
Capítulo 247
O Extra é um Gênio!?
A luz dos cristais de mana que decoravam as paredes de pedra não tinha mudado, mas Noel podia sentir — o amanhecer tinha chegado.
Um calor suave pressionava delicadamente contra seu peito.
Ele piscou algumas vezes, então olhou para baixo.
Elyra estava enroscada sobre ele, um braço envolto ao redor de seu torso, sua perna descansando sobre a dele. Seus cabelos pretos, ainda soltos da noite anterior, escorriam por seu ombro e clavícula como seda. Sua respiração era calma e constante. Dormindo… ou fingindo.
"…Oi," ele murmurou suavemente, afastando alguns fios do rosto dela.
Os olhos dela abriram.
E, com aquela confiança calma e familiar, ela lhe deu um sorriso sonolento e sussurrou:
"Bom dia… meu marido."
Noel piscou. "…A gente pulou a cerimônia de casamento?"
Elyra riu baixo, num som divertido contra seu peito. "Tá chegando logo."
Ele ergueu uma sobrancelha. "Não é assim que geralmente funciona."
"Desde quando me importo com o que é comum?" ela respondeu, levantando um pouco a cabeça para olhar para ele. Seus olhos cinzentos brilhavam na luz tênue. "Aliás… você já é meu."
Noel esboçou um sorriso discreto. "Você nem nega isso."
"Não vou," ela afirmou, mudando um pouco de posição sobre ele, com a mão repousando contra seu peito. "E você não está reclamando."
Ele suspirou. "Nem um pouquinho."
As roupas de cama ao redor deles estavam levemente amassadas e, em um canto, sutilmente manchadas — prova da noite que tinham compartilhado. Noel não comentou nada sobre isso. Não por desconforto… mas porque não havia o que dizer. Aconteceu. Naturalmente. Com delicadeza. E era delas.
Elyra pressionou a testa contra a dele. "Você está quente," ela murmurou.
"Você está pesada," ele respondeu, provocando.
Ela sorriu de lado e se inclinou para beijar seu queixo. "E você é macio quando está feliz. Gosto disso."
Os braços de Noel deslizaram ao redor de sua cintura, segurando-a ali por mais um pouco — sem pressa, sem obrigações por enquanto, apenas o calor silencioso entre eles enterrado fundo sob a montanha.
Elyra eventualmente rolou para o lado dele, embora mantivesse a mão repousando sobre seu peito, os dedos traçando delicados padrões na pele dele.
Noel virou-se um pouco para encará-la, com um braço apoiado sob a cabeça. Por um momento, ficaram em silêncio. Apenas o suave brilho da mana contra as paredes de pedra e o ritmo lento da respiração compartilhada.
"…Como você está se sentindo?" ele perguntou suavemente.
Elyra piscou, então seguiu seu olhar — para o leve vestígio de sangue seco ainda grudado em uma das fronhas perto de sua coxa.
Sua expressão não vacilou.
"Coçando," ela disse com honestidade. "Mas não me arrependo."
Noel assentiu discretamente. "Achei. Só queria ter certeza."
Ela estendeu a mão, passando os dedos pelo rosto dele. "Você foi cuidadoso. E… eu quis que fosse com você." Sua voz suavizou. "Você sabe disso, né?"
"Sim," disse ele. Seus dedos encontraram os dela, segurando-as. "Sei."
Novamente, o silêncio caiu, mas desta vez foi preenchido por algo mais completo.
Elyra olhou para ele de lado. "Você está quieto."
Noel soltou um suspiro silencioso. "Só pensando."
"Em quê?"
Ele hesitou, depois sorriu de leve. "Como esse mundo às vezes é estranho."
Ela arqueou uma sobrancelha. "Arrependeu-se?"
"Não," ele respondeu. "Nunca."
Elyra sorriu de canto e descansou a cabeça novamente em seu ombro. "Bom. Porque agora você não vai se livrar de mim."
"Nunca quis isso."
Noel sentou-se na beirada da cama, a camisa agora caindo folgada pelos ombros. Elyra, ainda de camisola, arrumava os cabelos casualmente na pequena janela embutida na parede de pedra.
"Noel," ela perguntou com um olhar brincalhão por cima do ombro, "Você também fez isso com Charlotte e Elena?"
Ele piscou surpreso. "O quê? Não, você foi minha primeira vez."
Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios dela. "Ótimo. Então sou a primeira nesse também."
Noel massageou a nuca, com as bochechas quentes. "Sim. Você é."
Elyra virou-se, as mãos levemente apoiadas nos quadris. "Legal. Gosto de ser a primeira."
Ele sorriu, mesmo sem querer, levantou-se e se aproximou. "Escuta… preciso te perguntar uma coisa."
"Hum?" ela incluiu a cabeça.
"Preciso que leve Charlotte até este lugar," Noel disse, entregando uma nota dobrada. "É o escritório do Nicolas. logo após minha partida, não importa o que aconteça — vá até lá. É importante."
Elyra pegou a nota e lhe deu um sorriso cúmplice. "Então você realmente precisa da gente."
Ele sorriu de leve, coçando a nuca. "Eu sempre precisei. Só… não queria puxar ninguém pra isso se não fosse necessário."
"Bem, já passou do tempo," ela respondeu.
Elyra ficou perto da porta, seu camisom vermelho ainda grudado nela como uma resistência feita de seda. Ela puxou a chave da fechadura — aquela que usara para garantir que ninguém pudesse entrar durante a noite — e a segurou entre dois dedos, olhando por cima do ombro.
"Até mais tarde, meu marido," ela provocou, voz baixa, mas acolhedora.
Noel, agora meio vestido, puxou a camisa escura sobre o torso e levantou uma sobrancelha. "Agora vamos mesmo usar esse título?"
Ela piscou. "Não vejo mais ninguém acordando na sua cama."
Com isso, Elyra colocou a chave na palma da mão, abriu a porta só um pouco e saiu para o corredor. O som dos pés descalços contra a pedra desapareceu rapidamente.
Noel respirou fundo, olhou para as roupas de cama amassadas, e o aroma de cerejeiras ainda no ar.
'Certo… hora de falar com o Nicolas.'
Ele se movimentou com calma, mas com propósito, vestindo suas roupas uma a uma.
Noel saiu do salão de hospedagem, as portas de pedra se fechando silenciosamente atrás dele. O ar frio dentro da montanha o atingiu no rosto enquanto seguia pelo corredor de arcos, com as botas ecoando na pedra polida. Ajustou a gola do casaco azul-marinho, com a Garra do Revenant presa na cintura esquerda, e olhou uma última vez para o teto iluminado pela mana acima.
Quando chegou à passagem aberta que levava ao exterior, o mundo mudou.
A entrada grandiosa da Arena de Tharvaldur surgia à frente — esculpida na lateral da montanha como a boca de uma fera adormecida. Mesmo dali, os sons eram inconfundíveis: o burburinho animado das conversas, o som das botas, as vozes distantes de vendedores e narradores aquecendo suas vozes.
As multidões já invadiam o local, vindo de todas as direções, convergindo às escadarias e aos terraços de pedra que levavam ao coliseu.