
Capítulo 246
O Extra é um Gênio!?
Noel estava sentado calmamente na beira da cama, uma mão distraidamente acariciando o pelo macio de Noir e a outra segurando uma folha de pergaminho dobrada. O quarto estava sem luz, iluminado apenas por um par de cristais de mana azul suave embutidos nas paredes de pedra — uma iluminação que não revelava se era noite ou dia lá fora. Lá dentro da montanha, o tempo parecia uma sugestão.
Ele desdobrou a folha, verificando seu conteúdo.
Os olhos dele se estreitaram.
"Uma menina anã... e ela está marcada para vencer," murmurou baixinho.
'Droga, isso não é bom. Se já decidiram o resultado, significa que ela estará sob efeito do reforçador...' Ele expirou pelo nariz. 'E se eu ganhar, ela pode acabar como a criança do Esmaga Ossos. Esmagada e destruída.' Seus dentes cerraram.
Noir inclinou a cabeça para cima, os olhos violetados refletindo a pouca luz. Ela podia perceber — Noel pensando demais raramente significava coisa boa.
"Estou bem," disse suavemente, lançando um olhar para ela com um leve sorriso. "Na verdade, estamos numa posição melhor do que da última vez, Noir. Desta vez, não estou fazendo isso sozinho. Tenho ajuda das mais altas instâncias — do próprio diretor Nicolas."
Noir piscou lentamente, a cauda mexendo uma vez.
"Mas mesmo assim..." ele olhou de volta para o pergaminho. "Preciso da ajuda da Charlotte. Se aquela garota está sob algum tipo de feitiço além do reforçador... talvez a Charlotte possa libertá-la com uma Bênção."
Ele fez uma pausa, os dedos se cerrando um pouco mais.
"...Mesmo que eu odeie fazer ela usar essas."
Noel recostou-se lentamente na cama, descansando o papel contra o peito. Seu olhar fixo no teto — pedra bruta, reforçada com canais de mana que brilhavam suavemente em linhas. Sem janelas. Sem estrelas.
'Vou conversar com Nicolas antes do combate. Contar tudo o que descobrimos ontem à noite. Sobre o reforçador. A fábrica. O envolvimento de Torwan. Estamos ficando sem tempo, mas... agora temos mais informações e ajuda.'
Ele expirou.
Porta fez um clique ao se abrir.
Noel virou levemente a cabeça — a maçaneta se moveu, e a porta abriu lentamente.
E lá estava ela.
Elyra.
Cabelos longos e negros, que normalmente eram trançados com nobreza, agora estavam soltos, caindo suavemente sobre os ombros. Seus olhos cinzentos encontraram os dele com uma intensidade silenciosa. Ela entrou, fechando a porta atrás de si e trancando — depois colocou a chave no bolso.
Ela vestia uma camisola de seda rubi, da cor da sua casa — e sua favorita.
Noel se endireitou lentamente. "…Boa noite."
Elyra ficou parada por um momento, os olhos percorrendo o quarto antes de se fixar de volta nele. Sua expressão era impossível de interpretar. Calma, composta — mas com algo fervendo por baixo da superfície.
Ela avançou sem hesitar e sentou-se ao lado dele na cama. Um leve aroma de cerejeiras em flor e couro polido pairou no ar enquanto seus cabelos repousavam sobre os ombros.
Noel inclinou a cabeça um pouco. "Está tudo bem?"
Elyra cruzou as mãos no colo. "Foi disso que vim falar, Noel Thorne. Você tem estado... distante ultimamente. Sabemos que, se precisasse, pediria ajuda, mas acho que falo por Elena e Charlotte também — queremos estar informadas. Principalmente eu."
Noel recostou-se um pouco, desviando o olhar. "Não tenho escondido nada perigoso de vocês. Sério… estou bem."
"Está mesmo?" Elyra afinou a voz. "E quanto ao anão bêbado com quem você passa tempo? Balthor, acho? A Elena comentou o nome."
'Bom, acho que chegou a hora, já que vou precisar deles de agora em diante.'
Ele suspirou. "Ele não é só um bêbado. É meu aliado — e perdeu o irmão dele. Acontece que esse irmão ainda está vivo. E está aqui em Tharvaldur. Na verdade, ele é o diretor do Instituto de Magia. Além disso..." Noel fez uma pausa, com a voz baixando, "ele faz parte da organização que tentou matar a Charlotte durante o incidente na Capital Sagrada."
A respiração de Elyra ficou presa — quase imperceptível — mas ela não disse nada.
"Não podemos agir diretamente contra ele," continuou Noel. "Ele controla os estudantes. De alguma forma. E o rei desta nação também está envolvido. Por isso, Balthor e eu temos nos aproximado dele como comerciantes... usando seu nome. O nome Estermont. Estamos ganhando tempo."
Mesmo assim, Elyra permaneceu em silêncio. Seu olhar fixo, inabalável.
"…Você não vai dizer nada?"
Ela sorriu suavemente. "O que eu posso dizer? Boa sorte, talvez? Ou 'obrigada por usar a influência da minha família numa conspiração secreta contra um rei fantoche'?"
Noel fez uma careta. "…É, acho que sim."
Um silêncio longo se instaurou entre eles.
Noel olhou para ela — e naquele momento, o peso de tudo o que não podia dizer caiu pesado no peito dele. Ele amava Elyra. Sabia disso. Mas também sabia que havia verdades que nunca poderia revelar a ela. Não sobre o sistema. Não sobre a reencarnação. Não sobre como ele já conhecia a forma deste mundo porque a tinha lido em outro lugar.
Ele estendeu a mão, tocando suavemente seu pescoço — uma pergunta silenciosa.
Elyra não se afastou.
Noel se aproximou mais, os dedos traçando a linha do pescoço de Elyra antes de repousar contra sua bochecha. Seus olhos se encontraram — cinza e verde — e por um momento, nenhum deles falou. O mundo lá fora, seu quarto, desapareceu em silêncio, enterrado sob pedra e tempo.
Ele a beijou suavemente.
No começo, foi um toque brando — um beijo cauteloso, quase hesitante. Elyra respondeu inclinando lentamente a cabeça, fechando a distância entre eles de forma mais completa. As mãos dela subiram para repousar sobre os ombros dele, tremendo um pouco.
Noel aprofundou o beijo, a mão deslizando pelas costas dela, puxando-a para mais perto. O calor do corpo dela contra o seu, e ela respirou fundo ao ouvir seu sussurrar o nome dela contra os lábios.
"Elyra..."
Ela beijou-o novamente, agora mais devagar — deliberadamente. Seus dedos encontraram a barra da camisola dele e pararam ali.
Noel encontrou o olhar dela e assentiu.
Eles se despiram lentamente, camada por camada. Sem pressa. Sem tropeços. Apenas aprendendo. A camisola vermelha de Elyra escorregou de seus ombros, revelando mais pele do que Noel tinha visto antes — e, mesmo com o coração acelerado, ele não se apressou. Sua própria camisa se juntou à dela no chão, e quando ela tocou a cicatriz perto da clavícula dele, ele não relutou.
Não houve grandes declarações. Apenas o sussurrar de tecidos e o som suave da respiração compartilhada por duas almas jovens procurando conforto uma na outra.
Enquanto se deitados sob os cobertores, a luz lançava sombras suaves nas paredes de pedra. Noel se moveu com cuidado, observando sua expressão a cada passo. E Elyra — bochechas coradas. Pela primeira vez, Noel viu Elyra tão ruborizada, os olhos nunca deixando os dele — sussurrou:
"Eu te amo."
Noel se aproximou, passando os lábios nos dela, não uma, mas várias vezes — beijos que se aprofundavam lentamente, derretendo um no outro como ondas suaves que limpam a areia da praia. Com a mão, desceu pela sua coluna, seguindo a curva do corpo enquanto a explorava delicadamente.
Beijou seu colo, depois mais abaixo, os lábios traçando a linha da pele dela. Ela fechou os olhos, exalando lentamente enquanto ele descia, parando pouco antes de chegar à sua intimidade.
A mão de Elyra alcançou a dele, entrelaçando os dedos em silêncio, sua respiração irregular, o coração acelerado. Noel olhou para ela mais uma vez, como se perguntando silenciosamente se tinha permissão. Ela deu o mais sutil aceno, um sorriso florindo nos lábios — nervoso, mas cheio de confiança.
Sem mais palavras, apenas o som de seus respirares e o suave ruído de lençóis. Para ambos, era a primeira vez — mas naquele momento, não havia medo. Só calor. Só proximidade.