
Capítulo 243
O Extra é um Gênio!?
O sol da tarde filtrava-se pelo vidro encantado da cúpula da arena, lançando um suave brilho dourado sobre as arquibancadas de pedra. A maioria das lutas estava chegando ao fim — só algumas ainda continuavam. A multidão tinha ficado mais silenciosa, mais tranquila.
Noel permanecia sentado, de braços cruzados, olhos pregados de forma indolente na batalha atual no campo.
'Pelo menos aqui fiz progresso', pensou. 'Ao contrário do que aconteceu na Capital Sagrada, onde, após semanas de nada, precisei improvisar. Aqui eu posso respirar por um momento. Sei quem é o Quinto Pilar… e sei o que ele faz.'
Ele inclinou levemente o olhar.
'Pelo que lembro do romance, ele nem é tão forte assim. Capturá-lo não será o problema. A verdadeira questão será o que vem depois. Se o diretor do Instituto Tharvaldur de Poder Arcano desaparecer repentinamente, vai causar um escândalo daqueles.'
"Noel, o que está pensando tanto, rapaz?" a voz de Balthor o tirou de seus pensamentos.
Noel olhou para ele. "Nada. Só pensando no que discutimos com o diretor."
Balthor recostou-se, respirando fundo. "Bem, por ora, pode relaxar. A noite é que é a hora de verdade. Vamos ter que encarar meu irmão de novo..."
Noel assentiu. "Sim. Eu sei."
Seus olhos voltaram à arena.
'Por enquanto, essa luta não é importante para o que estou trabalhando. É só um estudante de Velmora contra a Anastasia. Se ela vencer, enfrentará alguém de Tharvaldur… e depois o Marcus. Rezarei para que ela ganhe. Não que me importe — assim evito dores de cabeça.'
Ele suspirou suavemente, já pensando adiante.
'Além disso… ainda não testei a Bobina do Presságio. Dizem que ela bloqueia ilusões. Vamos ver se isso é verdade.'
Na arena, a luta já havia começado.
O demônio de Velmora correu pelo campo de batalha, sua forma constantemente mudando — sua silhueta se borrava, se dividia em três, depois desaparecia de vista com um piscar de olhos.
Imagens quase fantasmagóricas apareciam nas laterais de Anastasia, uma delas levantando uma lâmina para atacá-la por trás.
Noel fez um leve franzir de olhos. 'Magia de ilusão. De alto nível, também. Camadas complexas, tempo de reação atrasado… alguém desprevenido ficaria totalmente sobrecarregado.'
Uma onda de água explodiu na posição de Anastasia.
O feitiço atravessou dois dos clones do demônio, dissolvendo-os instantaneamente. Ela não hesitou — sua mão brilhou com uma luz azul.
A eletricidade foi arremessada para frente, mas o alvo verdadeiro ainda não estava claro.
Noel pegou sua bolsa dimensional e puxou um acessório fino, curvado, metálico, com runas gravadas na moldura. Ele girou o objeto uma vez entre os dedos.
Balthor inclinou-se. "Ah? Vai usar isso?"
"Sim", respondeu Noel, já pressionando o objeto contra a têmpora. "Comprei na sua loja, não foi? Então, vamos ver se funciona."
"Ora, é do Martelo Bêbado. Claro que funciona", respondeu Balthor orgulhoso, cruzando os braços.
Noel não respondeu. Deixou uma pequena pulsação de mana fluir para a Bobina do Presságio.
Clic.
O dispositivo travou no lugar — lentes transparentes se abriram, repousando sobre seus olhos como óculos finos.
De uma hora para outra, o campo de ilusões na arena mudou. O que antes eram imagens borradas e fantasmas falsos agora ficava nitidamente delineado — linhas oscilantes de mana expunham as falsas figuras, facilitando identificar qual era real.
Noel recostou-se. "Até agora, deu bom."
O demônio lançou uma nova onda de distorções visuais — dragões surgindo do nevoeiro, fogo explodindo sob os pés de Anastasia, uma lâmina sombria cortando seu ombro.
Exceto que não aconteceu.
Ela passou calmamente por tudo isso, com uma expressão aborrecida.
Dois segundos depois, Noel foi pego por uma enxurrada de água eletrificada e arremessado para o outro lado da arena.
Ele soltou um suspiro lento. "Acho que funcionou."
Depois, franziu a testa.
Algo não estava… certo.
Ele ajustou levemente as lentes e olhou para cima — não para a luta, mas para a varanda real.
A visão tremia estranhamente — ondas de estática mágica grudadas na cadeira onde o Rei de Tharvaldur sentava.
Ele estreitou os olhos. "Ei, Balthor… essas glasses não estão funcionando direito."
Balthor virou-se, confuso. "O que quer dizer? Quer o reembolso? Não vou te dar, se é isso."
Noel removeu a Bobina do Presságio e entregou-a a ele silenciosamente. "Experimente colocar. Olhe para o rei."
Balthor aceitou a Bobina com sobrancelha levantada, murmurando algo de leve enquanto ajustava as lentes ao rosto.
Ele virou a cabeça em direção à varanda real e parou, congelado.
"...Estão funcionando perfeitamente", disse lentamente Balthor.
Noel arqueou uma sobrancelha. "Sério?"
"O único detalhe é…", Balthor abaixou a voz. "Isso não é uma ilusão comum. É de alta patente — bem acima do tipo que você bloqueia com uma trinket de loja."
Ele tirou os óculos e devolveu-os, com uma expressão mais séria do que antes.
"Não consegui ver o rei com clareza. Apenas… distorções. Uma presença envolta por camadas de magia de ilusão."
Noel focou novamente na varanda, olhos estreitando. "Então, não é só que não conseguimos enxergá-lo. É que alguém não quer que a gente veja."
Balthor deu um suspiro longo. "...Ah."
"Pois é", disse Noel, ainda fixo na cômoda. "Ah."
A multidão explodiu ao redor enquanto a voz do narrador ecoava pelo estádio:
"A vitória é de Anastasia, da Academia Luceria!"
Aclamações começaram. O demônio estava esparramado próximo à borda da arena, enquanto Anastasia simplesmente se virou e foi embora, sem sequer reconhecer os gritos de incentivo.
Noel levantou-se, afastando a capa do rosto.
"Vamos pegar meu casaco e depois vamos até o ponto de encontro."
Balthor levantou-se ao lado dele, ainda franzindo a testa. "E quanto ao rei?"
A voz de Noel foi baixa. "Vamos cuidar disso depois da reunião."
Ele lançou mais um olhar para a varanda.
"Neste momento, parece que é uma marionete… ou coisa pior."
A mão de Balthor apertou-se um pouco. "Isso é ruim para nós."
"Sim", respondeu Noel. "Significa que seu irmão é ainda mais intocável do que imaginei."
- Mais tarde, naquela mesma noite -
As ruas de Tharvaldur tinham um murmúrio suave sob a luz do entardecer. As lojas estavam fechando, mas os setores inferiores — escondidos sob pedra polida e arcos dourados — começavam a se movimentar agora.
Noel caminhava ao lado de Balthor, agora vestido com seu traje verde escuro, ajustado, recém retirado da boutique de Noriel. O forro reforçado e as fibras encantadas brilhavam suavemente sob a luz das lanternas. Seu rosto estava parcialmente escondido por uma máscara meia-face escura, que se ajustava elegantemente ao nariz.
Balthor acompanhava o ritmo, usando um conjunto vinho com punhos dourados — orgulhoso e chamativo, como tudo que escolhia para si. Sua máscara era mais angular, feita de metal vermelho fosco, com uma curva irregular perto da mandíbula. A postura do anão era inconfundível.
Eles se aproximaram de um edifício conhecido — um restaurante refinado e de alto padrão na superfície, mas uma fachada para os verdadeiros negócios por baixo.
Noel deu um aceno sutil para o mordomo na porta, o mesmo elfo mais velho da última vez, vestido de preto e prata, com luvas brancas, cuidadosamente dobradas na cintura.
O olhar perspicaz do mordomo passou por eles por um breve segundo, até que seu reconhecimento apareceu.
"Sejam bem-vindos novamente", disse ele com suavidade, inclinando a cabeça num breve gesto respeitoso. "O senhor espera por vocês."
Ele se afastou, abrindo a porta com um movimento treinado. "Por favor, entrem. O mestre da casa aguarda sua chegada."
Noel não respondeu verbalmente — simplesmente entrou.
Balthor o seguiu atrás, ajustando o colar. "Hora da segunda rodada, rapaz."