
Capítulo 211
O Extra é um Gênio!?
A suave luz da manhã filtrava-se pelas janelas altas do quarto de Noel. O calor, que antes parecia sufocante, começava a diminuir, dando lugar a uma sensação de calor mais suportável. Noir estava deitada enroscada perto de suas pernas, seu pelo preto com sutis acentos roxos se elevando e caindo lentamente com suas respirações silenciosas. Ela não procurava mais sombra—apenas o conforto de estar perto dele.
Noel gemeu, levantando a mão para a testa.
"Aff… minha cabeça parece que vai explodir. A gente não devia ter bebido tanto..."
A noite na casa da Mirae voltou à sua memória em pedaços—a risada radiante de Charlotte, as bochechas coradas de Elena enquanto ela tentava acompanhar o ritmo, e o sorriso convencido de Elyra enquanto despejava taça após taça do vinho Estermont, claramente curtindo seu papel de provocadora. Todas tinham comido bem, falado demais e bebido mais do que deviam.
"Hoje a gente vai receber o anúncio… faltam dois dias para partirmos. Daemar provavelmente vai falar na hora do treino, já que Nicolas ainda está fora."
Justo nesse momento, a campainha familiar ressoou no ar, e uma janela brilhante do sistema apareceu na frente dele.
[Nova Missão: Encontrar o 5º Pilar e lidar com ele. Recompensa: ???. Prazo: 40 dias.]
Ele piscou para a tela.
"Ótimo. Igual da última vez… sem saber qual é a recompensa. Mas quarenta dias… Acho que o sistema já levou em conta a viagem de dez dias pelo mar. Que delicado."
Ele exalou e recostou-se na cama, tomando cuidado para não perturbar Noir.
"O Círculo anda calado últimamente. Muito quieto. No romance, o Quinto Pilar fez vários movimentos antes do evento oficial acontecer. Acho que vou precisar participar do evento e investigar por fora. Se Nicolas descobriu alguma coisa, provavelmente nossos caminhos vão se cruzar no Reino dos Anões. Lá é onde esse bastardo está escondido, afinal."
Ele fez uma pausa, batendo os dedos na estrutura da cama.
"Deveria falar com Balthor. Disse que vinha, mas, conhecendo o cara, depende de o quanto ele está entediado. Ainda assim, o equipamento dele seria uma ajuda enorme."
O tom de Noel ficou mais frio enquanto ele se levantava.
"O Quinto Pilar não é exatamente forte. Na verdade, é mais fraco que o Kaelith e a Arya. Mas ele é inteligente—opera nas sombras, manda nos outros, controla as finanças. Tirá-lo fora do jogo machucaria mais o Círculo do que perder um Pesado."
De repente—
Batida na porta.
"Pode entrar," chamou Noel.
"Bom dia, Noel. Vim cortar seu cabelo, como você pediu ontem."
"Certo. Obrigada por vir. Vamos lá ao banheiro—já tenho as tesouras, o pente e o espelho prontos."
Elena entrou em silêncio. O quarto ainda estava fresquinho com a brisa matinal, e uma calma tranquila se instaurou entre eles ao entrarem no pequeno banheiro. Noel sentou-se na cadeira de madeira que colocou na frente do espelho.
Enquanto Elena prendia as mangas, ela o olhou pelo reflexo. "Lembre-se, não sou profissional, então tenta não se mexer muito."
Noel sorriu de lado. "Fica tranquilo. Na última vez, gostei do jeito que você fez."
Isso a fez fazer uma pausa por um instante, um pequeno sorriso se formando nos lábios dela. "Então tá. Vou tentar não estragar de novo desta vez."
Ela começou a aparar o cabelo dele com cuidado, passando o pente pelos fios loiros com movimentos suaves.
As mãos de Elena se moviam com firmeza, mas sua voz quebrou a quietude, um pouco mais séria desta vez.
"Noel," ela começou suavemente, "as meninas e eu… estamos conversando."
Noel abriu um olho preguiçosamente, olhando para o reflexo dela no espelho. "Isso já parece perigoso."
Ela rolou os olhos. "Estou falando sério. Sobre a viagem."
Ele franziu um pouco a testa. "Sobre ela?"
Elena hesitou por um segundo, depois suspirou. "A gente só… sente que algo vai acontecer. Você não falou nada, e sabemos que não vai, a não ser que seja forçado, mas conseguimos perceber quando alguma coisa não está bem."
Noel permaneceu em silêncio, deixando as tesouras clicarem mais algumas vezes antes de falar.
"É só uma missão diplomática," ele disse com um encolher de ombros. "E um torneio. Nada que não possamos dar conta."
Elena não acreditou. Ela colocou uma mão suavemente no ombro dele, sua voz calma, mas firme.
"Noel. Não minta. Para mim."
Ele soltou um suspiro baixo, assentindo lentamente. "Ok. Talvez… talvez as coisas possam ficar complicadas. Ainda não sei. Mas até agora, nada perigoso aconteceu."
O aperto dela no ombro apertou por um momento antes de ela falar novamente. "Você sempre diz isso. Depois volta quase morrendo, ou coberto de sangue, ou desmaiado na enfermaria."
Noel deu uma pequena risada. "Faz parte do charme, né?"
"Não," ela disse de forma direta. "A Clair não vai estar com a gente desta vez para te curar de sua imprudência. Então, vai ter que contar conosco."
Ele inclinou um pouco a cabeça. "Tudo bem, se a coisa ficar feia."
"Quero que confie nas pessoas que se importam com você." Ela olhou nos olhos dele pelo espelho. "Promete que, se alguma coisa acontecer, você vai nos contar. Vai pedir ajuda."
Ele fez uma pausa. O peso das palavras dela se instalou no peito dele. Após um instante, acenou com a cabeça de leve.
"Prometo."
O rosto de Elena suavizou. "Ótimo."
Ela voltou a cortar o cabelo dele, aliviando a tensão entre eles. Noel olhou para baixo por um segundo, depois levantou o rosto novamente.
O ritmo das tesouras diminuiu à medida que Elena fazia os últimos ajustes. Ela deu passos para trás, inclinando um pouco a cabeça enquanto examinava seu trabalho com os olhos semicerrados.
"Pronto," ela disse, levantando alguns fios loiros soltos dos ombros dele. "Não ficou perfeito, mas diria que você está umas setenta por cento menos parecido com um animal selvagem agora."
Noel deu uma risadinha. "Tão generoso. Vou aceitar."
Ele se levantou e se alongou, sentindo-se mais leve. "Obrigado, Elena. Sério. Já tava parecendo um espantalho nos campos de treino."
"Você tava mesmo," ela respondeu sem hesitar, cruzando os braços. "Ainda bem que eu não cobrei por isso."
"Tenho desconto se prometo não morrer nessa viagem?"
"Hmm…" Ela bateu o queixo dramaticamente. "Talvez. Mas eu quero que você também me ajude a fazer a mala."
Noel sorriu e encostou-se à moldura da porta. "Falando em fazer a mala—você já começou?"
Elena gemeu. "Não. Depois de ontem, minha cabeça doía demais. Acho que ainda estou com cheiro de vinho Estermont."
"Provavelmente porque Elyra tentou nos afogar nele."
"Provavelmente?" Elena levantou uma sobrancelha. "Noel, ela puxou uma segunda garrafa e disse: 'Bebemos até não conseguirmos pronunciar nosso sobrenome'."
"...Isso explica." Ele balançou a cabeça com um sorriso de canto. "Pelo menos a comida na Mirae's foi boa."
Elena assentiu, sorrindo. "Foi. Gostei do javali assado com glacê de raiz-doce."
"Eu também. Mas a Charlotte quase chorou na sobremesa."
"Ela foi tão dramática," Elena riu. "Mas foi divertido."
Houve uma pausa. Uma calmaria.
Elena deu um passo adiante, segurando a escova mais uma vez para ajustar um fio perto da orelha dele. Então, lentamente, sem falar nada, ela colocou a mão livre na mandíbula dele, tocando delicadamente.
Noel piscou, confuso, enquanto ela suavemente voltava o rosto em direção a ele.
"Elena?"
Ela não respondeu. As bochechas já estavam num tom suave de rosa, mas seus olhos dourados eram firmes—determinados. Ela se inclinou e, em um movimento suave, pressionou seus lábios nos dele.
O beijo foi suave. Curto. Mas suficiente para congelar Noel por uma fração de segundo.
Quando ela se afastou, Elena limpou a garganta timidamente, o rosto agora corado do nariz às orelhas.
"Agora você está pronto," ela murmurou, evitando contato visual.
Noel piscou novamente. "...Isso foi inesperado."
'Ela está ficando mais ousada.'
"Sei," ela disse, abraçando a escova contra o peito. "Mas… eu quis dizer."
Ele a olhou por um momento, depois ofereceu um sorriso tímido.
"Obrigada. Pelo corte… e pela motivação."
Elena finalmente olhou nos olhos dele, com os lábios curvados em um sorriso tímido.
"De nada."
Eles ficaram ali por mais um instante, o ar carregado de algo que não foi dito. Então Noel olhou para o relógio.
"Devemos nos preparar. Tem uma reunião mais tarde, e aposto que o Daemar vai anunciar a saída."
"Certo," Elena acenou com a cabeça, passando por ele na direção da porta. "Me procura quando estiver pronto. Preciso de ajuda pra dobrar as roupas."
"Só se eu não tiver que passar ferro."
"Sem promessa."
Ela saiu com uma risada suave, deixando Noel sozinho no banheiro—ainda um pouco atordoado, uma mão desajeitadamente passando nos lábios.
"…Certo," ele murmurou consigo mesmo. "Definitivamente não esperava por isso."