas. Estamos operando sob um nome que tem peso."

Nicolas inclinou a cabeça. "Que nome?"

"Os Estermont."

Nicolas arregalou um pouco os olhos. "Família da sua namorada… Elyra von Estermont?"

Noel fez uma pausa. "Exatamente. Ela não sabe, claro."

Ele franziu um pouco o rosto. "E também… como você sabe que ela é minha namorada?"

Nicolas sorriu de leve, mas não respondeu.

Noel suspirou. "Enfim. O ponto é que estamos apostando de acordo com as previsões do Torwan. Cada jogo até agora bateu, o que nos dá credibilidade. E, mais importante, estamos formando capital."

"Capital que você usará para chegar mais perto dele?" perguntou Nicolas.

"Esse é o plano," confirmou Noel. "Vamos nos encontrar com ele de novo hoje. Dependendo de como agir, veremos até onde podemos chegar."

Nicolas assentiu lentamente. "Boa. Vou tentar coordenar alguma coisa com o rei Alveron enquanto isso."

Ele olhou diretamente para Noel agora. "E lembre-se do item que te dei."

Noel bateu levemente na lateral da bolsa de cinto. "Tenho o Selo de Recalque comigo o tempo todo, dentro da minha bolsa. Se algo acontecer, vou chamar na hora."

Nicolas ficou em silêncio por um momento, depois expirou pelo nariz.

"Por enquanto, é tudo..." disse, fazendo uma breve pausa. "Noel, garoto… tome cuidado."

Ele olhou direto para ele—sem formalidades, sem títulos. Apenas um aviso.

"Já te avisei antes, mas você parece atrair problemas. Talvez não seja coincidência. Talvez alguma coisa esteja puxando isso até você. Não vou te impedir de seguir em frente… mas, se acontecer alguma coisa—me conte. Sem desculpas."

Noel assentiu. "Entendido. Mantenho você informado."

Ele se levantou, ajustando o casaco. "Vamos sair agora, diretor Nicolas. Obrigado pela informação."

"Se cuide, Noel."

Balthor levantou levemente a caneca ao se levantar. "Até mais, Nicolas."

Eles saíram da sala privada, a pesada porta se fechando suavemente atrás deles.

Os corredores da arena ainda ecoavam com aplausos distantes e explosões mágicas. Os estudantes ainda lutavam, e o torneio seguia sem parar.

Noel e Balthor retornaram aos seus assentos sem dizer muitas palavras.

A multidão, as luzes, o barulho—tudo voltou a ganhar foco.

Comentários