O Extra é um Gênio!?

Capítulo 245

O Extra é um Gênio!?

Torwan avançou com passos firmes e decididos, seu longo manto carmesim roçando o chão de pedra sob eles. O corredor por onde passavam era fracamente iluminado por lanternas de mana azul embutidas nas paredes de pedra, emitindo um brilho tênue ao longo das runas gravadas na rocha. O ar estava carregado pelo aroma de ferro, fumaça antiga e resíduos de alquimia distantes.

Logo atrás dele, Noel e Balthor seguiam a alguns passos, ambos vestindo trajes formais — Noel com seu terno verde escuro, Balthor de vermelho profundo. As máscaras ainda cobriam seus rostos, mantendo a aparência de representantes de Estermont. Seus passos ecoavam levemente, embora suas vozes não. Conversavam em sussurros quase inaudíveis, baixos o suficiente para que ninguém sem algum aprimoramento mágico ou um item específico pudesse ouvi-los.

Noel mantinha o olhar à frente, mas se inclinava um pouco em direção a Balthor. "Este lugar acabou sendo mais do que apenas um restaurante subterrâneo ou um covil de apostas ilegais," sussurrou. "Tem sua própria arena de luta também."

Balthor deu um grunhido silencioso. "Pois é. Pra ser honesto, não sabia que tudo isso existia aqui. Quando vim pela primeira vez, ouvi apenas falar das apostas e da arena. Parece que estamos descobrindo camadas do império do meu irmão que eu nunca soube que existiam."

"O que acha de tudo isso?"

"Que eu não gosto nem um pouco disso," respondeu Balthor com tom sério. "Mas não podemos agir de forma impulsiva."

Noel assentiu com uma leve cabeça. "Concordo. Se ele tem o rei na mão, então tem o país inteiro protegendo-o. Ainda sem contar os estudantes do Instituto Tharvaldur de Poder Arcano. Ele está claramente controlando-os — talvez por algum feitiço ou pelo aprimorador que está empurrando. Não podemos nos mover sem estar prontos para arriscar também esses jovens... e essa eu não gosto."

Balthor apertou a mandíbula. "Então ele está usando os estudantes como cobaias agora."

Houve uma breve pausa.

"Pensando bem," acrescentou Balthor, "não é você quem vai lutar contra um dos filhos de Tharvaldur amanhã?"

Noel piscou, os olhos se arregalando um pouco por trás da máscara. "Você está certo... é mesmo. O negócio é que não sei se ele deve vencer ou perder contra mim. Se for para perder e eu ganhar — tudo bem. Mas se ele deve vencer e eu o derrotar... pode acabar atrapalhando os planos deles só por eu ser eu."

"Então você estaria jogando nos dois lados do tabuleiro."

"Exatamente." Noel soltou um suspiro. "Mas isso significa sacrificar um deles."

Balthor olhou para ele. "Você já tem uma ideia na cabeça, não é?"

"…Sim." Noel hesitou, depois murmurou: "Você não sabe, mas Charlotte — minha namorada, cabelo ruivo, olhos hazel — ela é na verdade a Santa. Charlotte, a Santa desta geração, ela só usa um objeto para disfarçar sua aparência."

Balthor quase se engasgou com a própria fala. "O quê!?"

Torwan, alguns passos à frente, virou-se abruptamente com a explosão de surpresa. "Está tudo bem aí atrás?"

Noel imediatamente levantou um dedo para os lábios, sinalizando para Balthor ficar quieto. Ele deu um passo à frente com um sorriso calmo. "Nada demais, Senhor Torwan. Meu companheiro ficou um pouco... empolgado. Estamos ansiosos para finalizar o que estamos planejando."

Torwan riu suavemente e virou-se de volta. "Compreensível. Isso pode marcar o início de uma verdadeira revolução."

"É isso que esperamos," respondeu Noel.

Torwan comentou ao passar por eles, "E, claro, todo o crédito ficará com a Casa Estermont."

O corredor se abriu para uma câmara maior, com teto arqueado. Torwan foi até uma porta grande no extremo oposto, gesticulando para que eles o seguissem. Noel e Balthor fizeram o mesmo, suas expressões indecifráveis por trás das máscaras — embora, sob elas, ambos carregassem o peso de mil perguntas.

Torwan pressionou a palma da mão contra um sigilo brilhante na porta de metal. Com um baixo zumbido, o mecanismo destravou e abriu-se suavemente, revelando uma passagem estreita ladeada por guardas reforçados. Ao entrarem, eles pararam de repente — visivelmente impressionados, embora as máscaras mantivessem suas expressões ocultas.

Abaixo deles se estendia uma vasta instalação subterrânea — uma fábrica industrial diferente de tudo que Noel já tinha visto neste mundo. Não era mecânica no sentido moderno, mas uma mistura de engenharia anã com infusão de magia. Enormes anéis giratórios flutuavam no ar, alimentados por circuitos de mana gravados na própria pedra. Condutores azuis brilhantes pulsavam entre plataformas, levando energia para fornalhas e tanques repletos de líquido em movimento. Vapor escapava por tubulações de cobre, e dutos grossos exalavam fumaça pálida com aroma de compostos alquímicos.

Por toda a área de produção, dezenas — talvez centenas — de anões se moviam com precisão surpreendente. Cada um trajava um uniforme com o brasão de Tharvaldur, mas nenhum emitia som. Seus movimentos eram coordenados, quase automáticos — como se estivessem sob alguma espécie de comando mental.

Balthor murmurou por baixo, "Pela forja..."

Noel não respondeu. Estava concentrado em absorver cada detalhe. Toda a instalação era dedicada a uma coisa: produção em massa. Frascos, garrafas e recipientes sendo preenchidos com um líquido de brilho suave — sem dúvida o aprimorador de que Torwan tinha falado.

Torwan se virou um pouco na direção deles, levantando a voz para ser ouvido sobre o zumbido das máquinas arcanas.

"Então. O que acham? É aqui que nasce o progresso. Uma revolução, como disse."

Noel se aproximou da balaustrada e olhou para baixo. 'Então é assim que distribuem em grandes quantidades. Não são apenas poções. Estão planejando um fornecimento a longo prazo. Se tudo correr bem para nós, isso vai ser um golpe duro.'

"Não poupamos esforços," afirmou Torwan com orgulho. "Cada trabalhador é treinado, cada frasco inspecionado."

Noel respondeu com calma, "Impressionante. É mais avançado do que eu imaginava."

Torwan sorriu. "Vamos retornar ao lounge e finalizar o negócio?"

Noel assentiu. "Vamos."

Os três se voltaram, deixando a passarela. Ao saírem, a porta se fechou atrás deles com um novo impulso de mana — selando a silenciosa tempestade de indústria abaixo da superfície.

De volta ao lounge privado, o silêncio prevaleceu, pesado pelo que haviam visto. Sobre a mesa, agora, repousavam dois documentos — folhas idênticas, organizadas de forma impecável, uma para cada parte.

Torwan fez um gesto em direção aos papéis. "Estes são os contratos. Sem magia, sem vínculo de mana. Apenas papel e tinta, como combinamos."

Noel assentiu e sentou-se, Balthor tomando seu lugar habitual ao lado dele.

"Deixe-me ver," disse Noel calmamente, pegando o documento. Passeou os olhos rapidamente pelas linhas, o suficiente para entender os pontos principais — como esperado, eram declarações de parceria sem força vinculante — basicamente promessas de cooperação mútua. Mas uma cláusula chamou atenção, quase no final: Distribuição começar imediatamente após assinatura.

'Ih. Isso não vai rolar.'

Noel clarificou a garganta. "Desculpe, Sr. Torwan. Há um ponto aqui que não bate com nossos planos atualmente."

Torwan levantou uma sobrancelha. "Continue."

"Ainda temos vários compromissos na Elarith que requerem nossa atenção. A família Estermont não pode iniciar a distribuição imediatamente. Precisaríamos de pelo menos um mês antes de avançar para o continente de Valor."

Torwan recostou-se, visivelmente insatisfeito por um momento. Mas expirou lentamente. "Hmph… Entendo. Acho que não posso forçar um parceiro a agir antes do momento."

Ele pegou uma pena e riscou a linha, substituindo por: Distribuição a iniciar em no máximo trinta dias após a assinatura.

"Pronto. Aí está."

"Muito obrigado," disse Noel, então pegou a pena e assinou — rabiscando um nome fictício, elegante e claramente nobre.

Torwan assinou seu próprio copy e, então, estendeu a mão para um aperto de mãos sobre a mesa.

Noel a aceitou sem hesitar. "Prazer fazer negócios com você."

"Igualmente. Espero que isso seja só o começo de algo grande."

Noel forçou um pequeno sorriso. "Vamos torcer para que sim."

Quando Noel e Balthor se voltaram para sair, a voz de Torwan os deteve.

"Espere."

Eles pararam, Noel olhando para trás com um olhar de curiosidade.

Torwan buscou no bolso interno do casaco vermelho um pergaminho dobrado. "Isso contém os resultados das lutas de amanhã," disse com cuidado.

Ele entregou a Noel, que avançou e aceitou sem palavra alguma.

"Obrigado."

Com um cumprimento cortês, Noel se virou novamente, Balthor seguindo logo atrás, expressão impenetrável sob a máscara vermelha.

O corredor lá fora estava silencioso, o ruído abafado do mundo oculto desaparecendo ao longe. Noel guardou o papel dobrado na aba do casaco interno, sem olhar para ele.

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