O Extra é um Gênio!?

Capítulo 248

O Extra é um Gênio!?

Os corredores de Tharvaldur estavam mais gelados do que o normal. O som profundo das botas de Noel nos pisos de pedra era o único ruído enquanto ele atravessava os corredores subterrâneos. Noir descansava silencioso dentro de sua sombra, invisível, mas presente como sempre.

Ele virou uma esquina, a memória do pergaminho ainda fresca na cabeça. Seus passos não vacilaram.

'Preciso contar tudo para ele; o que aprendemos ontem é valiosíssimo e não posso perder tempo. Não é algo que eu possa adiar.'

Ele parou na frente de uma porta — sem marca, mas inconfundível. O escritório particular do Diretor Nicolas.

Duas batidas leves.

"Entre," respondeu uma voz familiar lá de dentro.

Noel exalou levemente. 'Ótimo. Ele está aqui.'

Ele empurrou a porta e entrou.

Nicolas estava sozinho, sentado numa mesa cheia de papéis, suportes de cristal reluzentes e uma caneca de chá de ervas meio cheia. Ele estudava o progresso do último torneio. Muitos já tinham sido eliminados. Agora, só os mais fortes permaneciam — e, se tanto Noel quanto Marcus vencessem hoje, enfrentariam um ao outro amanhã.

Nicolas olhou pra cima. "Noel?" Sua sobrancelha se levantou com uma sutileza de diversão. "Pelo seu rosto, algo bom deve ter acontecido."

Noel permitiu-se um breve sorriso. "De fato… mas esse não é o motivo pelo qual estou aqui."

Ele deu um passo à frente, fechando a porta atrás de si. Por um instante, uma lembrança da noite anterior surgiu: o calor de Elyra, suas palavras, sua mão descendo… mas ele afastou aquilo. Focando.

"Noel?" Nicolas perguntou novamente, observando-o atento.

Noel acenou com a cabeça. "Tivemos outra reunião com Torwan. Disfarçados de comerciantes de Estermont."

Nicolas recostou-se um pouco na cadeira, a luz dos cristais de mana delineando as linhas afiadas do seu rosto. "Entendi. Então acho que o que vocês descobriram é importante."

A expressão de Noel ficou séria.

"Muito."

Noel ficou direito, com os braços cruzados, expondo tudo.

"Primeiro, o aprimorador. Os estudantes estão sendo usados como cobaias. Já suspeitávamos disso, mas agora temos confirmação. Estão sendo aprimorados para vencer batalhas, e em alguns casos, forçados a perder. O efeito do aprimorador é sutil, quase impossível de detectar a não ser que você saiba exatamente o que procurar."

Nicolas assentiu, com os olhos estreitando-se. "Isso explica por que algumas lutas pareceram… estranhas."

"Tem mais," continuou Noel. "Aqueles que perdem de propósito… não estão fazendo isso voluntariamente. Alguma coisa os obriga a seguir as ordens de Torwan. Não sei se é um feitiço, um artefato, ou magia de sangue como a que Kaelith usou, mas eles obedecem sem questionar."

"Fui notando algo estranho durante uma luta ontem," disse Nicolas, caminhando lentamente. "Um dos estudantes do Instituto de Tharvaldur parecia estar se segurando. Movia-se como se estivesse esperando o sinal de alguém. Perguntei a Torwan se ele tinha percebido algo errado depois — ele fingiu total desconhecimento. Os outros diretores não perceberam, mas tenho certeza de que algo não estava certo."

"Então seus instintos estavam certos," disse Noel. "Porque também descobrimos a fábrica. O aprimorador está sendo produzido em massa, com centenas de trabalhadores envolvidos, talvez mais — e tudo isso respaldado pelo Rei. Ou melhor, por quem estiver por trás dele. Ele está sob algum tipo de magia de ilusão. Não age por vontade própria."

A expressão de Nicolas endureceu enquanto ele parava de caminhar. "Isso é uma afirmação forte."

"É verdade," respondeu Noel. "E, se encararmos a questão corretamente, podemos expor toda a operação: a fábrica, a manipulação, tudo."

"Precisamos do momento certo. Algum lugar público. Onde não tenha como encobrir."

"Que tal a final do torneio?" sugeriu Noel. "Todo mundo vai estar assistindo. O Rei também."

Nicolas virou lentamente, concordando com um gesto de cabeça. "Isso pode funcionar. Estaremos cercados por todas as facções principais, e se agirmos com cuidado, podemos enfrentá-las politicamente. Quanto à magia de ilusão no Rei… há alguém que talvez possa ajudar. A diretora da Academia Luceria. Ela é especialista nesse tipo de magia."

Noel hesitou, então perguntou: "Você confia nela?"

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Nicolas. "Fomos parceiros. Por mais de duas décadas. Digamos que eu sei exatamente do que ela é capaz."

Noel piscou, arquivando aquela revelação. "Entendido."

"É tudo?"

"Mais uma coisa," disse Noel. "Depois da luta de hoje, vou trazer as meninas e meu oponente aqui. Charlotte precisará fazer uma Bênção, e este é o único lugar com privacidade suficiente para proteger sua identidade."

Nicolas levantou uma sobrancelha. "A garota com quem você vai lutar hoje está usando o aprimorador?"

"Sim. E ela deve vencer. Se eu ganhar dela, Torwan perde uma aposta importante. E isso por si só pode desestabilizar seus planos."

"Você está tão confiante assim de que vai vencer?"

"Muito."

Nicolas deu um firme aceno de cabeça. "Então vou deixar a sala preparada. Venha assim que terminar a luta."

Noel fez uma breve reverência de agradecimento e virou-se na direção da porta.

Noel saiu do corredor particular e seguiu em direção ao piso da arena, passando por vários guardas e organizadores vestidos de vermelho escuro e prata. O barulho ficava mais alto a cada passo — um murmúrio constante de expectativa, vozes sobrepostas, milhares de espectadores já no local. A multidão lá fora tinha invadido os portões há pouco tempo, ansiosa para assistir às próximas batalhas da academia. Os gritos ecoaram pelos corredores de pedra.

Ele caminhava tranquilamente, com as mãos nos bolsos. A pedra grossa da montanha mal abafava o rugido de entusiasmo lá em cima.

'Tantas pessoas assistindo…'

Noir mexia levemente dentro de sua sombra — um relâmpago de violeta na pouca luz do corredor.

"Sei," murmurou Noel baixinho. "Olhos abertos, só por precaução. Se algo der errado na bênção dela, precisaremos agir rápido."

Ele se aproximou dos portões internos da arena, onde dois guardas estavam de guarda na entrada. Um deles o reconheceu imediatamente e recuou sem dizer palavra. Noel acenou uma vez em agradecimento e seguiu em frente.

Ao entrar na seção inferior do túnel da arena, avistou-os.

Charlotte, Elena e Elyra estavam juntas perto do corrimão que dava para o piso do coliseu. Vestiam uniformes da academia, destacando-se entre os espectadores próximas.

Charlotte usava o Véu Sagrado, os longos cabelos cor-de-rosa agora um vermelho vívido, e seus olhos tinham um tom de avelã suave. Elena parecia visivelmente nervosa com alguma coisa, as orelhas pontudas bem vermelhas, enquanto Elyra sorria de um jeito satisfeito, como se dissesse tudo sem falar.

No interior, ele suspirou. 'Ela contou a elas. Ótimo.'

As três perceberam sua presença ao mesmo tempo. Elyra levantou a mão em um aceno casual, orgulhosa. Charlotte sorriu gentilmente — embora os olhos se estreitassem um pouco de curiosidade — e Elena parecia se esforçar para não olhá-lo por muito tempo.

Antes que pudesse falar com elas, a voz do locutor ecoou forte pelo estádio.

"Próximo! Representando a Academia Imperial de Valor, Noel Thorne!"

A multidão explodiu de alegria.

Noel deu um passo para a frente na luz.

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