O Extra é um Gênio!?

Capítulo 236

O Extra é um Gênio!?

Noel se alongou lentamente, o colchão duro dos aposentos de hóspedes de Tharvaldur rangendo sob ele enquanto se levantava para uma posição sentada. Seus membros ainda doíam ligeiramente após o combate do dia anterior, mas era uma dor agradável — aquela que avisava que ele estava ficando mais forte.

Claro que não havia luz do sol passando pelas paredes de pedra da cidade na montanha. Apenas o brilho pálido azul dos luminários de mana embutidos nos cantos do teto. Ele se levantou e se dirigiu à pequena janela arqueada, olhando para o cenário esculpido de Tharvaldur.

Lá longe, no topo de uma espiral central que se projetava como uma estalactite invertida, o enorme relógio de mana da cidade avançava seu ponteiro. As horas apontavam para uma hora bem cedo. Muito cedo para as ruas estarem cheias. Muito cedo para barulho. O silêncio combinava com ele.

Do chão ao lado da cama, Noir mexeu-se e soltou um longo suspiro, a cauda abanando enquanto alongava seus membros.

"Bom dia, Noir", murmurou Noel sem virar-se. "Parece que hoje será mais um dia daqueles."

A loba piscou sonolenta e caminhou até ele, sentando-se com as orelhas atentas.

Os olhos de Noel piscaram para cima enquanto abria a sobreposição do sistema em sua mente. Um sino surdo ecoou suavemente em seus pensamentos quando a tela de missão apareceu.

[Missão: Encontrar o 5º Pilar e lidar com ele.

Recompensa: ???

Limite de tempo: 22 dias.]

'Ainda contando... e não estou muito mais próximo do que estava há dois dias', pensou, exalando suavemente.

Ele se virou do lado da janela e começou a pegar seu uniforme. O tecido cinza com detalhes vermelhos ainda tinha dobras leves de sua última utilização, mas servia. Como membro do conselho externo da Academia, ele tecnicamente tinha mais liberdade para escolher o que vestir, mas preferia não chamar atenção — pelo menos não fora do campo de batalha.

"Ok", disse ao calçar a camisa, "Primeira coisa: encontrar Balthor e entregar a roupa. Noriel deve conseguir consertá-la rapidamente se pegar ela nesta manhã."

Noir inclinou a cabeça um pouco.

"E então", continuou Noel, ajustando as botas com firmeza, "preciso encontrar Nicolas. Tenho algo a dizer a ele. Agora que sabemos quem é o Quinto Pilar."

Ele fez uma pausa, as mãos paradas por um instante.

Adicionou em voz baixa. "Confirmamos. Vi com meus próprios olhos ontem. Mas, se quisermos agir contra ele, precisamos de um plano limpo e do momento certo."

Ele se levantou, ajustando as mangas com determinação silenciosa. Seu reflexo no painel de metal polido acima do penteado parecia calmo — mas seu olhar agora estava afiado, mais frio.

"E a partida de hoje também não vai esperar", murmurou. "Academia Luceria Grand, hein? Acho que vou descobrir se a reputação deles é merecida."

Ele colocou as luvas e respirou pelo nariz.

"Devo também verificar os confrontos que Torwan listou. Fiz algumas apostas — nada demais, mas se eu conseguir sair daqui mais rico do que entrei, não vou reclamar."

Um risinho seco escapou de seus lábios.

"Não dá mais para depender da Elyra para cobrir tudo. Ela pagou pelo nosso último jantar. Não gostei disso. Não por orgulho — é mais pela responsabilidade, acho."

Noir resmungou suavemente em concordância.

"Sei," disse Noel com um sorriso discreto, dando tapinhas na cabeça dela. "Não comece com as aulas, vamos logo."

Com um último olhar para a torre do relógio de mana ao longe, ele saiu do quarto e entrou nos corredores de pedra do hotel, já pensando em vários movimentos à frente.

O restaurante do hotel tinha uma energia discreta, suas arcos de pedra refletindo o brilho suave dos luminários de mana no teto. Embora ainda fosse cedo, vários estudantes já estavam ao redor de mesas longas, suas uniformes em uma colcha de retalhos de cores da academia.

Noel entrou silenciosamente, vestido com seu uniforme oficial: cinza carvão com detalhes carmesim — padrão do conselho de Valor. Ele acenou discretamente para a mesa das meninas, onde Elyra, Elena e Charlotte conversavam suavemente durante o café da manhã.

"Bom dia", cumprimentou, mas não ficou. Em vez disso, seguiu para o lado oposto, onde Laziel, Roberto, Marcus e Garron tinham tomado lugar.

"Olha quem finalmente acordou", disse Laziel com um sorriso largo.

Noel sentou-se sem perder tempo. "Não quis atrapalhar seu sono de beleza chegando cedo demais."

Roberto riu. "Cuidado, vai fazer o Garron chorar. Ele já está de luto."

Garron gemeu, dobrando-se sobre o prato. "Fui manipulado por uma garota duas cabeças menor que eu. Tem que ter graça nisso?"

Marcus inclinou-se um pouco para trás. "Ela não era qualquer garota. Era a Anastasia. Está entre as cinco melhores da classificação principal da Academia Luceria. Ouvi dizer que ela é praticamente invencível no circuito de duelo deles."

"Ótimo", resmungou Garron. "Muito bom saber."

Noel mexeu na bebida, o olhar firme. "Ela é forte. Mas, se faz você se sentir melhor, já vi caras maiores perderem para adversários piores."

Laziel riu. "Sim, e hoje o Noel também vai lutar com alguém de Luceria, né?"

"Mm." Noel assentiu. "Vamos ver como é."

"Você pretende ganhar tudo isso ou só quebrar alguns ossos no caminho?" perguntou Marcus, meio a sério.

Noel olhou para ele. "Não curto perder. É só isso."

"Isso nunca mudou", disse Marcus, bebendo do copo. "Você ainda encara cada treino como se fosse questão de vida ou morte."

Noel terminou seu café da manhã calmamente. "Não se trata de orgulho. É sobre preparação."

"Certo", murmurou Garron. "Tente não matar ninguém, tá?"

Roberto se inclinou. "Já vai embora? Ainda dá tempo antes do primeiro combate."

"Sim", respondeu Noel, levantando a cadeira. "Preciso pegar uma coisa antes que as multidões tomem as ruas."

Marcus ergue uma sobrancelha. "Compras?"

"Algo assim. Vejo vocês na arena."

Eles trocaram acenos e despedidas rápidas. Noir seguiu silenciosa, saindo de sua forma sombra assim que entraram no corredor aberto.

As ruas ao redor da arena já fervilhavam de movimento. Comerciantes montavam suas bancas sob arcos de pedra esculpidos, e estudantes de várias academias se movimentavam em pequenos grupos.

Noel e Noir chegaram primeiro, tomando um caminho mais silencioso até que a silhueta da torre da arena se maquiava acima deles. Perto da sua Ala Oeste, logo do lado de fora de um pequeno café entre duas lojas de ferreiros encantados, Balthor já aguardava, braços cruzados, sua postura relaxada, mas alerta.

"Bom dia, rapaz", cumprimentou Balthor, avaliando Noel de cima a baixo. "Ainda usando as marcas de ontem como um prêmio, vejo.".

Entraram juntos no café, escolhendo uma cabana afastada das janelas. O aroma de grãos torrados e pão doce aquecia o ambiente, contrastando com as pedras frias lá fora. Uma garçonete trouxe as bebidas sem precisar perguntar — claramente, Balthor já tinha passado por ali antes.

"Então", começou Balthor, mexendo sua bebida escura, "pronto para mais um dia pesado? Com o Torwan envolvido, duvido que tudo isso seja simples."

Noel respirou pelo nariz. "Nada nunca é. Mas estou preparado."

"Verificou seu chaveiro?" perguntou Balthor.

"Luceria", assentiu Noel.

Balthor riu. "Tomara que seja alguém com menos títulos e uma atitude pior."

Noel puxou debaixo da mesa o uniforme verde cuidadosamente dobrado, ainda com marcas leves de batalha. "Aqui. Entrega amanhã cedo, com Noriel. Precisa de alguns consertos — nada grave."

Balthor pegou o pacote com um suspiro teatral. "Beleza."

O anão revirou os olhos. "Você tem sorte de eu ser generoso. Vou pedir para o Noriel colocar umas marcas extras. Talvez mais algumas cicatrizes, pra dar um efeito."

Noel se recostou, tomando um gole. "A propósito, fez suas apostas?"

"Claro que sim", disse Balthor sorrindo. "Seguindo a sequência que Torwan sugeriu — ganha, perde, ganha, perde. Assim fica mais crível."

"Só espero que os alunos dele cooperem", murmurou Noel. "Se algum sair da linha de novo… não quero que eles acabem esmagados ou pior..."

"Ele disse ontem à noite que o exemplo que você deu seria suficiente", murmurou Balthor, em tom baixo.

O olhar de Noel se voltou para a entrada da arena, seus dedos se apertando levemente ao redor da xícara. "Se os alunos dele seguirem o padrão de apostas como ele disse, vai ajudar a manter a rotina um pouco mais tempo."

Balthor se inclinou para frente, baixando ainda mais a voz. "E se não seguirem?"

Noel olhou direto nos olhos dele. "Então ajustamos. Mas, de qualquer forma... seguimos jogando. Torwan não pode saber que estamos desconfiando dele."

Balthor assentiu uma vez, com a tensão evidente nos olhos. Levantou-se, dobrando o uniforme sob o braço. "Boa sorte na luta, garoto. Aposto que você consegue. Não morra — ainda precisamos arrastar aquele canalha para a luz."

Noel esboçou um sorriso cansado. "Farei minha parte."

Enquanto Balthor se misturava na multidão que se dissolvia, Noir silenciosamente trotou para o lado de Noel. Seus olhos de tom roxo fixaram-se nele por um instante.

'Ele não sabe que estamos o rodeando. Ótimo. Vamos manter assim... por enquanto.'

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